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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A GRANDE CELEBRAÇÃO

Gosto muito de celebrar a Ceia do Senhor com a minha igreja.  Ela é um momento singular na vida, na comunhão, na adoração e nas celebrações da igreja de Cristo.  O coração se enche de solene alegria e nunca faltam motivos para celebrar.
Como elemento memorial, a Ceia atualiza, para a vida dos santos, a certeza de que o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele (leia em Is 53:5).  Juntamente a isto, a Ceia ainda é para os redimidos a certeza de que celebramos a expectativa da vinda do que é perfeito (confira 1Co 13:10).
Nas páginas bíblicas, certamente, é que encontro a descrição da grande celebração que antecipo agora na comunhão dos santos.  Veja como é magnífico Ap 19 onde é narrada a concretização do que já celebramos na Ceia do Senhor – aqui está a força espiritual deste ato.  Venha comigo ao texto:
& Ap 19:6 – Aleluia! Pois reina o Senhor.  A Ceia do Senhor é momento de celebração porque festeja a antecipação da vitória definitiva de Cristo (lembre do brado na cruz citado em Jo 19:30).  É profecia e fato consumado que o Senhor Todo-Poderoso irá reinar para sempre e na Comunhão da igreja hoje já festejo este reino eterno.
& Ap 19:7 – Chegou a hora do casamento do Cordeiro.  A igreja é a noiva do Cordeiro e está prometida em casamento com o Filho do Rei dos reis.  Assim celebramos juntos desde agora a alegria de podermos desposar a Cristo, o nosso amado (este momento triunfal está narrado logo depois em Ap 21:2).  Por mais que possa parecer demorar, mas a hora vai chegar – e isto é certo!
& Ap 19:9 – Felizes os convidados para o banquete.  Na sua visão, João ouviu o anjo declarar que são bem-aventurados todos os que são convidados para participarem das bodas eternas.  Hoje eu celebro na Ceia do Senhor a certeza inabalável do convite amoroso de Cristo para entrar no seu gozo perene (confio nas palavras de Mt 25:34).
Neste tempo presente, celebro junto com a igreja a Ceia do Senhor, a comunhão com os santos, a antecipação da glória.  Ali como e bebo a antecipação do Reino, do casamento e do convite eterno de amor de Cristo.  É um momento de festa e comemoração e de deixar o coração ser reverentemente tocado.  É ocasião ímpar da adoração da igreja.
Celebremos assim o estabelecimento do Reino de Deus; a chegada do momento final de vitória; e a alegria de estarmos participando Ceia.  Para a glória do Cordeiro e daquele que está assentado sobre o trono.  Aleluia!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

