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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A PEDRA NO MEIO DO CAMINHO

O texto de 1Sm 7:12 narra que o profeta Samuel, tendo subjugado os filisteus em Mispá, ergueu uma pedra de testemunho e a chamou de Ebenézer, dizendo: "Até aqui o Senhor nos ajudou".  Aquele era um momento singular na vida pessoal e no transcorrer da história nacional de Israel. O sacerdote Eli já havia morrido; a Arca da Aliança que fôra tomada, com o líder Samuel à frente, retornara ao seu lugar; e a vitória contra seus inimigos fechava um ciclo.  Logo depois Israel pediria um rei e a história prosseguiria.
Mas o que me interessa hoje é a pedra.  Ela é um marco.  Foi colocada ali com um propósito.  E hoje, onde estão e quais são as nossas pedras?  E mais: o que a pedra de Ebenézer tem a me ensinar sobre a atitude de Samuel?  Creio que posso buscar respostas em dois planos: no horizontal e no vertical.
Olhando Ebenézer pela linha do horizonte, num plano bem humano, aquela pedra deveria representar para os filhos de Israel um importante monumento histórico.  Com ela Samuel estava ensinando a sempre manter a vista também no passado, ou seja, a ler a história, pois ela é importante.
Nos relatos bíblicos muitas vezes os herois da fé assim fizeram (o próprio texto de Hb 11 é um excelente resenha histórica que trata de tais herois).  Poderia citar Josué sua na despedida (Js 23), ou o profeta Ezequiel ao lembrar os pecados nacionais (Ez 20).  No NT o bom exemplo vem de Estêvão em sua defesa (At 7) que a partir da narração da história de Israel, fez a aplicação devida.
Neste mesmo plano, a pedra é ainda o registro do testemunho daquilo que o Senhor fez, para que tais intervenções sejam anunciadas às próximas gerações.  Um monumento estrategicamente colocado é um recurso válido de divulgação de uma mensagem.
Depois de repetir as Leis ditadas pelo Senhor, Moisés no Deuteronômio enfatizou para que além do coração, aquelas palavras deveriam estar amarradas fisicamente nos braços e na testa e fixadas nos batentes e portais de cada casa (Dt 6:8-9).  O testemunho de Deus precisa ser visivelmente divulgado, ocupar espaços e ser constantemente lembrado (acrescente aqui a ordem do registro em Ap 21:5).
Olhando Ebenézer num ângulo em que ela aponta para o alto, verticalmente: aquela pedra era o reconhecimento de que tudo o que aconteceu a Israel era por ação do Senhor.  Todas as vitórias e conquistas, a terra em paz e a ordem estabelecida eram dádivas divinas.
Anos depois, Davi soube bem cantar esta certeza de fé quando declarou que se não tivesse sido o Senhor intervindo em sua história, há muito já teria sido engolido pelos seus inimigos (leia o Sl 124).
Deste ponto de vista, ainda resta algo que a presença da pedra naquele lugar trazia para o povo e que também deve trazer para nós.  Ela esteve não somente no meio da história e do caminho onde Israel tinha que passar, ela também apontava para cima.  Olhá-la seria como ser chamado a encarar o Senhor e os compromissos com Ele (penso que Am 4:12 vai neste sentido). 
Ebenézer para mim hoje é a pedra no meio do caminho que me desafia ter e manter um tempo reservado exclusivamente para a aliança e a busca sincera pelo Senhor.  Não há como evitá-la.  Entre lutas a serem travadas e vitórias a serem conquistadas; entre idas e vindas de cada história pessoal e familiar; por entre o caminhar da igreja e da sociedade será sempre preciso reservar um tempo e um lugar para o Senhor.
Que o Senhor me faça colocar uma pedra assim no meio do meu caminho.  Para a glória dele.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A GRANDE CELEBRAÇÃO

Gosto muito de celebrar a Ceia do Senhor com a minha igreja.  Ela é um momento singular na vida, na comunhão, na adoração e nas celebrações da igreja de Cristo.  O coração se enche de solene alegria e nunca faltam motivos para celebrar.
Como elemento memorial, a Ceia atualiza, para a vida dos santos, a certeza de que o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele (leia em Is 53:5).  Juntamente a isto, a Ceia ainda é para os redimidos a certeza de que celebramos a expectativa da vinda do que é perfeito (confira 1Co 13:10).
Nas páginas bíblicas, certamente, é que encontro a descrição da grande celebração que antecipo agora na comunhão dos santos.  Veja como é magnífico Ap 19 onde é narrada a concretização do que já celebramos na Ceia do Senhor – aqui está a força espiritual deste ato.  Venha comigo ao texto:
& Ap 19:6 – Aleluia! Pois reina o Senhor.  A Ceia do Senhor é momento de celebração porque festeja a antecipação da vitória definitiva de Cristo (lembre do brado na cruz citado em Jo 19:30).  É profecia e fato consumado que o Senhor Todo-Poderoso irá reinar para sempre e na Comunhão da igreja hoje já festejo este reino eterno.
& Ap 19:7 – Chegou a hora do casamento do Cordeiro.  A igreja é a noiva do Cordeiro e está prometida em casamento com o Filho do Rei dos reis.  Assim celebramos juntos desde agora a alegria de podermos desposar a Cristo, o nosso amado (este momento triunfal está narrado logo depois em Ap 21:2).  Por mais que possa parecer demorar, mas a hora vai chegar – e isto é certo!
& Ap 19:9 – Felizes os convidados para o banquete.  Na sua visão, João ouviu o anjo declarar que são bem-aventurados todos os que são convidados para participarem das bodas eternas.  Hoje eu celebro na Ceia do Senhor a certeza inabalável do convite amoroso de Cristo para entrar no seu gozo perene (confio nas palavras de Mt 25:34).
Neste tempo presente, celebro junto com a igreja a Ceia do Senhor, a comunhão com os santos, a antecipação da glória.  Ali como e bebo a antecipação do Reino, do casamento e do convite eterno de amor de Cristo.  É um momento de festa e comemoração e de deixar o coração ser reverentemente tocado.  É ocasião ímpar da adoração da igreja.
Celebremos assim o estabelecimento do Reino de Deus; a chegada do momento final de vitória; e a alegria de estarmos participando Ceia.  Para a glória do Cordeiro e daquele que está assentado sobre o trono.  Aleluia!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

HÁ UMA IGREJA EM SUA CASA?

