terça-feira, 20 de outubro de 2009

ESTÁ CONSUMADO




Os últimos momentos de vida aqui na terra, Jesus os passou em tremenda agonia.  Sem dúvida, as horas na cruz, depois de ter experimentado o Getsêmane, passado pelos julgamentos e pela via crucis, levaram o Filho de Deus – na condição de homem – a sentir o ponto máximo de dor, sofrimento e humilhação que alguém pode passar.
Os evangelistas nos contam que no Calvário Jesus pronunciou apenas frases curtas porém de profundo significado.  A última delas é a convicção de que o ápice da história havia chegado: ESTÁ CONSUMADO! (leia em Jo 19:30).  Desta descrição de cena e da frase proferida pelo Mestre podem extrair algumas verdades fundamentais à nossa fé.
A expressão final de Cristo na cruz soou a partir daquele monte nos arredores de Jerusalém e ecoou na eternidade.  Está consumado é a declaração final de Deus: eu fiz o que tinha que fazer!
Está consumado para o ser humano.  Em Jo 1:14 nós lemos que Cristo é a revelação da glória de Deus.  Tudo que Deus tinha para dizer aos homens e mulheres de toda a história está dito no Verbo que se fez carne.  Na cruz esta revelação do amor e do poder divino está completa. 
Mais ainda, ao ser humano a obra consumada de Cristo é o exemplo, modelo e padrão de vida submissa à vontade de Deus que nós devemos seguir (leia Ef 4:13).  Como servos de Deus temos que aprender a viver e morrer com Cristo para que venhamos a ressuscitar com Ele (veja ainda 1Co 15:20).
Está consumado para Satanás.  O brado de Jesus é a exclamação de que a vitória está definitivamente ganha.  A batalha está finda pois Cristo já foi declarado vencedor (vá a 1Pe 3:18-22 e confirme que o próprio inferno ouviu de Cristo que a vitória está consumada).
Satanás ainda tem que saber que na vitória do Calvário o poder do pecado sobre as vidas humanas está terminado: ele não mais tem domínio sobre os que estão debaixo da graça (conforme diz Paulo em Rm 6:14).
Está consumado para Deus.  O Filho disse ao Pai que a missão estava completa.  Hb 9:22 alerta para a exigência de derramamento de sangue para satisfazer os desígnios eternos de Deus e na sua declaração Jesus está afirmando que Deus estava satisfeito com a obra do seu Filho.
O perdão, a salvação e a graça agora podem ser concedidos a todo aquele que crer pois a obra de Cristo para com Deus está consumada (tenha Ef 2:9-10 sempre em mente).
Diante de tão triunfante exclamação, devemos dar glórias a Deus pois desde agora e para toda a eternidade a obra poderosa de Deus está consumada através de Cristo Jesus no Calvário.   Louvemo-lo com todo fervor.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

GUARDA-TE




Relendo os conselhos pastorais dados a Timóteo na sua primeira carta encontrei a seguinte instrução: Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16).  Esta advertência me trouxe a mente o cuidado que não somente os líderes eclesiásticos devem ter, mas as servas e servos de Deus no seu viver diário.  A vida cristã exige atenção e cuidado (lembro ainda sobre isso as palavras paulinas em 1Co 10:12).
Ampliando o conceito e procurando nas páginas sagradas sobre como aplicar as diretrizes bíblicas encontrei nos livros de sabedoria e poesia do AT referências bastante ilustrativas.  Vejamos algumas.
O mestre filho de Davi diz: guarda o teu pé quando fores à Casa de Deus (em Ec 5:1).  Compreendendo a figuração do texto, é-nos indicado sobre a necessidade de haver reverência com as coisas sagradas.  Mais do que um ritual de lavagem de pés (e o que Jesus fez em Jo 13 é riquíssimo em lições, mas não é o caso aqui!), o que o sábio está instruindo é sobre o cuidado em se guardar de profanar o lugar e o momento de estar na presença do Senhor; dar a Ele o valor devido e reconhecer com gratidão e devoção o privilégio que é desfrutar da presença e proteção divina.
Ainda na poesia dos Salmos, os coraítas demonstraram bem qual a extensão deste cuidado ao reconhecer que um dia na presença e na Casa do Senhor é melhor que mil noutro lugar (leia em Sl 84:10).
É de Davi a instrução para guardar a língua do mal (veja o Sl 34:13).  Este é um tema bastante recorrente em toda a Bíblia.  Provérbios chamam a atenção para a realidade de que a morte e a vida estão no poder da língua (o verso é Pv 18:21) e Tiago pondera que um órgão tão pequeno como a língua pode causar bastante destruição se não for controlado (no NT em Tg 3:1-6).
Neste sentido o louvor de Davi se enche de significados quando ele exalta o Senhor por ter colocado em seus lábios um cântico novo e um hino de louvor ao nosso Deus (é o Sl 40:3).
Uma última indicação vem do livro dos Provérbios: Guarda com toda a diligência o teu coração (Pv 4:23).  É certo que dele procedem as fontes da vida e ele representa o centro de toda a nossa existência então mais que um cuidado com o cardiologista, a instrução bíblica é para ter atenção e cuidado com aquilo que trazemos e levamos em nossa vida; aquilo que reputamos como importante em nossa existência.  Além disso, o próprio sábio faz um convite amoroso para que seu filho lhe dê seu coração (atente a Pv 23:26).
Sobre isso a observação de Jesus é por demais pertinente: onde eu guardo meu tesouro eu coloco meu coração (leia Lc 12:34), logo se meus tesouros são celestiais e santos, toda a minha vida estará guardada na casa do Pai.
Quero concluir esta reflexão pedindo ao Senhor que nos ajude a guardar nossos pés, nossa língua e sobretudo nosso coração, pois só assim poderemos encontrar a salvação para nós e para os que nos ouvem (volte a 1Tm 4:16).  Que nos faça assim para glória divina.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NOSSAS FOTOS