ANTECIPAÇÃO



Volto hoje ao tema da Ceia do Senhor, assim deve ser, pois temos a instrução de mantê-la como memorial, logo sempre a trazendo na memória para nunca nos esquecermos daquilo que foi feito por nós.  Mas a Ceia é mais que isso: Paulo disse que a comeríamos enquanto Cristo não vem.  Ou seja, além de memorial, a Ceia também é uma antecipação festiva do que nos aguarda.
Neste sentido, a Ceia do Senhor é uma celebração antecipada do grande banquete que nos será servido no Dia do Senhor (lembro que Davi já pedia por isso no Sl 23:5).  É como se diante da Mesa do Senhor estivéssemos a ouvir: "enquanto não vem o prato principal, vão aproveitando aí as delícias da Ceia que lhes é servida por ora" (talvez eu até possa entender 1Co 13:9-10 neste sentido).
Acompanhe comigo um pouco do conteúdo desta antecipação celebrativa:
ü       Hoje cremos já somos perdoados; na Ceia celebramos a certeza de que o pecado não mais terá domínio sobre nós (leia 1Jo 2:12 e Rm 6:14).
ü       Apesar das circunstâncias, ainda não me falta o ânimo porque Cristo venceu o mundo; na Ceia antecipo a convicção que habitarei no lar onde habita a justiça (veja Jo 16:33 e 2Pe 3:13).
ü       Sou salvo desde já na esperança; porém na Ceia festejo a alegria de que tragada foi a morte na vitória (palavras de Rm 8:24 e 1Co 15:54).
ü       Já posso experimentar a cura, pois minhas dores foram levadas na cruz; através da Ceia descanso, pois Ele enxugará todas as lágrimas (compare Is 53:5 com Ap 7:17 e 21:4).
ü       Hoje vivo a presença do que está conosco; na Ceia celebro agora a chegada do grande dia que ouvirei: "vinde benditos do meu Pai" (devem ser lidos em paralelo Mt 28:20 e 25:34).
Sim, a Ceia é o provisório, mas antecipa o definitivo, e por isso desde já a sua celebração tem que ser motivo de muita alegria e regozijo por aqueles que mesmo vivendo apenas na lembrança da promessa, mas já podem se sentir à mesa com o Pai. 
Que estejamos assim hoje diante da Mesa do Senhor, como quem saboreia a antecipação do grande dia (ainda Mt 5:12 e Lc 6:23).
(Lá em cima, a foto da mesa onde celebramos a Ceia do Senhor todo mês aqui em Sol Nascente)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

EU MATEI JESUS


Mesmo já tendo passado o momento das celebrações da Páscoa, volto a refletir sobre o tema da cruz.  O que me trouxe volta hoje a ele foram as palavras do apóstolo Pedro em seu discurso na manhã do Pentecostes: "Este homem, vocês o mataram, pregando-o na cruz" (leia todo o discurso em At 2 – a citação é do verso 23).
A acusação é forte e desafiadora (mesmo tendo em vista a Ceia memorial)!  As palavras proferidas há cerca de dois mil anos ainda soam como uma sentença inapelável e de uma crua realidade: não foram os judeus, nem foram os romanos, eu matei Jesus! 
Com este peso na alma é que me volto às páginas sagradas para ser confrontado com a certeza de que sou um pecador.  Não somente por que sou herdeiro do pecado original (como disse Paulo em Rm 5:12), ou por que viva entre pecadores (como se sentiu Isaías em Is 6:5).  Sou pecador por que eu pequei contra os céus e contra Deus (veja a ênfase na primeira pessoa na confissão do filho pródigo em Lc 15:21).  É por isso que eu matei Jesus.  Foi meu pecado que o levou ao madeiro e por minhas culpas eternas foi sentenciado.
É claro que não posso deixar de falar sobre o amor de Cristo que escolheu assumir a minha culpa de sangue livrando-me da condenação.  Mas isso só torna mais relevante a minha sentença de que levei aquele santo à crucificação.
E tem mais.  O autor aos Hebreus me acusa mais ainda de que torno a cravar Jesus na cruz quando me enlameio e me envolvo em pecados.  Sou novamente réu cada vez que desprezo a graça e me entrego ao pecado sujeitando-o a vergonha pública pelas minhas faltas e pecados (leia com cuidado Hb 6:4-6).
Contudo, glória ao Senhor que a história não acaba com a acusação apostólica.  Embora o pecado tenha sido real e tenha efetivamente provocado o Gólgota, mas Deus com isso provou que seu amor é maior que minha culpa, livrando-me dela e resgatando-me da morte (veja o tamanho da graça em Rm 5:8-11).
Diante desta acusação que pesa sobre mim e grata constatação de que mesmo tendo abundado em pecado, superabundou a graça (expressão de Paulo em Rm 5:20), que devo fazer?  Leio na Bíblia duas respostas: a primeira vem do sábio que diz para assumir diante de Deus o pecado – confissão – e abandonar esta atitude – arrependimento (em Pv 28:13); e a segunda sobre glorificar a Deus porque, apesar do pecado, em todos as coisas somos mais que vencedores e isto somente por meio daquele que nos amou (em Rm 8:37).  Vivamos para sua glória!