As saudações epistolares no NT em geral se referem às igrejas que se reuniam nas casas dos cristãos.  Esta era uma prática comum.  Sem templos próprios construídos, as comunidades de fé se encontravam nas casas dos crentes e lá prestavam seu culto, se alimentavam espiritualmente com a Palavra de Deus e desenvolviam a comunhão.
Aproveitando a ideia das igrejas nas casas e entendendo a importância desta atitude para uma vivência saudável dentro do Reino de Deus, mas olhando pelo prisma da casa, pergunto: há uma igreja em sua casa?
Para ajudar a responder, deixe-me apresentar algumas casas bíblicas e as características que fizeram delas um lugar apropriado à existência de uma igreja.
A primeira casa vem da parábola que conhecemos como do "Filho Pródigo" (confira a narração toda em Lc 15:11-31).  Aquele era realmente um lugar acolhedor, tanto para o filho mais novo ao voltar para casa, quanto para o mais velho que não quis participar da festa.
Uma casa que abriga uma igreja é sempre um lugar agradável, onde é bom e gostoso estar ali, onde a família tem prazer em estar (penso que para uma casa assim até posso extrapolar e citar o Sl 122:1).
Outra casa a ser mencionada é a de Timóteo (veja a referência em 2Tm 1:5).  Sua avó e sua mãe lhe deram uma base sólida e uma educação religiosa adequada a ponto de, já adulto, ele ainda poder usar como referência.
A igreja que está na casa é aquela que sabe fomentar valores cristãos nas gerações que estão chegando tanto pelo exemplo como pelo ensino propriamente dito; é onde a Palavra de Deus não é apenas uma teoria distante, mas está incorporada em todas as atitudes do cotidiano (considere o conselho dado pelo sábio em Pv 22:6).
Olhando o AT vejo a casa de Manoá – o pai de Sansão – também como um bom exemplo do que seria uma casa onde há ambiente adequado para uma igreja (leia a história em Jz 13).  Naquela casa, a prática da oração era costumeira e é isso que fez toda a diferença (em especial os versos 8-9).
Como na casa de Manoá, onde a vida se faz forjada pela prática constante da oração ali é o lugar onde há uma igreja e onde as bênçãos também são uma realidade (atente 2Cr 7:14).
Voltando ao NT, a última casa que quero citar é a das irmãs Marta e Maria (em especial no texto de Lc 10:38-42).  Naquela casa o próprio Jesus acostumou-se a ficar hospedado.  Ali se mostrou um lugar para receber o Senhor.
Esta é a marca principal da casa onde há uma igreja: a presença de Jesus é real e constante.  É exatamente a presença divina no interior da casa que faz daquele lugar algo diferenciado.  Somente quando o Todo-Poderoso com seu poder e glória baixa para habitar naquela casa é que ela será miraculosamente transformada em uma igreja de verdade (aproprie-se da promessa de Mt 18:20).
Volto a perguntar: há uma igreja em sua casa?  E oro para que cada uma destas características possa ser encontrada lá na sua casa e você possa sempre se referir ao seu endereço de moradia como o lugar onde a igreja de Cristo pode ser encontrada.  Para a glória dele.
(Na foto lá em cima, minha sogra e meu sogro na direção de um culto em sua casa)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

ENQUANTO VOU À CASA DO SENHOR

Das profundezas clamo a ti, Senhor; ouve, Senhor, a minha voz!” 
(Sl 130:1).
Na parte final do Livro dos Salmos, há quinze salmos que são conhecidos como Cânticos de Degraus ou de Romagem.  Eles eram entoados enquanto o povo se dirigia para o santuário e expressam tanto o sentimento como a preparação espiritual dos fieis que estão indo adorar a Deus.  Um deles – o Salmo 130 – retrata com simples profundidade o anseio que o crente tem pelo encontro com o Senhor.
O Salmo parte das profundezas [da alma] de onde vem o clamor pelo Senhor: Escuta, Senhor...  É como se o salmista quisesse dizer que no fundo do seu ser o que realmente importa é estabelecer um contato com Deus.  Enquanto me dirijo à adoração, é preciso manter aberto o canal com o Mestre: ou seja, deixando as superficialidades da vida e buscando ao Senhor com a mais sincera de minhas intimidades.  Lá onde só Deus me conhece é que quero ser visto e ouvido pelo meu amado Senhor.
Mas este contato íntimo com Deus me põe a desnudo.  Diante disto o salmista questiona: Quem escaparia? (Sl 130:3).  É diante de Deus que eu me vejo quem realmente sou, e assim que constato que sou um pecador e que – embora necessite e deseje a companhia divina – não posso sobreviver na sua presença.  Contudo, ainda assim o salmista sabe somente em Deus está o perdão para os que o temem, por isso insiste em por a sua esperança no Senhor (Sl 130:7). 
Desta forma, cantando este salmo de apenas oito versos, estou afirmando que mais que qualquer coisa nesta vida o que mais quero é a estar na presença sagrada.  Mais que qualquer segurança; melhor que qualquer esperança; mais que qualquer satisfação; o que eu realmente desejo é estar com o Senhor.
Que este seja o meu canto enquanto me dirijo à Casa do Senhor para o adorar – reflexo de toda a minha vida.  Aleluia!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ONDE ESTÁ JESUS?

Jesus Cristo está presente em vários e diferentes momentos e lugares de nossa cultura.  Nestas terras, pelo menos um pouco todos conhecem de quem foi Jesus e do que Ele fez.  Com mais ou menos propriedade e acertos sempre ouço o nome de Jesus; sempre se pode ver em edificações de igrejas a exposições de crucifixos.  Mas questionaríamos: onde estaria o Verdadeiro Jesus Cristo na vida dos brasileiros?  Com base nos relatos bíblicos, deixe-me apresentar três possíveis respostas.
Ap 3:32 cita a igreja de Laodicéia como sendo uma igreja cristã, mas na qual Jesus estava do lado de fora querendo entrar.  A primeira resposta que encontro é que em muitas situações, Jesus está fora; é um estranho; não tem participação na vida dos brasileiros.  Podem até usar o título de cristãos; mas na realidade o próprio Cristo não compartilha com eles da ceia!
Da história dos discípulos que saíam de Jerusalém na tarde da ressurreição (Lc 24:13-35) encontro uma segunda resposta.  Eles caminharam por alguns quilômetros conversando com o Mestre mas não o reconheceram.  Assim é com alguns.  Jesus está bem do lado; eles até algumas vezes sentem o coração queimando pela proximidade, contudo não são capazes de reconhecê-lo e com isso desfrutar toda bênção e glória da companhia divina.  Cristo permanece na periferia da vida!
Mas o lugar onde Jesus quer estar em nossas vidas é bem dentro do nosso coração.  Quando ressuscitou, Jesus se aproximou dos discípulos e soprou neles o Espírito (Jo 20:21) simbolizando que dali em diante Jesus estaria sempre dentro daqueles que o seguissem – lembra-se da promessa na ascensão: estarei convosco (Mt 28:20).  O próprio Jesus foi bem enfático quando afirmou que o lugar de se encontrar o seu Reino seria dentro de cada seguidor (Lc 17:21).  O único lugar onde realmente faz toda diferença é dentro do nosso coração e de nossa vida – bem no centro!
Querido, se Jesus está em outro lugar qualquer que não seja o seu coração, convide-o a entrar ainda hoje.  E tenha certeza que se cumprirá a sua palavra: Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão (Jo 10:28).

