sexta-feira, 12 de novembro de 2010

CAVANDO POÇOS

A água é um dos recursos mais preciosos na região que hoje chamamos Oriente Médio.  Na época dos patriarcas penso que mais ainda.  Quando Abraão, Isaque, Jacó e seus filhos andaram por aquelas terras, uma fonte confiável de água era certamente um bem inestimável e uma garantia de provisão, sobrevivência e prosperidade.
O livro de Gênesis nos conta que Abraão cavou poços, mas teve que disputá-los com Abimeleque, o rei dos filisteus (confira em Gn 21:22ss).  Anos mais tarde, seu filho Isaque se viu envolvido com a mesma questão da água e dos poços e os servos de Abimeleque.  Lendo o capítulo 26 de Gênesis o que mais me chama a atenção é que Isaque não somente reabriu as fontes que os filisteus tinham entulhado como repetidas vezes se mudou e cavou novos poços.
É desta atitude repetitiva e cansativa do patriarca diante das investidas dos seus adversários que quero tomar como modelo para minha vida quando também sou afrontado.
A primeira característica que transpareceu em Isaque neste episódio é que ele se mostrou um homem pacificador e humilde.  Mesmo sabendo que tinha sido seu pai que cavara os poços, ele não se constrangeu em mudar de lugar e cavar novamente.  São a homens com tais que Jesus os nomeou bem-aventurados por receberem a terra por herança e serem filhos de Deus (leia em Mt 5: 5 e 9).
Também Isaque se mostrou um homem de visão diferenciada.  Cavar um poço era atividade necessária, porém de risco.  Sem água só restaria a morte, mas nunca se tinha garantia de encontrá-la até se ter todo o trabalho de cavar e cavar.  Lá pelas tantas da história quando finalmente conseguiu um poço não disputado, o patriarca expressou sua capacidade de visão: agora o Senhor nos abriu espaço (em Gn 26:22).  Só quem enxerga a provisão de Deus pode se dá ao trabalho de cavar na certeza de que o Senhor vai abrir novos horizontes.
Uma terceira marca de Isaque era a determinação.  Nada o faria desistir de chegar a um veio seguro de água.  É importante também ressaltar que seu objetivo não estava em derrotar os filisteus, mas em conseguir água.  São os objetivos certos que tornam um servo de Cristo imbatível em suas conquistas.  Aqui devo apontar tanto a instrução aos Hebreus de ter sempre a Cristo como alvo (leia em Hb 12:2), quanto a advertência de que só estarão aptos para o Reino os que persistirem com determinação sem olhar para trás (vá a Lc 9:61).
É a um homem como este que o Senhor aparece e fala: não tema, porque estou com você; eu o abençoarei (em Gn 26:24).  E o texto prossegue com a atitude correta de Isaque.  Ao ver o resultado de seu trabalho (lembre de 1Co 15:58) e a promessa divina refeita, Isaque construiu um altar e invocou o nome do Senhor.  Tudo o que faço deve me conduzir à adoração (lembre também de Rm 11:36).
E o texto termina: ali armou acampamento, e seus servos cavaram outro poço (em Gn 26:25).

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