Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vaivém, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar - é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo. Mas se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor. E a vida do homem está presa encantoada - erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas e braços. Dor não dói até em criancinhas e bichos, e nos doidos - não dói sem precisar de se ter razão nem conhecimento? E as pessoas não nascem sempre? Ah, medo tenho não é de ver morte, mas ver nascimento. Medo mistério. O senhor não vê? O que não é Deus, é estado de demônio. Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa existir para haver - a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo. O inferno é um sem-fim que nem se pode ver. Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele a gente tudo vendo. Se eu estou falando às flautas, o senhor me corte. Meu modo é esse. Nasci para não ter homem igual em meus gostos. O que eu invejo é sua instrução do senhor...
Texto de Guimarães Rosa do livro "Grande Sertão: Veredas". A foto lá em cima é do sertão do Piaui.
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terça-feira, 27 de julho de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Jornada Teológica - SETEBASE
O Seminário Teológico Batista Sergipano - SETEBASE, aqui em Aracaju, estará promovendo uma Jornada Teológica na próxima semana trazendo como tema ESCATOLOGIA - A Doutrinas das Últimas Coisas.
Aí vai o cartaz e o convite a todos que quiserem participar.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Teologia das $emente$
Alguns propagadores da Teologia da Prosperidade têm afirmado: “Quem planta sementes de laranja, colherá muitas laranjas. Quem semeia dinheiro colherá muito dinheiro. E quem semeia muito dinheiro colherá muitíssimo dinheiro”. Os incautos que acreditam nisso aceitam cada novo desafio dos telepregadores das $emente$. E estes, por avareza (2 Pe 2.1-3; 1 Tm 6.10), percebendo que a estratégia está funcionando, pedem valores cada vez mais altos.
Se a Teologia das $emente$ é mesmo uma lei, ela deve funcionar para todos, em qualquer lugar do planeta. E, se isso acontecesse, a miséria do mundo diminuiria drasticamente. Imagine um pobre haitiano, que tenha apenas um dólar no bolso. Digamos que ele, ao ser evangelizado, resolva semear a sua única nota e — miraculosamente — receba cem dólares. Ele, então, semeia dez dólares e, para a sua surpresa, ganha mais mil! Em pouco tempo, apesar de toda a miséria à sua volta, ele enriquecerá. Que testemunho! Tudo começou com uma única semente... Mas, e aqueles miseráveis (como o que aparece ao centro, na imagem acima) que não têm sequer um dólar para semear?
O texto de 2 Coríntios 9 tem sofrido na mão de alguns eisegetas — e não exegetas — da Teologia da Prosperidade. Segundo eles, essa passagem assevera, prioritariamente, que devemos semear dinheiro para colhermos mais dinheiro. É claro que Deus abençoa aqueles que contribuem para a sua obra. Mas o contexto imediato da aludida passagem mostra que Paulo ensinou os coríntios a contribuírem, antes de tudo, movidos por generosidade, e não por necessidade, como que desejando colher mais do que foi semeado.
Ao fazermos uma exegese da aludida passagem neotestamentária, descobrimos que a lei do “semear e colher” foi apresentada pelo apóstolo Paulo dentro de um contexto de auxílio generoso aos pobres. Nada tem que ver com desafios egoísticos para obter prosperidade, riquezas ou para comprar aeronaves, casas, carros, etc. O texto de 2 Coríntios 8.1-6 mostra que os macedônios, conquanto pobres, ofertaram do pouco que tinham para socorrer os irmãos de Jerusalém.
Quando Paulo estimulou os coríntios a serem generosos a favor dos santos de Jerusalém, era notório que eles passavam por sérias dificuldades (2 Co 9.1-5). Os apóstolos haviam solicitado a Paulo e a Barnabé que se lembrassem dos pobres (Gl 2.9,10), e eles trouxeram uma contribuição de Antioquia a Jerusalém (Rm 15.25-32). E foi nesse contexto que o tal apóstolo disse aos crentes de Corinto: “Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará” (2 Co 9.6). Ele desejava que os coríntios contribuíssem com espontaneidade e alegria, e não por causa do que receberiam em troca.