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

AS MARCAS DE JESUS

A partir de relatos e tradições medievais, alguns homens e mulheres dizem receber em seus próprios corpos marcas genuínas das chagas em Cristo.  Estes por sua vida de devoção e religiosidade são escolhidos por Deus para trazerem os "estigmas" da cruz – ou no latim: stigmata.
Porém quando vou à Bíblia procurando nela sobre o tema, o que encontro é Paulo escrevendo aos cristãos da Galácia, já no final da epístola, quando ele diz: trago em meu corpo as marcas de Jesus (em Gl 6:17). Na leitura da carta sagrada me parece que o apóstolo está falando de outra coisa ou que, pelo menos, aponta outro sentido e direção completamente diferente da tradição.
Paulo fala das cicatrizes no corpo – e na alma – que ele acumulou ao longo de sua vida e ministério apostólico.  Assim sendo, tais marcas não são motivo de vaidade ou arrogância; também não se mostram como peso ou motivo de lamento e nostalgia frustrante.  As marcas de Jesus são sim a evidência concreta e objetiva da alegria na humilde submissão à vontade de Deus.  Desta forma, desdobrando a compreensão das cicatrizes cristãs alegadas aos gálatas, devo entender que:
a. As marcas de Jesus são registro e testemunho da história pessoal do apóstolo.  Ao longo de sua vida e caminhada como missionário desbravador cristão, Paulo foi submetido a diversas situações dolorosas e adversas.  Tudo isso deixou profundos traços no seu próprio corpo (leia o que diz em 2Co 11:23-28).  Olhar para as marcas de Jesus em seu corpo era se lembrar de toda a trajetória por onde teve de passar, o que lhe conferia respaldo para desafiar a igreja a uma vida com Cristo (leia Tt 2:12).
b. Aquelas marcas ainda salientavam os compromissos e prioridades assumidas durante a jornada.  A vida cristã não é simplesmente fácil; exige comprometimento e que se estabeleça hierarquias de valor (note o que ele disse aos líderes de Éfeso em At 20:24). Cada nuance e cada dobra de cicatriz no corpo gritava por si só sobre o que motivava essencialmente Paulo.  À vista delas o apóstolo tinha autoridade para conclamar a encarnar o desafio cristão (Paulo levou a sério Mt 16:24).
c. E ainda as marcas que Paulo trazia eram a salvaguarda das esperanças que o mantiveram firme – e isso está na base de toda a sua teologia e doutrina (em diversos textos como Rm 8:18; Gl 2:20; Cl 2:20; 1Co 15:14; 1Co 1:22-23; Rm 5:2).  Cada marca trazida era uma garantia que lhe foi gerada de que em Cristo, e somente nele, há verdadeira esperança (compare ainda 1Co 15:58 com Fl 1:6).  Assim, o apóstolo podia com propriedade arregimentar, conclamar e enfileirar cristãos imbuídos de compromisso e viva esperança (a expressão é de 1Pe 1:3, mas está em acordo com Paulo aqui).
Estas são as marcas apostólicas de Jesus que Paulo trazia em seu corpo.  Agora devo com sinceridade me questionar: e eu e você, que marcas trazemos em nossos corpos que testemunham nossa história com Cristo?  Nosso compromisso primário?  Nossa maior esperança?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

CAVANDO POÇOS

A água é um dos recursos mais preciosos na região que hoje chamamos Oriente Médio.  Na época dos patriarcas penso que mais ainda.  Quando Abraão, Isaque, Jacó e seus filhos andaram por aquelas terras, uma fonte confiável de água era certamente um bem inestimável e uma garantia de provisão, sobrevivência e prosperidade.
O livro de Gênesis nos conta que Abraão cavou poços, mas teve que disputá-los com Abimeleque, o rei dos filisteus (confira em Gn 21:22ss).  Anos mais tarde, seu filho Isaque se viu envolvido com a mesma questão da água e dos poços e os servos de Abimeleque.  Lendo o capítulo 26 de Gênesis o que mais me chama a atenção é que Isaque não somente reabriu as fontes que os filisteus tinham entulhado como repetidas vezes se mudou e cavou novos poços.
É desta atitude repetitiva e cansativa do patriarca diante das investidas dos seus adversários que quero tomar como modelo para minha vida quando também sou afrontado.
A primeira característica que transpareceu em Isaque neste episódio é que ele se mostrou um homem pacificador e humilde.  Mesmo sabendo que tinha sido seu pai que cavara os poços, ele não se constrangeu em mudar de lugar e cavar novamente.  São a homens com tais que Jesus os nomeou bem-aventurados por receberem a terra por herança e serem filhos de Deus (leia em Mt 5: 5 e 9).
Também Isaque se mostrou um homem de visão diferenciada.  Cavar um poço era atividade necessária, porém de risco.  Sem água só restaria a morte, mas nunca se tinha garantia de encontrá-la até se ter todo o trabalho de cavar e cavar.  Lá pelas tantas da história quando finalmente conseguiu um poço não disputado, o patriarca expressou sua capacidade de visão: agora o Senhor nos abriu espaço (em Gn 26:22).  Só quem enxerga a provisão de Deus pode se dá ao trabalho de cavar na certeza de que o Senhor vai abrir novos horizontes.
Uma terceira marca de Isaque era a determinação.  Nada o faria desistir de chegar a um veio seguro de água.  É importante também ressaltar que seu objetivo não estava em derrotar os filisteus, mas em conseguir água.  São os objetivos certos que tornam um servo de Cristo imbatível em suas conquistas.  Aqui devo apontar tanto a instrução aos Hebreus de ter sempre a Cristo como alvo (leia em Hb 12:2), quanto a advertência de que só estarão aptos para o Reino os que persistirem com determinação sem olhar para trás (vá a Lc 9:61).
É a um homem como este que o Senhor aparece e fala: não tema, porque estou com você; eu o abençoarei (em Gn 26:24).  E o texto prossegue com a atitude correta de Isaque.  Ao ver o resultado de seu trabalho (lembre de 1Co 15:58) e a promessa divina refeita, Isaque construiu um altar e invocou o nome do Senhor.  Tudo o que faço deve me conduzir à adoração (lembre também de Rm 11:36).
E o texto termina: ali armou acampamento, e seus servos cavaram outro poço (em Gn 26:25).