sexta-feira, 19 de março de 2010

EU SOU O PÃO

A Ceia do Senhor é um momento sublime na vida e na liturgia da igreja.  É quando trazemos à lembrança e fazemos aflorar tudo o que de mais significativo temos em nossa vivência e em nossa fé.  Em nossos cultos a Ceia é apresentada na Mesa do Senhor em dois elementos: o pão que simboliza o corpo de Cristo e o vinho que aponta ao sangue (veja explicado didaticamente em 1Co 11:23-26).  Assim quis o próprio Cristo.
Quando o Mestre fez associar na memória dos discípulos o pão com a sua própria carne e o vinho com seu sangue, mais que uma ligação aleatória ou simplesmente simbólica, Ele evocou lembranças profundas dos seus.  Sei que na Ceia deve haver pontos de reinterpetação dos elementos pascoais; porém com certeza o que Jesus trouxe à memória apostólica naquela celebração foi sua apresentação como o Pão enviado por Deus para saciar a fome humana (tenha em mente Jo 6:51).
Hoje, quando celebramos a Ceia do Senhor, Jesus continua se apresentando como o Pão Vivo que desceu do céu e nos alimenta, sacia, nos torna plenos e satisfeitos. 
Como pão, Ele nos alimenta com sua paz (marque Jo 14:27).  Num mundo onde a paz está na ordem do dia, mas que nunca a encontra por completo, Jesus nos inunda com a sua paz.  Quando comemos deste pão somos lembrados da verdadeira paz do Senhor que excede todo entendimento (Paulo usou esta expressão em Fl 4:7).
Comungando do pão na Ceia, também nos lembramos que fomos repletos do amor inigualável e consequente (é fundamental Jo 13:1).  É claro que não há amor como este e somos tomados por ele de maneira graciosa.  A memória que é evocada no comer do pão faz-nos repletos deste amor doado (ainda são de Jesus as palavras de Jo 15:13).
Duas outras lembranças devem ser destacadas enquanto se come do pão na mesa do Senhor – talvez elas sejam menos tangíveis e, assim por isso mesmo mais poéticas e belas.  O Pão de Deus nos sacia de vida (considere Jo 10:28).  Não é só vida eterna num sentido temporal – isto é muito pouco – somos saciados de vida plena, completa.  Quando comemos deste pão devemos nos lembrar que em Cristo nos tornamos cheios de vida (considere como promessa cumprida e celebrada no pão o que é dito em Jo 10:10).
O Pão Vivo que de maneira memorial comemos na Ceia também nos faz cheios, repletos, saciados da divindade (está claro o que é dito em Jo 12:45).  Toda alma humana precisa do inefável, do algo mais, para se saber realizada, satisfeita, plena: Jesus nos deu esta oportunidade ao apresentar o Pai e outorgar o Espírito (note Jo 14:9 e 20:22).  Comendo deste pão minha mente e alma têm que ser levadas a adorar àquele que se fez carne para que contemplássemos a glória divina (como é lindo Jo 1:14!).
Hoje, quando celebramos a Ceia do Senhor e trazemos à memória o Pão da Vida, principalmente tão próximo da celebração da Páscoa Cristã (maior evento de nosso calendário), devemos comê-lo como quem celebra a alma plena e saciada de paz, amor e vida; satisfeitos por estar na presença do Eterno.
Que comamos deste pão pascal louvando a Deus por ter nos dado tal privilégio.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