O Thiago está fazendo um trabalho interessante colecionando nossas fotos.  Pode notar que coloquei um link ali do lado para ir direto a sua coleção - http://www.tkrodrigues.com.br/album 
Aproveito para pedir a quem tiver fotos antigas aqui de nossa Congregação no Sol Nascente que por favor entre em contato comigo - ibsolnascente@gmail.com - ou diretamente com ele - thiago@tkrodrigues.com.br - para completarmos este trabalho.



Obrigado.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Ordem e a Autonomia da Igreja Local


Em decisão recente, o Conselho da Convenção Batista Brasileira ordenou que a OPBB – a Ordem dos Pastores Batista do Brasil – órgão vinculado a nossa Convenção, deveria rever seus procedimentos em relação à convocação de concílios para exame e ordenação ao ministério pastoral.
Concordo com o posicionamento do Conselho expresso pelo presidente no texto publicado em O Jornal Batista em 27/09/2009, até por que em reuniões de pastores aqui em Aracaju já havia expressado posicionamento simular.  Mas o que me traz a esta reflexão é o tema de nossos princípios batistas: aquilo que expressamos como nosso padrão de fé e que historicamente, nestes 400 anos, nos trazem identidade.
A crença na regeneração exclusiva pela graça.  A certeza de que cada crente em Cristo é um sacerdote individual e por isso tem acesso livre a Deus.  A independência e separação entre as instituições da Igreja e do Estado.  A adoção da Bíblia como Palavra de Deus e regra única estabelecida para fé e prática.  Todos são princípios basilares.  Nesta ralação deve entrar também a afirmação da completa autonomia da igreja local.  Embora convivamos em associações e convenções as quais são não só úteis, mas extremamente importantes ao proporcionarem a união, coesão e soma de esforços na concretização de esforços mútuos para as igrejas e seus membros; é na igreja local que a fé, a vida cristã devocional, o crescimento e discipulado e comunhão dos santos acontecem – e isto é que é igreja em sua essência.
Exemplos no NT temos vários.  Só para citar um que serve bem de exemplo: o Concilio de Jerusalém (a narrativa do evento e seus desdobramentos está em At 15).  Mesmo tendo sido convocados líderes de lugares diversos, o texto afirma que coube a igreja local a decisão final.
Penso que além da base bíblica (pode ler Mt 18:15-19; 1Co 12:27; At 13:1; além do capítulo 15 já citado), um lógico encadeamento de doutrinas nos levam a tal compreensão.  O Espírito divino foi derramado individualmente em cada homem e mulher e estes são congregados pelo mesmo Espírito em uma comunidade local para junto repartirem a sua fé no intuito de crescerem na graça e no conhecimento de Cristo Jesus.  Ora se é no meio da reunião local de santos congregados que o Espírito se manifesta – daí não haver classe sacerdotal diferenciada na igreja já que sobre todos é dado um mesmo Espírito – então é também nesta comunidade local que a igreja se faz acontecer.
A igreja local está nos planos de Deus e qualquer movimento que venha de maneira exterior interferir em sua autonomia como reunião de santos que tendo sido revestidos do sacerdócio universal como crentes e por isso aptos para interpretarem fielmente a vontade divina nos questões locais e preparem-se a si mesmo para contribuir para o engrandecimento do Reino de Deus em nossa terra; qualquer interferência tem que ser realmente extirpada de nosso meio.
Termino afirmando que continuamos batistas por convicção e ainda que continuamos filiados a CBB e sua representante no Estado de Sergipe, a CBS, e que esta postura só nos deu maior convicção de nossa concordância administrativa e doutrinária.  Sei que nossa Convenção também tem seus deslizes – e precisamos sempre corrigi-los – mas no geral creio que Deus tem nos conduzido no caminho certo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