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

ATALAIA

O nome atalaia para nós sergipanos traz um significado todo próprio: é o principal termo que usamos em relação à praia e ao mar que temos em nossa capital, Aracaju.  Um é quase sinônimo do outro.  Mesmo com a expansão da cidade e a abertura de novos espaços com frente à imensidão do Oceano, a Atalaia guarda seu valor de referência entre nós.  E até acho que isso é bom!
Mas também como leitor da Palavra de Deus, atalaia me reporta ao chamado do profeta Ezequiel quando ele foi colocado como sentinela diante do povo de Israel que então penava do exílio babilônico (confira em Ez 3:17).
Unindo os dois conceitos, atalaia soa para mim agora como o meu desafio missionário diante da minha terra.  Parece bem claro que esta palavra é mim.  Esta é a minha tarefa como servo conclamado para a missão em terras sergipanas.
Posicionando-me como atalaia de Deus para Sergipe, posso listar pelo menos quatro atitudes que são indispensáveis e que determinarão o sucesso ou não da minha empreitada.
Um.  A atalaia é uma orla fantástica.  Como atalaia preciso me colocar também no lugar apropriado, está ali e ver (Jesus falou em olhar os campos prontos para a ceifa em Jo 4:35).
Dois. Por aquelas bandas há ainda hoje um farol significativo – e chamamos até o bairro de Farolândia.  Da mesma maneira é indispensável permanecer alerta e vigilante para que nada venha a me tomar de surpresa e estar a qualquer momento pronto para agir (atenção à advertência do apóstolo em 1Pe 5:8).
Três.  A praia é um dos principais cartões postais de nossa cidade.  Isso me diz que como atalaia devo sempre está disposto a anunciar a mensagem e o convite que o Senhor tem me dado por incumbência (imite a disposição de Pedro em João em At 4:20).
Quatro. Há neste lugar alguns cantos bem acolhedores.  Faz parte da tarefa da atalaia convocada pelo Senhor assumir a sua missão com responsabilidade, compaixão e envolvimento (este é o exemplo de Jesus deixado em Jo 13:1).
Deus tem interesse nesta terra, Ele a fez completamente rica em belezas e, sem dúvida, caprichou no mar por aqui.  Porém são as mulheres e homens deste rincão que mais estão no interesse divino.  Foi por isso que a igreja de Jesus Cristo foi posta neste lugar como verdadeira atalaia diante da geração que hoje vive em nosso Sergipe. 
Como Deus quer, assumamos estar no lugar certo; atentos; prontos para anunciar o evangelho e envolvidos com paixão missionária com o nosso povo.  Sejamos atalaias aqui.
 (Na imagem lá em cima, uma montagem com fotos antigas da Praia de Atalaia, encontrada no site da Prefeitura de Aracaju).

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

INCREMENTAI VOSSA VIDA

Tendo apre-sentado a Cristo Jesus como o modelo de vida, o apóstolo Paulo escrevendo aos cristãos filipenses instruiu a por em ação a salvação (leia Fl 2:12). 
Para começo de conversa é preciso deixar claro que hoje cremos como Paulo: o que chamamos de salvação é um conjunto de dupla característica; cada uma com o seu valor e seu fundamento.  Por um lado a salvação tem um aspecto espiritual, sobrenatural, eterno e miraculoso – este é resultado da ação graciosa e poderosa de Cristo por nós.  Por outro, há o aspecto humano, comportamental e histórico – aqui é quando me atenho em cumprir meu papel e tem a ver com minhas decisões e atitudes do dia-a-dia.
Voltemos ao texto apostólico pois creio que foi sobre este segundo aspecto que Paulo falou.  Numa tradução bem livre do texto posso ler: façam valer a pena a vida cristã que vocês levam, ou de outra forma, incrementem a qualidade da vida cristã de vocês.  E nos versos logo adiante da leitura bíblica vejo como isso é possível.
No verso 14 ele diz: façam tudo sem queixas.  A vida cristã é vivida com qualidade e exuberância quando é encarada sem murmuração, queixumes ou amarguras.  No mesmo sentido, porém em direção inversa, aos hebreus ainda é dito que qualquer raiz de amargura contamina a vida cristã e exclui o salvo da graça de Deus (confira Hb 12:15).
Ainda aos filipenses no verso 15 é requerido que haja diferenciação do mundo.  A boa existência cristã só se dá quando a luz que há no crente se faz bem destacada em oposição à vida corrompida e depravada conforme os valores mundanos.  O mesmo Paulo falou aos romanos sobre não se amoldar aos critérios do mundo que os cerca (veja Rm 12:2).
E no verso 16 está escrito: retendo firmemente a palavra da vida.  A melhor forma de incrementar a vida cristã é absorvendo a palavra divina como fundamento de toda e qualquer atitude que eu venha a tomar.  Sobre isso devo lembrar do conselho dado a Josué ainda no começo do seu ministério para reter as palavras da Lei (em Js 1:7-8).
Como bom cristão que aspiro ser, devo me esforçar por incrementar, qualificar e desenvolver a salvação que já recebi pela graça sobrenatural de Cristo.  Que sejam estes os critérios de minha vida para a glória daquele que realiza em mim tanto o querer como o acontecer.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