CONHECE-TE A TI MESMO


Ao abordar o tema da Ceia do Senhor, sua doutrina e prática, o apóstolo Paulo incluiu a seguinte instrução: examine-se cada um a si mesmo (a instrução completa está em 1Co 11:17-34 e especificamente o verso 28).
Ao trazer este tema para o contexto da celebração cristã, Paulo estava dizendo compreender que embora a Ceia seja um momento essencialmente gregário, daí ser comunhão e requerer comunidade, ela, como toda a celebração, adoração e culto público pressupõe que antes deve haver a experiência do quarto fechado (é como se dissesse que o convite do Sl 34:3 só acontecerá depois de cumprido Mt 6:6).  Assim, hoje, quando trago os elementos para a Mesa do Senhor na comunhão da igreja devo primeiramente já ter comungado como Pai que vê em secreto.  E o que isso quer me dizer?
Inicialmente que toda relação com Deus é individualizada em sua origem.  Embora o próprio Jesus tenha pregado às multidões e tenha reunido uma igreja, seu convite ao relacionamento é unitário (nos evangelhos sinóticos temos o desafio da cruz individual – Mt 16:24; Mc 8:34 e Lc 9:23).
Posso acrescentar a ilustração do novo nascimento dita a Nicodemos (em Jo 3:3) como algo extremamente individual; bem como a argumentação profética sobre a responsabilidade pessoal (em Ez 18).
Na Ceia do Senhor sou confrontado individualmente com o crucificado e meu relacionamento com Ele é profundamente avaliado.  Como Deus fez com Adão (lembre Gn 3:8-9); minha história, meus compromissos e prioridades, minha fé, tudo o que tenho e sou deve ser pesado diante da cruz para que então, e só então, eu possa comer dignamente da Ceia.
Mas é aqui que detecto o problema: assim como Paulo confessou aos Romanos, que embora conhecesse e desejasse fazer o bem, o mal insiste em me rodear (leia Rm 7:18-25).  Na Ceia reconheço-me miserável pecador e por isso mesmo suplicante e carente da graça que vem de Jesus que me livra do corpo sujeito à morte.
Assim, diante do que percebo após o auto-exame só me resta uma única alternativa: fazer minha a oração do salmista:
Sonda-me, ó Deus;
e conhece o meu coração;
prova-me, e conhece as minhas inquietações.
Vê se em minha conduta algo te ofende,
e dirige-me pelo caminho eterno.
(Sl 139:23-24)
Comamos e bebamos na Mesa do Senhor com esta oração no coração e uma canção nos lábios, para sua glória.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

EIS O CORDEIRO DE DEUS


Mais uma vez a nossa igreja celebrará a Ceia do Senhor. Nós o fazemos uma vez por mês e sempre é um dia de festa e alegria. É costume entre nós dizer que não há momento mais repleto de significados e beleza que este quando a igreja de Cristo se reúne para relembrar e reafirmar a sua certeza e fé de que naquele homem de Nazaré levado ao sacrifício estava o Deus encarnado e com isso a remissão exigida por Deus estava satisfeita.
Para entender o momento do sacrifício é porém necessário voltar um pouco para a anunciação feita por João, o Batista, a Jesus por ocasião de seu batismo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).
Sobre o tema do cordeiro como animal imolado no ritual de remissão de pecados como prescrito no AT muito haveria de ser dito; mas o que queremos aqui refletir é sobre o Cristo e como ele se apresentou como o Cordeiro de Deus. E será nesta reflexão que celebraremos a Ceia do Senhor como quem agradece pelo sacrifício apresentado a Deus.
Em primeiro lugar o sacrifício de Cristo foi voluntário. Já é lugar-comum afirmar que a encarnação e paixão foram movidas primariamente pela vontade soberana de Deus – Ele fez por que quis! O próprio Cristo afirmou que seu sacrifício era resultado do seu amor, e mais que isso era a prova dele (leia Jo 15:13 e também 10:17).
A disposição de Jesus em se entregar ao sacrifício fica ainda mais clara quando ele repreende a Pedro no episódio do Getsêmani ordenando que guardasse a espada e não o impedisse de cumprir a sua missão (narrado em Jo 18 a partir do verso um e em especial o verso 11).
Celebramos em nossa Ceia a disposição de Cristo em se dar em favor de nós.
O segundo aspecto é que o sacrifício de Cristo foi completo. A argumentação encontramos no texto aos Hebreus. Segundo o texto, enquanto os sacerdotes da antiga aliança tinham que repetir indefinidamente o ritual, o oferecimento de Cristo no Calvário foi definitivo (a base está em Hb 10). Tendo se oferecido de uma vez por todas como oferta e oficiante, Cristo se qualificou como a satisfação completa da exigência divina de reparação (pouco antes é dito explicitamente isso em Hb 9:22).
É esta obra consumada na cruz que celebramos em nossa Ceia (ainda volte às palavras na cruz citas por Jo 19:30).
E finalmente o sacrifício de Cristo é aceitável a Deus. Na argumentação paulina, o sacrifício de Cristo chegou ao trono de Deus como um cheiro suave (leia Ef 5:2). Ou seja, o próprio Deus se satisfez com o que lhe foi oferecido pelo seu Filho em favor da humanidade. A comunhão agora estaria refeita pois Deus se alegrara com a obra cumprida. E na alegria divina está certamente a sua benevolência aos homens e mulheres.
É por causa da satisfação de Deus que também celebramos com satisfação a Ceia ainda hoje.
Certos de que pelo seu sacrifício Cristo se apresentou como o verdadeiro e único Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, ceamos quando nos unimos, como igreja, para celebrá-lo em adoração.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