Se o que nos estimula a contribuir para a obra do Senhor é prioritariamente a generosidade, não precisamos de pressão psicológica. Entretanto, foi isso que fez, recentemente, um teólogo das $emente$ convidado para pedir uma semeadura de R$ 1.000,00, em certo programa de TV. Esse famoso “doutor” norte-americano ordenou, como se tivesse a certeza de que os telespectadores estavam hipnotizados: “Eu quero que você vá ao telefone, saia da sua cadeira, saia do seu sofá. A obediência retardada se torna uma rebelião”.
O tal “doutor”, considerado “o homem mais sábio do mundo”, mostrando o quanto está distante da sabedoria do Alto, também afirmou: “Quando você quiser algo que nunca teve, você deve fazer algo que nunca fez”. Imagine o que acontecerá se algum incauto resolver aplicar esse infeliz bordão como um princípio geral para a sua vida! Mas a Palavra do Senhor é clara quanto à primacial motivação do cristão, ao contribuir:“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2 Co 9.7).
No entanto, de modo irresponsável e deselegante, certo telepregador assembleiano (assembleiano?), em uma de suas falações, chamou de “trouxa” os irmãos que contribuem para a obra de Deus movidos prioritariamente pela generosidade, e não pelo desejo de obterem uma colheita financeira abundante. Ele, com isso, ignorou ou desprezou o ensinamento central de 2 Coríntios 9, de que a nossa contribuição para a obra do Senhor deve ser generosa, e não interesseira: “aquele que dá a semente ao que semeia, e pão para alimento, também suprirá e aumentará a vossa sementeira, e multiplicará os frutos da vossa justiça; enriquecendo-vos em tudo para toda a generosidade...” (vv.10,11).
Portanto, a Teologia das $emente$ é uma grande falácia, posto que se opõe ao princípio da generosidade. Ela estimula o crente a contribuir por causa de sua necessidade, egoisticamente, e não por generosidade altruísta. Ademais, tem sido empregada para o enriquecimento ilícito de telenganadores, os quais, usando “palavras fingidas” (2 Pe 2.3), produzem cristãos materialistas, que buscam os seus próprios interesses e ignoram as “coisas lá do alto” (Cl 3.1).
Ciro Sanches Zibordi
(Fonte: http://cirozibordi.blogspot.com)
Se a Teologia das $emente$ é mesmo uma lei, ela deve funcionar para todos, em qualquer lugar do planeta. E, se isso acontecesse, a miséria do mundo diminuiria drasticamente. Imagine um pobre haitiano, que tenha apenas um dólar no bolso. Digamos que ele, ao ser evangelizado, resolva semear a sua única nota e — miraculosamente — receba cem dólares. Ele, então, semeia dez dólares e, para a sua surpresa, ganha mais mil! Em pouco tempo, apesar de toda a miséria à sua volta, ele enriquecerá. Que testemunho! Tudo começou com uma única semente... Mas, e aqueles miseráveis (como o que aparece ao centro, na imagem acima) que não têm sequer um dólar para semear?
O texto de 2 Coríntios 9 tem sofrido na mão de alguns eisegetas — e não exegetas — da Teologia da Prosperidade. Segundo eles, essa passagem assevera, prioritariamente, que devemos semear dinheiro para colhermos mais dinheiro. É claro que Deus abençoa aqueles que contribuem para a sua obra. Mas o contexto imediato da aludida passagem mostra que Paulo ensinou os coríntios a contribuírem, antes de tudo, movidos por generosidade, e não por necessidade, como que desejando colher mais do que foi semeado.
Ao fazermos uma exegese da aludida passagem neotestamentária, descobrimos que a lei do “semear e colher” foi apresentada pelo apóstolo Paulo dentro de um contexto de auxílio generoso aos pobres. Nada tem que ver com desafios egoísticos para obter prosperidade, riquezas ou para comprar aeronaves, casas, carros, etc. O texto de 2 Coríntios 8.1-6 mostra que os macedônios, conquanto pobres, ofertaram do pouco que tinham para socorrer os irmãos de Jerusalém.