OLHEM O CAJUEIRO

O cajueiro que temos em nosso terreno está todo florido!  Está lindo de ver!  Tudo leva a crer que este ano teremos uma boa colheita de cajus e que o Senhor nos brindará com muitos frutos para desfrutarmos de suas bênçãos nos deliciando com o próprio fruto, sucos, sorvetes, mousses, geléias, castanhas e mais o que a criatividade aprontar.  E pelo jeito vai dar para todos comerem e ainda vai sobrar – Deus sempre faz assim!
A visão do cajueiro me trouxe a pensar nas palavras de Jesus quando alertou para observar a figueira (penso que se fosse por aqui Ele tinha apontado o nosso cajueiro).  Citado pelos evangelhos sinóticos (Mt 24:32; Mc 13:28 e Lc 21:29), o Mestre instruiu a entender que como a árvore no seu tempo próprio, a nossa existência aqui também demonstra quando o tempo está para chegar.
É claro que não vou cair na esparrela de tentar marcar data para os acontecimentos vindouros, mas olhando o cajueiro preciso cuidar de ficar atento.  E isso implica em duas posturas iniciais: a) não estar ansioso pois é certo que minhas preocupações nem só não vão mudar em nada a realidade das coisas como por vezes até impedirão minha postura de fé (veja o que Paulo disse em Fl 4:6) e b) não permanecer relaxado, ocioso ou desligado já que tais atitudes me afastam dos compromissos e atitudes cristãs (ainda Paulo em 1Co 16:13).
Voltando ao pé de caju.  A verdade é que o cajueiro não traz ou provoca a chegada do verão, mas também é certa a verdade que ele se prepara para que quando chegar o momento certo possa apresentar o melhor dos seus frutos para quem dele cuidou.  Da mesma forma, eu não provoco com minhas atitudes nem a volta de Cristo nem qualquer outro acontecimento do porvir mas devo me preparar adequadamente para quando eles chegarem.  Como fazer isso?  O próprio texto evangélico nos aponta:
No verso de Lc 21:34 leio que não devo sobrecarregar meu coração com as coisas desta vida.  Se minha prioridade é o reino que está preparado desde a fundação do mundo (palavras de Mt 25:34), então é fundamental não me distrair com outras coisas (sobre isso confira Ef 5:11 e 2Tm 2:4).
Também no verso de Lc 21:35 sou instruído a manter uma disposição de vigilância e oração.  É isto que se espera de todo cristão verdadeiro que vive na dependência exclusiva de seu Senhor e sabe que não resta mais muito tempo (veja a parábola das virgens que segue em Mt 25), ou seja, o crente que espera é o crente que vigia e ora sempre (note a ordem direta em 1Ts 5:17).
O cajueiro está florido e ele está me dizendo que o tempo está próximo.  Que eu possa viver de maneira apropriada aguardando o grande dia do Senhor.

(Na foto lá em cima uma visão do cajueiro em nosso terreno)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

IDENTIDADE

Este final de semana e aproveitando o feriadão, os adolescentes de nossa igreja estarão em um "acampandentro".  Como nossa estrutura física permite, eles vão passar dias e noites aqui convivendo e desenvolvendo vários aspectos de sua vida cristã – já estão acostumados a isso e gostamos que seja assim.
Desta vez eles escolheram como tema do encontro: IDENTIDADE, o que é bem propício, pois vivem uma fase de consolidação de suas próprias identidades.  Escolheram com texto base 2Tm 2:22 que estabelece parâmetros do que evitar e do que seguir para forjarem uma identidade cristã aprovada por Deus.
Quanto ao verso bíblico vemos logo que não é a juventude em si condenável (como também não é por si só louvável), mas que principalmente nesta fase da vida é preciso evitar as paixões, loucuras, inconstâncias e irresponsabilidades próprias do período de amadurecimento e procurar estabelecer valores perenes para a vida.  São eles: justiça, fé, amor, paz, coração puro; e isto só se consegue invocando a Deus.
É assim que se forma a identidade humana: deletando da vida valores impróprios que muitas vezes corroem nossas vidas como um vírus e agregando outros que realmente importam.
Pensando primeiramente nos nossos adolescentes aqui acampados, mas estendendo a reflexão a todo cristão que deseja estabelecer e manter sua identidade real, permita-me listar pelo menos quatro fatores que contribuem na construção da identidade do cristão.
1. Imitação – sei que muito do que sou é resultado do meio em que vivo – claro que não atribuo tudo a tais fatores.  Fui me tornando o que sou imitando.  Falo uma língua, tenho gosto pela comida, pela roupa, pela música e outros aspectos muito devido ao meio em que vivi – e como isso é marcante entre os teens!  Aos efésios leio que meu modelo maior a imitar deve ser Cristo (confira Ef 5:1).
2. Conhecimento – estabelecer uma identidade também é um processo de descobertas e conhecimentos, tanto de si mesmo quanto do mundo que me cerca.  Ampliando as descobertas da infância, este novo período sempre quer descobrir e experimentar novidades.  É o profeta Oseias quem convida a desenvolver este traço da identidade a partir do conhecimento progressivo do Senhor (leia Os 6:3 e compare ainda com Mt 22:29).
3. Interiorização – fui adquirindo minhas características básicas de identidade à medida que um conjunto importante de valores foram se moldando dentro de mim.  Passar pela adolescência é sim um caminho de construção de interiores.  Paulo aos filipenses dá uma listra bem interessante de quais valores eu devo procurar imprimir em minha mente e em minha alma (marque cada item da lista em Fl 4:8).
4. Constância – de pouca coisa vai adiantar passar por cada uma das etapas da formação da identidade se não se adquirir uma certa estabilidade e constância ao longo do caminho. Sei que nestes anos de passagens poucas coisas se mostram realmente duradouras, mas aos poucos as marcas vão sendo deixadas e a identidade se configurando.  Tiago tem uma advertência quando a instabilidade e suas consequências na vida do cristão (vá a Tg 1:6).
Que não somente nossos adolescentes, mas que cada um de nós possa estabelecer a sua verdadeira identidade como cristão para a glória daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DO SENHOR É A TERRA