CELEBRANDO A COMUNHÃO DOS SANTOS


Periodicamente celebramos em nossa Igreja a Ceia do Senhor, isto fazemos seguindo tanto a ordenança do Mestre (há ordem para partilhar em Lc 22:17) quanto à tradição que nos vem dos cristãos primitivos (veja a constatação do evento pentecostal em At 4:42).
Só por estas citações iniciais já fica clara a ligação entre ceia cristã e comunhão, relacionamento, partilha e fraternidade. Chamá-la de Comunhão seria então reconhecer nesta celebração cristã mais que um rito, mas um momento de reafirmação de valores sagrados de nossa fé e prática.
Assim seguindo essa linha de raciocínio, deixe-me apontar algumas verdades que celebramos sempre que compartilhamos do pão e do vinho em culto ao Senhor (antes de prosseguir veja este conceito de ceia como adoração em 1Co 10:31).
Ter pão e vinho em nossa adoração é celebrar a obra de Cristo na cruz quando desfez a separação entre os seres humanos e a todos nos deu acesso ao Pai, criando um novo homem e fazendo a paz entre nós (está dito em Ef 2:14-18). A ceia deve nos trazer à memória que em Cristo não há mais distinção entre judeu e grego (claro em Rm 10:12).
Voltando a Efésios, sabemos que celebramos quando nos reunimos para celebrar a Cristo o mistério finalmente revelado da suprema vontade de Deus que agora somos co-herdeiros com Israel e membros do mesmo corpo (em Ef 3:2-6, mas veja a forma simbólica como Paulo diz isso em Rm 11:11-24).
O desdobramento desta celebração é que quando comemos e bebemos juntos em memória do crucificado sabemos que foi por ele que deixamos de ser apenas um bocado de gente para nos tornar efetivamente povo de Deus (confira em 1Pe 2:9-10). Se somos hoje o povo escolhido de Deus é porque por Cristo – simbolizado na mesa – nos resgatou para ser seu povo e reino (complete a leitura bíblica em Cl 1:12-13).
Em especial também nos elementos da comunhão celebramos o óleo da bênção derramado na fraternidade cristã (tome as palavras do Sl 133). Quando comemoramos a nossa vida em união – e somente através de Cristo conseguimos transformar este projeto em realidade – trazemos para nossa vivência como comunidade de fé a certeza de que Deus tem interesse pleno nesta unidade (na oração do Mestre em Jo 17:21) e reafirmamos que aqui – e primordialmente aqui – é onde o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (no Sl 133:3).
É com esta visão que nos juntamos periodicamente para celebrar e reafirmar que em Cristo nos tornamos e nos mantemos como Comunhão dos Santos – essencialmente igreja de Cristo. Nesta fraternidade e para glória do Senhor: celebremos a comunhão.
(Na foto acima, alguns músicos que louvam ao Senhor com seus instrumentos em nossa igreja em um momentos em que desenvolviam o espírito de fraternidade e comunhão cristã descontraidamente em um parque de nossa cidade).