DEUS FAZENDO PRODÍGIOS




Alguns episódios na vida terrena de Jesus são surpreendentes pelo inusitado das circunstâncias que os cercam.  Lucas nos conta em 5:17-26 um destes episódios quando Jesus estava pregando para uma multidão e alguns homens trouxeram um paralítico a fim de ser curado.  Como não conseguiam chegar perto, subiram no terraço da casa e o fizeram baixar na maca no meio da multidão para que este tivesse acesso a Jesus.
A narração continua com Jesus perdoando os pecados do enfermo e os fariseus questionando a autoridade de Jesus.  O evangelista ainda conta que por conhecer os corações daqueles homens, Jesus demonstrou o seu poder ao estender o poder de perdoar ao poder de curar, restabelecendo a saúde daquele paralítico – foi isso que causou admiração: Hoje vimos coisas extraordinárias (Lc 5:26).
A admiração dos que testemunharam o episódio é pelo fato de eles terem visto pessoalmente a concretização da ação de Deus em fazer proezas em favor dos seus.  O nosso Deus faz maravilhas e intervém em favor de homens e mulheres!  Nisto está a grandeza do seu amor e misericórdia!
Dos que presenciaram aquele acontecimento, três grupos são bem destacados:
O primeiro grupo citado é o dos fariseus e professores da lei.  Por definição deveriam ser os que mais conheciam a Deus e o seu poder amoroso; mas não foi isso que aconteceu.  Eles estavam ali para ouvirem Jesus falar, mas não estavam dispostos a crer nele como o Messias.  Aqueles homens da religião testemunharam do poder de Deus, mas as amarras religiosas e um conhecimento canhestro e limitado de quem é Deus os impediu de serem tocados pela graça divina.
Às vezes nosso conhecimento limitado de quem é Deus também limita nossa percepção do que Ele faz entre nós e por nós
Um destaque deve ser dado ao paralítico.  Ele ouviu as instruções de Jesus para levantar, pegar a cama e ir para casa e se dispôs imediatamente a cumpri-las.  Sem alternativas e consciente de sua deficiência, aquele homem – nem o nome sabemos dele – assumiu que carecia da intervenção de Cristo em sua vida e esteve aberto para recebê-la com humildade.
Ao reconhecer nossa absoluta necessidade da Deus e nos submeter à manifestação de sua vontade, Ele realmente age em nosso favor.
E por fim, devo citar o grupo de homens que alguma coisa fizeram em prol do paralítico.  E Lucas chama a atenção para o fato que Jesus notou a fé que eles tinham.  Eram apenas alguns homens diante de uma multidão que cercava Jesus, mas eles não mediram esforços nem se detiveram diante das impossibilidades para levarem o necessitado até Jesus.
Quando usamos de coragem e ousadia para levar pessoas até Jesus, as proezas de Deus acontecem.
Finalizo questionando: a qual destes grupos você se assemelha?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

E na hora de traduzir ...


Por cerca de uma década tive a oportunidade lecionar as disciplinas de línguas bíblicas no curso teológico aqui em Aracaju.  Durante este período, vários alunos me perguntavam como eu fazia o meu trabalho pessoal de tradução e como eu tratava o texto na hora de produzir ou um texto técnico-teológico ou - mais importante - como eu levava o resultado disso ao púlpito.  Com isso em mente, listei uma série de dez orientações sobre como ainda hoje trato o texto bíblico em língua original e como procuro levá-lo à minhas ovelhas a cada domingo.
Assim, compartilho aqui a lista que preparei:


A – Leve o trabalho de tradução à sério, uma boa exegese depende de uma boa tradução.  Dedique-se ao máximo ao seu trabalho, não o faça com pressa e nem nunca se dê por vencido diante do texto.  Dependa do Espírito de Deus e se ponha a trabalhar.


B – Desconfie do lugar-comum.  A voz do povo nem sempre é a voz de Deus.  Respostas pré-fabricadas também não ajudam.  Faça seu próprio trabalho.