Estamos chegando ao momento das decisões eleitorais.  Por opção ministerial, tenho me mantido em silêncio durante todo este processo.  Entendo e respeito os que assim não fizeram, mas repito: por vocação e opção me dediquei ao trabalho pastoral (gosto de assumir At 6:2).  Exatamente por isso, por ter me ocupado com o ministério da palavra, quero aproveitar a ocasião e olhar para a Bíblia buscando ver o que ela tem e me dizer para o dia de hoje.
Devo tomar como base o Sl 24, até por que este é um salmo de contornos bem políticos.  Observe que nele o Senhor é enfaticamente nomeado como o Rei da glória, para quem os portais devem ser abertos.
No contexto atual, contudo, o que deve chamar a minha atenção é o verso primeiro.  Enquanto muitos disputam legitimamente postos de poder (e continuo entendendo que não é este o espaço para debater o tema), Davi afirma: do Senhor é a terra...
Mas permita-me aprofundar esta compreensão a partir do próprio texto.  Inicialmente vejo que a Deus tudo pertence, pois foi Ele quem o fez (verso dois).  O Senhor tem direito de posse e mando porque foi sua voz quem fez tudo existir (vá ao início da Bíblia em Gn 1 quando o poema sagrado atribui à voz do Senhor os atos criativos).
E mais: Hb 11:3 afirma que pela fé entendemos que tudo o que existe é resultado da vontade divina; e o Sl 90:2 declara que antes que houvesse firmamento, de eternidade a eternidade tu és Deus.  Antes que qualquer outra autoridade se levantasse, o Senhor já era soberano.
Deixe-me voltar ao Rei da glória (verso oito).  Além das prerrogativas que lhe cabem pela criação, o Senhor é o forte e valente nas guerras.  Assim foi cantado por Moisés em Êx 15; e assim foi dito a Isaias em Is 43:13. 
Não há força, poder ou domínio que possa se opor ao Senhor dos exércitos.  A sua vontade é soberana e seu trono eterno.  Como cristão devo ir ainda além: reconheço que a Jesus foi dado todo poder (veja Mt 28:18) e que não há sistema, entidade ou reino que possa deter o seu agir.
Neste tempo quando dirigente e líderes humanos estão sendo escolhidos para terem a responsabilidade de conduzir a nação e os Estados brasileiros, possamos, acima de tudo, reconhecer que mais que mulheres ou homens no poder, ou mesmo que a força do voto popular: do Senhor é a terra e a Ele pertencem domínio e poder sobre o universo e a história dos povos e nações.  Então, desde já, convoco como pastor a você se unir para aclamar o Todo-poderoso como o faremos na eternidade (cante Ap 19:6-7).  Para a glória do Rei.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ADORANDO NOS SALMOS

Venham! Cantemos ao Senhor com alegria!
Aclamemos a Rocha da nossa salvação
(Salmo 95:1)
Recolhendo coisas velhas e novas no baú da ADORAÇÃO.  Com este tema estaremos trabalhando por um tempo significativo, na intenção de nos preparar como povo de Deus para que sejamos verdadeiros adoradores e Igreja comprometida – começamos na semana passada e vamos prosseguir enquanto Deus nos estiver conduzindo assim.
E como todo trabalho de reflexão e prática cristã, deveremos começar com um trabalho sério e honesto de pesquisa bíblica – e é assim que começaremos.  Inicialmente nas páginas do AT e certamente no Livro dos Salmos.  Este livro bíblico, que é na verdade uma compilação de vários cânticos e orações, constituiu-se como um Hinário do culto no Templo de Jerusalém, e como tal expressou a fé e a devoção do povo de Israel.  Nos Salmos o povo de Deus deu voz à sua certeza de que o seu Deus estava presente no templo no meio do povo (Salmo 11:4) e por isso se fazia necessário um comprometimento ético bem mais sério para qualquer um poder comparecer diante deste Deus (Salmo 15).
Dois outros aspectos também nos chamam a atenção no cântico dos Salmos: Primeiro que a adoração a Deus deve ser o brado de lamento e esperança diante de um Deus que tem tudo em suas mãos (Salmo 40); segundo que mesmo Deus em toda a sua majestosa grandiosidade ainda assim atenta para os seres humanos tratando-os com dignidade e favorecimento (Salmo 8:3-5).
Visando a adoração tirada do exemplo bíblico, vamos celebrar com os Salmos que são a voz de Deus que por nós fala mostrando-nos a verdadeira adoração.
(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

ONDE ESTÁ TEU DEUS?

Os Salmos 42 e 43 formam um conjunto que abrem a segunda parte do Saltério.  Eles dão expressão à alma do salmista que lamenta a tristeza, a carência e um sentimento de ausência de Deus – sentimento este que só tende a se alargar diante do questionamento: Onde está teu Deus? (42:3 e 10).
Esta é uma questão aterradora: diante da vida e das circunstâncias, onde está meu Deus?  Onde posso encontrá-lo?  O que aconteceu que não estou percebendo o seu agir em minha vida?  Tal questionamento feito ao salmista, muito bem pode ser aplicado à nossa vida hoje: Cadê Deus?  Veja se isto tem ficado perceptível também em sua vida, como ficou para o autor bíblico: porque não sabia onde está Deus, a alma estava sedenta (42:2); somente as lágrimas nutriam a sua vida (42:3) e a alma estava perturbada (42:5).
E tem mais.  O próprio salmista constata que a sensação de isolamento divino era uma cruel realidade mesmo em meio a uma multidão alegre que festejava (42:4).  Ele sabia que o vazio interior de Deus não pode ser preenchido por celebrações exteriores.  É por isto que o desespero só tende a crescer, é um abismo arrastando outro abismo (42:7).
Como acalentar a alma sofrida se Deus está ausente?  Onde está Deus no meio deste deserto? 
Nos Salmos está a única resposta possível a esta carência inquietante.  Por três vezes o salmista observa: ponha a sua esperança em Deus! (42:5; 11 e 43:5).  Deus está na esperança que é a irmã da fé.  Por conta disto o salmista toma a decisão definitiva: então irei ao altar de Deus (43:4).  Não importam as circunstâncias, Deus só pode ser encontrado no altar.  Quando me colocar neste lugar então encontrarei o Deus que me sacia.
Diante desta pergunta que insiste em voltar: onde está teu Deus?  volte-se para o altar pois é lá que a esperança divina renasce e o encontramos de braços abertos. 
Que assim se torne a nossa alma para a glória de Deus.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