sexta-feira, 17 de abril de 2009

DO QUE NOS LEMBRAMOS NESTA HORA


Domingo passado fizemos em nossa Igreja uma celebração festiva comemorando a Páscoa do nosso Senhor Jesus Cristo. Foi um culto bonito quando representamos a vida e paixão de Cristo procurando demonstrar o seu tão grande amor. Agora passada uma semana, nos lembramos daqueles momentos e glorificamos a Deus por tudo o que ocorreu.
Mas trazer à lembrança fatos ocorridos é o que fazemos em nossos cultos: celebramos o encontro com Cristo e, como memorial, reafirmamos o que ele fez por nós. É assim, que a Ceia do Senhor – como parte simbólica e regular em nossas celebrações – conduz as nossas recordações. Então vejamos o que esta celebração deve trazer a memória (antes de prosseguir, leia Lm 3:21).
A Ceia traz a nossa lembrança a demonstração do amor imensurável por nós através da encarnação do Verbo (Jo 1:14). A Bíblia nos conta que o Deus eterno se fez humano por ter nutrido um amor tão profundo por suas criaturas que desejou vir a ser igual a cada um de nós. Na comunhão do pão está a lembrança do corpo humano de Cristo que sofreu em nosso lugar (Jo 15:13).
Mas graças a Deus que a história não acaba na cruz. Também trazemos à memória o poder supremo que venceu a morte. O corpo de Jesus não ficou no túmulo pois ressuscitou – Ele está vivo (Mc 16:6). Ambos os lados são fundamentais: só há túmulo vazio porque houve a cruz. Nos elementos da Ceia do Senhor devemos nos lembrar com respeito solene da morte infame, porém com alegria redobrada pela vitória final (1Co 15:55).
E por fim, mas não menos importante, sempre haveremos de nos lembrar quando nos reunimos em adoração da fidelidade daquele que fez a promessa – e com isso a certeza do seu cumprimento (Hb 10:23). Sempre que repetimos os gestos e ditos diante da Mesa do Senhor recordamos de que a volta de Cristo em glória logo se dará (Ap 22:20).
Aquele que por amor encarnou-se, sofreu e morreu, porém venceu a morte, e voltará para buscar a sua igreja nunca pode ser esquecido em nossos cultos e em nossa vida, pois somente Ele é digno de toda a nossa adoração (Fl 2:9-11). Que possamos celebrá-lo com a nossa memória reavivada para sua glória.