Quando Paulo estimulou os coríntios a serem generosos a favor dos santos de Jerusalém, era notório que eles passavam por sérias dificuldades (2 Co 9.1-5). Os apóstolos haviam solicitado a Paulo e a Barnabé que se lembrassem dos pobres (Gl 2.9,10), e eles trouxeram uma contribuição de Antioquia a Jerusalém (Rm 15.25-32). E foi nesse contexto que o tal apóstolo disse aos crentes de Corinto: “Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará” (2 Co 9.6). Ele desejava que os coríntios contribuíssem com espontaneidade e alegria, e não por causa do que receberiam em troca.
Se o que nos estimula a contribuir para a obra do Senhor é prioritariamente a generosidade, não precisamos de pressão psicológica. Entretanto, foi isso que fez, recentemente, um teólogo das $emente$ convidado para pedir uma semeadura de R$ 1.000,00, em certo programa de TV. Esse famoso “doutor” norte-americano ordenou, como se tivesse a certeza de que os telespectadores estavam hipnotizados: “Eu quero que você vá ao telefone, saia da sua cadeira, saia do seu sofá. A obediência retardada se torna uma rebelião”.
O tal “doutor”, considerado “o homem mais sábio do mundo”, mostrando o quanto está distante da sabedoria do Alto, também afirmou: “Quando você quiser algo que nunca teve, você deve fazer algo que nunca fez”. Imagine o que acontecerá se algum incauto resolver aplicar esse infeliz bordão como um princípio geral para a sua vida! Mas a Palavra do Senhor é clara quanto à primacial motivação do cristão, ao contribuir:“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2 Co 9.7).
No entanto, de modo irresponsável e deselegante, certo telepregador assembleiano (assembleiano?), em uma de suas falações, chamou de “trouxa” os irmãos que contribuem para a obra de Deus movidos prioritariamente pela generosidade, e não pelo desejo de obterem uma colheita financeira abundante. Ele, com isso, ignorou ou desprezou o ensinamento central de 2 Coríntios 9, de que a nossa contribuição para a obra do Senhor deve ser generosa, e não interesseira: “aquele que dá a semente ao que semeia, e pão para alimento, também suprirá e aumentará a vossa sementeira, e multiplicará os frutos da vossa justiça; enriquecendo-vos em tudo para toda a generosidade...” (vv.10,11).
Portanto, a Teologia das $emente$ é uma grande falácia, posto que se opõe ao princípio da generosidade. Ela estimula o crente a contribuir por causa de sua necessidade, egoisticamente, e não por generosidade altruísta. Ademais, tem sido empregada para o enriquecimento ilícito de telenganadores, os quais, usando “palavras fingidas” (2 Pe 2.3), produzem cristãos materialistas, que buscam os seus próprios interesses e ignoram as “coisas lá do alto” (Cl 3.1).
Ciro Sanches Zibordi
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Identidade Batista em tempos de mudança
Tendo em mente a celebração dos nossos 400 anos, transcrevo aqui um excelente texto escrito pelo Pr. Denton Lotz - então Secretário-Geral da ABM - e publicado da Revista da Aliança Batista Mundial.
IDENTIDADE BATISTA EM TEMPOS DE MUDANÇA
Há Igrejas Batistas na Rússia que são chamadas "Cristãos Evangélicos". Na Alemanha são chamadas "Igreja do Evangelho Livre". Algumas Igrejas Batistas na América do Norte são chamadas "Igrejas da Comunidade", e algumas na África são identificadas pelo nome da agência missionária que as deu origem. Em tempos de mudança, quando procuramos entrar em contato com uma cultura secular alienada, obviamente um número de Batistas em todo mundo sente que o nome "Batista" não é necessariamente essencial para comunicar nosso alvo primário que é ganhar almas para Jesus Cristo como Senhor e Salvador! No entanto, em todas as nossas missões e evangelismo nosso alvo não é fazer batistas, mas fazer cristãos!!
Mas, isto significa que não temos uma identidade ou distintivo batista? Pelo contrário, é necessário lembrar que em nossos dias a herança e a tradição Batistas nos é importante e por isso precisamos entender para comunicar a fé que proclamamos em Cristo Jesus como nosso único Senhor e Salvador!