NO JARDIM DO OLIVAL

Trago hoje em minha memória a cena de Jesus no Getsêmani.  Ali era um jardim onde os judeus haviam plantado várias oliveiras e para lá iam em busca de um lugar tranquilo a fim de orar e encontrar a paz.
Lucas conta que Jesus também tinha este costume (confira Lc 22:39).  Mas a cena em especial que os evangelistas narram com tendo acontecido pouco antes da páscoa parece se configurar de contrastes gritantes.  Na companhia de alguns dos seus discípulos mais achegados, o Mestre foi àquele lugar para se encontrar com o Pai na perspectiva da hora fatal que se aproximava.  Neste sentido, o jardim antecipava o calvário e se mostrava como um drama profundamente humano.
O contraste começa a se descortinar quando comparamos o ambiente do jardim com o estado de espírito de Jesus.  Na Bíblia a oliveira é sempre símbolo de alegria e o seu florescer a certeza de que Deus renovou sua bênção para com o seu povo.  Um bom exemplo é a história de Noé quando, ainda na arca, recebeu a pomba de volta com um ramo de oliveira e então soube que o castigo do dilúvio tinha acabado (leia em Gn 8:11).
Entre as oliveiras do jardim, o ânimo de Jesus era exatamente o oposto.  Ele disse: "minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal" (Mt 26:38).  Toda a beleza e alegria que o cercava não foram suficientes para mudar o abatimento e o desconsolo que se enraizava em sua alma.  O homem Jesus estava triste no meio daquela alegria.
Mas isso tinha um porquê.  Aquela agonia humana de Jesus era resultado de dois outros contrastes que ele vivenciava naquele instante.
O homem Jesus era a encarnação do Verbo – a segunda pessoa divina (leia Jo 1:14).  Esta afirmação implica em dizer que o Cristo na eternidade experimentara a presença íntima, a companhia que interpenetra na Trindade. Ali o homem antecipava a solidão absoluta do martírio (atente para o grito na cruz em Mt 27:46).  Este contraste atormentava Jesus.  E nem os discípulos o acompanhava (estavam dormindo com diz Mt 26:40 e 43).
Mas também o Deus-Filho era o criador da vida e a sua verdadeira essência (leia ainda Jo 1:4), e mais na eternidade ele se apresenta como o que era, o que é e o que há de vir, o Todo-poderoso (em Ap 1:8) – aquele que existe por si só.  Naquele momento a certeza da morte, da limitação, da finitude assombrava Jesus em flagrante contradição com sua essência imortal.  E ainda viu seu suor transformado em sangue (narrado por Lc 22:44).
Naquele jardim Jesus encarnou uma humanidade: amedrontada, solitária e mortal, coabitando com a sua divindade: poderosa, solidária e eterna.
Assim, trazendo em minha memória a cena de Jesus no Jardim do olival, louvo a Deus porque Ele passou por aquilo tudo por me amar e hoje a minha própria alma pode se sentir livre daquele terror.  Glória a Cristo!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

SERGIPE, MEU DESAFIO



Volto hoje mais uma vez o meu olhar para meu Estado de Sergipe, e o faço com a convicção da missão e do desafio que ele representa para a minha fé evangélica.  E o texto que devo tomar como base na reflexão desta tarefa que me apresenta são as palavras do profeta Isaías quando confessou ter recebido o Espírito do Soberano sobre si (veja Is 61:1-3).
Mas antes de refletir sobre as palavras proféticas deixe-me fazer duas observações sobre como estes versos ecoam ainda hoje.  Em Lc 4:16-21 posso ler que o próprio Jesus assumiu para si o texto de Isaías, fazendo sua a missão entregue por meio do profeta.  E como é verdade que a igreja foi posta como continuadora da missão de Cristo, então, por conseguinte não tenho como disfarçar: a missão é minha.
Outra observação é que toda semana sou lembrado destas palavras, pois a mulheres – vasos de bênçãos de nossa igreja – tomaram como lema o texto de Isaías e o repetem para que não nos esqueçamos jamais de nossa tarefa.
Tendo feitas estas considerações iniciais, eu o convido a olhar para os versos antigos como falando diretamente a mim e a você hoje:
Em primeiro lugar, o texto diz que eu tenho uma mensagem.  Foi alvo da ação poderosa de Deus em minha vida e sou testemunha pessoal daquilo que o Senhor pode fazer com alguém que se entrega a Ele.  Tudo começa por aqui.  Somente pode ser instrumento para levar a mensagem divina a outros quem já foi atingido por ela.  Ou seja, sei que agora é o tempo de proclamar as bondades de Deus que libertam e inundam de alegria o ser humano, pois é isso que tenho experimentado.
Penso que foi algo assim que impulsionou os primeiros cristãos quando, mesmo diante de desafios enormes, eles decidiram não se calar, anunciando e testemunhando as verdades das boas novas (confira a convicção de Pedro e João diante do Sinédrio em At 4:20).
O texto de Isaías refletido em minha vida também me diz que por vontade de Deus eu fui escolhido; o que implica que o Senhor me separou dentre os da minha terra e da minha geração para por sobre mim a responsabilidade de apresentar-lhes a oportunidade de aceitação da oferta cristã.  Daí, sinto-me enviado para o meio deste povo para ser o portador da mensagem de salvação.
São bem vivas as palavras à rainha Ester – e as tenho repetido com frequência – quando foi instada a tomar posição pois tinha sido colocada na posição em que se encontrava para fazer a diferença para seu povo (veja literalmente o que disse Mardoqueu em Et 4:12-14).
Também a profecia para mim confirma que fui capacitado por Deus para cumprir a missão que me foi dada.  Muito mais que aptidões pessoais, o que me dá condições de cumprir o chamado diante do meu povo e seus desafios é a certeza que junto com a vocação missionária está a capacitação espiritual que o Senhor da igreja dispensa para aqueles são comissionados.
Lembro do caso de Moisés quando foi encontrado no Monte Sinai e o próprio Deus proveu as condições e capacitações necessárias para ele enfrentar Faraó e cumprir sua missão libertando o povo (é o episódio da sarça ardente nos capítulos 4 e 5 de Êxodo).
Com esta convicção de ouvir as palavras proféticas dirigidas a mim, concluo orando para que eu e a minha igreja, por já ter experimentado a mensagem, possa sentir também o desafio e a responsabilidade da missão; e com a aptidão dada pelo próprio Espírito Santo anuncie as boas novas a Sergipe.  Para a glória do Soberano.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