C – Não despreze o trabalho dos que lhe antecederam nesta jornada.  Consulte outras traduções comparando-as com as suas.  Lembre-se que eles enfrentaram os mesmos problemas que você e encontraram soluções que podem lhe servir de pista.  Traduções em outras línguas ajudam muito.  Consulte a Vulgata, a Reina-Valera, a King James, entre outras.


D – Seja criterioso com todas as palavras.  Com certeza a base semântica dos enunciados estará, na maioria das vezes, nos verbos, daí que um deslize na sua tradução truncará todo o significado do texto.  Dê atenção também às pequenas palavras como preposições e conjunções, as chaves sintáticas geralmente se escondem por aí.


E – Mantenha sempre atualizados seus conhecimentos de História e da cultura em que o texto original foi escrito, elas influenciaram grandemente na produção do autógrafo e não podem ser negligenciadas no momento da tradução.


F – Observe variantes e outras informações sobre a história do próprio texto pois também são indispensáveis.  Aqui vale um estudo sério e honesto de crítica bíblica interna e externa.


G – Tenha uma base sólida da teologia do texto.  O autor não estava escrevendo um texto qualquer mas sim parte do que cremos ser a História da Salvação, sendo assim seus escritos devem ser considerados no seu lugar próprio dentro da história da teologia cristã.


H – Pense nos seus leitores.  A sua tradução deve ser suficientemente clara para que seu povo a entenda e suficientemente profunda para que se alimente dela.


I – Seja o mais fiel possível ao original.  Você está traduzindo um texto e não escrevendo um novo que seja seu.  Contudo esta fidelidade deve ser acima de tudo ao espírito e ao significado, e não à letra do texto - isto é bíblico.  Então tenha cuidado com expressões idiomáticas da língua original, observando para que elas continuem com espírito e significado na sua tradução.


J – Veja o que vai levar para o seu povo.  É gratificante observar o trabalho de confecção teológica do texto.  Mas quem senta à mesa deseja comer mais que saber sobre as receitas.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

INTIMIDADE


Intimidade e privacidade são conceitos que a pós-modernidade banalizou a tal ponto que parecem não trazer mais significado ou importância alguma.  Por dinheiro, por exibicionismo ou por pura curiosidade muitos hoje em dia rompem as barreiras do público e do privado fazendo com que ambos os mundos percam seus valores.
Quando observo para este tema porém à luz da Bíblia meus olhos são levados a instrução de Cristo:  entra no teu quarto ... (veja o verso todo de Mt 6:6).  É a experiência do quarto fechado, como costumo chamar, que me dá toda a relevância do conceito de intimidade no âmbito de minha vivência cristã.
A princípio e só para enfatizar, Jesus deixa claro que tudo começa lá no quarto fechado.  Só quem passou por ele e que sabe o que é privar da intimidade com o Senhor que saberá quão significativa é a sua fé, sua comunhão com Deus e sua adoração.
Mas, com base no texto, vamos implicar alguns pontos: O que é preciso para a intimidade do quarto fechado?  Qual a sua abrangência?  Quais os resultados?
Jesus começa tratando do assunto com a seguinte indicação: vá ... feche.  É preciso ter atitude e disposição para ir ao encontro da intimidade com Deus, fechando a porta exterior e se deixando ser levado pela companhia sagrada.
Na história bíblica muitos assim fizeram.  Abraão ofereceu seu filho; Moisés subiu ao monte; Elias caminhou quarenta dias; Paulo esteve no deserto por três anos; além do próprio Cristo que por várias vezes trocou o sono da noite por horas na intimidade com o Pai.
O texto também chama a atenção que é no quarto fechado que o nosso Pai nos vê em secreto.  É lá onde todas as máscaras são tiradas e ficamos completamente expostos diante do amado.  Não há segredos na intimidade com Deus e ainda assim somos aceitos e queridos nesta presença.
Davi no Salmo 139 descreve tal desnudamento na presença divina como só quem já desfrutou de tal intimidade pode falar: Senhor, tu me sondas e me conheces.
E Jesus conclui: seu Pai o recompensará.  O resultado da intimidade com o Pai no quarto fechado é a certeza de que estamos bem onde o Senhor nos quer, e isto é satisfação garantida; é alegria eterna; é sentido na vida; é o Pai nos cobrindo com sua recompensa.
Quando desfruto de tão bendita intimidade, então – e só então – sei que meu trabalho não é vão no Senhor e que minha adoração sobe em cheiro suave ao trono da graça.
Que o Senhor nos leve a esta intimidade, pois lá é nosso lugar.