sexta-feira, 13 de março de 2009

TENDO PARTIDO O PÃO


Hoje quando celebramos a Ceia do Senhor em nossa igreja, trazemos à memória os eventos que culminaram com a morte a ressurreição de Jesus Cristo. Em nossa celebração procuramos repetir os gestos do Senhor com seus discípulos.
Os três evangelhos sinóticos narram que na última ceia entre eles, Jesus tomou o pão com as mãos e o repartiu com os apóstolos (Mt 26:26 / Mc 14:22 / Lc 22:19) e é este simbolismo do pão presente na mesa do Senhor que trazemos a nossa reflexão. Mas é no evangelho de João que encontramos algumas lições importantes.
“Eu sou o pão da vida” isto é o que João registra literalmente (Jo 6:48). Ao incluir o pão na celebração, Jesus esta fazendo uma referência a si mesmo. Naquele alimento simples que compunha a ceia, o Mestre queria nos dizer que com a mesma simplicidade poderíamos dispor de sua presença prometida e segura entre aqueles que celebravam juntos. E assim fazemos ainda hoje: no pão comemoramos a certeza de que aquele que foi enviado pelo Pai continua vivo e atuante no meio da comunidade de fé (Mt 28:20).
Na celebração com os discípulos, Jesus partiu o pão. Em João ainda lemos que Jesus identificou o pão com a sua carne dada ao mundo (Jo 6:51). O pão repartido e distribuído na Ceia é o memorial de que o corpo de Cristo foi moído por nós (Is 53:5) e dado em favor de muitos (Mt 20:28).
E finalmente, sabemos que uma promessa nos foi feita: “têm vida eterna” (Jo 6:54). Quando comemos o pão repartido na celebração da Ceia do Senhor estamos desde já celebrando a certeza de que quem come dele nunca mais terá fome (Jo 6:35). Desde agora o corpo de Cristo doado na cruz nos garante a saciedade da alma, a cura do corpo e, principalmente, a convicção de que nada, nem ninguém, poderá tirar nossa salvação eterna (Jo 10:28 e Rm 8:38-39).
Celebramos isto no pão. Repetimos o gesto na Ceia. Louvamos ao Senhor pelo pão vivo que desceu dos céus. Assim somos discípulos; assim nos fazemos igreja; assim cremos, comemoramos e compartilhamos a presença real do Amado em nosso meio. A Ele a glória.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

UMA NOVA ALIANÇA

A história do relacionamento entre o Deus Criador e as suas criaturas humanas é a história dos pactos e alianças feitas entre eles. Tais alianças estão, como regra, associadas ao derramamento de sangue que serve como tanto como testemunho como sinal entre as partes (este é o sentido de Hb 9:22).
No NT, os evangelistas e Paulo destacam que, por ocasião da celebração da última ceia entre Jesus e seus discípulos, o Mestre teria atribuído um valor simbólico e memorial ao cálice e seu conteúdo: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue” (1Co 11:25). Nesta frase reconhecemos o entendimento de Jesus que uma antiga aliança estava se esgotando com sua obra e que, consequentemente, uma nova estava sendo feita entre Deus e seu povo – agora a igreja; e mais uma vez tendo o elemento do sangue atestando a celebração da aliança.
Mas o que convém destacar aqui é a certeza de que uma antiga aliança era incompleta e imperfeita e, desta forma, uma nova deveria ser estabelecida (volte a Hb 8:6-7). Comparemos as duas alianças: a antiga estabelecida no Sinai e a nova no Calvário.
A antiga aliança era hereditária – a nova exige adesão. Se no pacto estabelecido com Moisés a garantia foi dada pela promessa aos patriarcas e seus descendentes (Êx 3:15) – o que a limitava aos filhos de sangue natural; no novo feito com Jesus ela estará ao alcance de todos os que o receberem como Cristo (Jo 1:11-13).
A antiga aliança veio baseada na observância da lei – a nova nos chegou pela graça alcançada pela fé. Deus impôs aos filhos de Israel a sua lei que foi dada em pedra (Êx 24:12); mas aos da nova aliança ele gravou no coração pela sua graça a sua vontade amorosa (2Co 3:3 – Ef 2:8).
A antiga aliança, finalmente, era terrena e passageira – a nova será celestial e eterna. O sangue do testemunho antigo era de animais e precisava ser reapresentado constantemente; porém “quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, de uma vez por todas, e obteve eterna redenção” (Hb 9:11-12 – continue lendo até o final do capítulo).
Com esta gloriosa certeza – a de que já fomos alcançados e fazemos parte de uma nova aliança com Deus – é que a igreja se reúne e vive hoje para celebrar a memória do sangue do pacto que nos aponta o cálice ainda hoje.
Vamos pois celebrá-lo para sua glória. Amém.