MUITO BOM

Ainda estamos respirando os ares da nossa festa que aconteceu no último fim de semana.  Foi tudo muito bom: a celebração, a casa sempre cheia, música boa para o louvor, a gostosa comunhão da igreja, a presença querida de visitantes, a Palavra de Deus explanada, a decoração do ambiente, o bolo e o clima de festa!
Diante de tantos motivos para festejar, é possível até afirmar que parecia estarmos vendo um pedacinho do céu já antecipado.  Eu posso dizer com convicção: foi isso mesmo.  E, neste ânimo de festa, quero hoje refletir sobre o que a Palavra de Deus fala a sua igreja, reunindo pelo menos três grupos de verdades.
Em primeiro lugar a Bíblia fala da igreja como peregrina ou estrangeira neste mundo (veja a saudação em 1Pe 1:1).  Embora eu tenha nascido e viva, e com certo orgulho, nesta cidade, devo me lembrar que não tenho aqui morada permanente.  Estou aqui de passagem e preciso manter minha visão e aspiração no que haverá de se revelar (confira em Hb 13:14).
Um segundo grupo de verdade tem a ver com a alegria experimentada.  Paulo fala que agora eu degusto só dos primeiros frutos (leia Rm 8:23).  Mesmo que seja uma delícia, mas o que eu tenho e gozo agora é apenas uma visão turva da glória maior que vou desfrutar (compare com 1Co 13:12).
E finalmente, também é verdade que, se tudo o que tenho a vivenciar como festa cristã resume-se a esta vida, quão miserável sou! (atenção a 1Co 15:19).  Esta terra e este céu que agora vejo são passageiros; o definitivo está ainda por se mostrar (vai chegar o dia, como diz Ap 21:1).
Realmente foi muito bom celebrar a festa de nossa igreja, não tenho como negar, e seria também excelente se pudéssemos perpetuar aqueles momentos por bastante tempo (acho que foi algo parecido que Pedro e os outros discípulos sentiram no monte em Mc 9:5).  Mas com certeza nenhuma alegria, festa, beleza e até adoração do presente deve me fazer deixar de aguardar com revigorada esperança o dia que vou ouvir o Mestre me chamando: venha bendito de meu Pai (Mt 25:34).
Muito bom foi celebrar a nossa festa com a família de Deus.  Melhor será passar pelos portais eternos e chegar à casa do Pai.  Essa sim, vai ser uma festa perene para a glória dele.
(Estou devendo alguma palavra específica sobre a festa e também fotos, ainda vou postar.  Por enquanto, lá um cima, uma visão geral do culto do domingo passado)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

UMA GRANDE FESTA

Na casa de um fariseu, Jesus uma vez contou a parábola do grande banquete.  Na narração, um certo homem planejou uma grande recepção e convidou alguns chegados.  Como era costume, na hora marcada mandou seus servos anunciar o evento.  Mas o inesperado aconteceu: um a um, todos apresentaram desculpas e não compareceram.
Porém o banquete estava pronto.  Então o senhor mandou trazer novos convidados para que a casa ficasse cheia (leia toda a parábola em Lc 14:15-24).
A primeira verdade desta história é que Jesus compara o Reino de Deus a uma grande festa.  Ao contrário do que se diz por aí: a vida em Cristo é sempre uma vida festiva e alegre.  Nela não faltam motivos para celebrar (já refleti aqui sobre Rm 14:17 e veja também Sl 16:11).
Duas outras constatações posso ver na parábola.  Aparecem claramente dois tipos de convidados – e não são os que foram chamados primeiro ou por último.  Jesus os divide entre os que estão dentro e os que estão fora do banquete, não existe meio termo ou terceira opção (neste ponto Jesus é radical em Mt 12:30).  Entendendo que o Reino de Deus é uma grande festa, então estamos todos nós divididos apenas entre os que participam do Reino e celebram, com o Rei e os que por qualquer razão estão fora e estão excluídos da alegria eterna.
A outra constatação é a atualidade da narração: ela vale para hoje.  E entendendo assim, a frase do senhor da festa ainda ecoa: ainda há lugar (confira em Lc 14:22).  Isto é verdade presente.  Na grande festa que é o Reino de Deus ainda hoje há lugar. 
Vou lhe dar três razões para acreditar nisto:
a)                Ainda há lugar porque há espaço suficiente para todos.  Na cruz de Cristo há poder bastante para que todo ser humano em qualquer tempo e lugar possa ser alcançado pela graça divina e ser aceito no Reino de Deus (aqui os textos bíblicos são inúmeros, veja, por exemplo, Rm 1:16 e Jo 1:11-13).
b)                Ainda há lugar porque os servos continuam sendo enviados a convidar.  A igreja está hoje debaixo de uma missão de atrair pessoas para o Reino (tal missão é dita em resumo em Mc 16:15).
c)                Ainda há lugar porque o convite é individual.  A minha credencial só vale para mim mesmo; ninguém vai tomar o meu lugar – nem o seu (isso já havia sido dito ao profeta em Ez 18:1-4).
O Reino de Deus é uma grande festa, e neste final de semana nós do Sol Nascente temos muitos motivos para celebrar e festejar diante de Deus.  Mas o que queremos é atrair mais e mais pessoas para participar da festa conosco.  Aceite este convite: Venha para a nossa grande festa.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A FORÇA QUE VEM DA ALEGRIA

A volta do exílio e a nova vida em Jerusalém no século VII foi um momento bem marcante da história dos filhos de Israel.  Depois de vencidas as adversidades e vendo os trabalhos de reconstrução adiantados, o povo se reuniu para ouvir as palavras de Esdras e Neemias (está lá em Ne 8).  Foi um momento de grande euforia nacional com a perspectiva do novo momento, a leitura da Lei e adoração (penso que foi neste contexto que cantaram o Sl 126).
Do discurso de Neemias naquele dia uma frase sobressai: a alegria do Senhor é a vossa força (Ne 8:10).  A convicção daquele líder israelita era de que quando a alegria do Senhor toma conta de minha vida ela faz transbordar em mim força, coragem e ousadia santas.  E esta inundação da alegria que vem do alto apontada por Neemias vai provocar uma série de reações em cadeia.  Veja comigo.
ð            Na força que vem da alegria não há lugar para a tristeza, e choro e o desânimo. Porque a alegria tomou conta de toda a minha alma então eu tenho que relevar os problemas e preocupações (João fala que maior é Deus em 1Jo 3:20 e 4:4).
ð            Porque há força que vem da alegria então devo comer e beber do melhor.  Para mim hoje significa que na força da alegria espiritual eu devo somente me ocupar em cantar, celebrar, louvar e adorar ao Senhor, ou seja, me encher mais ainda de júbilo (veja o louvor de Sf 3:14-17 e a instrução de Ef 5:19).
ð            Ainda transbordando na força que vem da alegria é preciso reparti-la.  Estando cheio da alegria divina, não posso me conter e tenho que compartilhá-la com outros: divulgar as boas novas e o amor de Deus, convidar outros para se juntarem a mim nesta louvação (volte ao salmo de gratidão de Davi pela chegada da arca e veja como ele inicia convidando a dar graças ao Senhor em 1Cr 16:8-9).
Sendo tomado de ousadia pela força que vem da alegria no Senhor, que eu, e cada um dos que se sentem tomados por esta graça, possa me concentrar nos motivos de júbilo, apresentando ao Senhor o melhor do meu louvor e atraindo mais e mais pessoas para se somarem a esta adoração ao Altíssimo.  Para a glória dele.
(Lá em cima, uma visão de nosso povo celebrando a força que vem da alegria no nosso aniversário no ano passado)