Certamente como todos os cristãos históricos e ortodoxos, confirmamos as doutrinas básicas da Trindade, da divindade de Cristo, seu nascimento virginal, sua crucificação e ressurreição, bem como sua segunda vinda! Afirmamos com a Reforma Protestante a doutrina de "somente pela fé e pelas Escrituras, somente por Cristo e pela graça".
Então, em que os Batistas se distinguem e nos dá identidade, e que são marcadores importantes de nossa tradição em relação a outros cristãos?
1. Batismo de Crentes versus aspersão de crianças – os Batistas crêem que uma pessoa quando chega à idade adulta deve fazer uma decisão pessoal de seguir a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor. Isto não pode ser feito em nosso lugar por um parente ou pela Igreja.
2. Igreja livre versus religião estatal – os Batistas crêem que a religião não pode ser coagida ou forçada pelo Estado ou por qualquer autoridade religiosa. Com certeza este conceito de liberdade religiosa e separação da Igreja do Estado é nossa maior contribuição à história religiosa da humanidade.
3. Política congregacional versus autoritarismo episcopal – o princípio democrático de ser a congregação local a Igreja de Jesus Cristo em determinada área é um importante princípio eclesiológico dos Batistas. Os Batistas sentem que o cargo de bispo no Novo Testamento é diferente do autoritarismo dos bispos de hoje. Pela livre eleição de seus oficiais (pastores, bispos, diáconos, etc.), a Igreja local consegue sua liderança, e é crucial a participação dos leigos, homens e mulheres, na missão da Igreja.
4. Associonalismo versus relacionamento – em relação ao conceito de democracia congregacional acima descrito, há no entanto um forte entendimento histórico de que a Igreja local não está sozinha mas está ligada com outras Igrejas locais da comunidade. Mas, é na base do voluntariado, sem nenhuma autoridade de uma igreja sobre a outra. Eis aí porque nossa união é na base do princípio do voluntariado.
5. Liberdade de alma e lealdade à Bíblia versus coerção de credos e doutrinas – tendo visto a tragédia da inquisição, a queima de hereges e perseguição religiosa, os Batistas durante o período da reforma reconheceram que cada indivíduo deve fazer sua própria profissão de fé diante de Deus. Portanto, os credos podem ajudar na explicação da fé, mas não podem ser o instrumento para exclusão do universo da igreja. Em vez de credos, que são por natureza exclusivistas, os Batistas enfatizam a Bíblia, como a única autoridade em matéria de fé. A liberdade da alma pela liderança do Espírito Santo, tem sido o princípio que guia a interpretação bíblica da vida e da vitalidade na congregação. É por isto que os Batistas dizem que todos os Princípios de Fé não devem estar presos a credos, mas estes são apenas uma ajuda e devem sempre ser fiéis à Bíblia.
Outros historiadores e teólogos Batistas podem adicionar mais a nossa identidade Batista. O que foi dito aqui é apenas uma ligeira visão para ajudar os Batistas em todo o mundo a considerar a importância de nossa Eclesiologia Batista nas muitas mudanças de paradigmas e de situações nas quais devemos ministrar e fazer missões para espalhar o Reino de Cristo em nossas Igrejas locais e no mundo!
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A Ordem e a Autonomia da Igreja Local
Em decisão recente, o Conselho da Convenção Batista Brasileira ordenou que a OPBB – a Ordem dos Pastores Batista do Brasil – órgão vinculado a nossa Convenção, deveria rever seus procedimentos em relação à convocação de concílios para exame e ordenação ao ministério pastoral.
Concordo com o posicionamento do Conselho expresso pelo presidente no texto publicado em O Jornal Batista em 27/09/2009, até por que em reuniões de pastores aqui em Aracaju já havia expressado posicionamento simular. Mas o que me traz a esta reflexão é o tema de nossos princípios batistas: aquilo que expressamos como nosso padrão de fé e que historicamente, nestes 400 anos, nos trazem identidade.
A crença na regeneração exclusiva pela graça. A certeza de que cada crente em Cristo é um sacerdote individual e por isso tem acesso livre a Deus. A independência e separação entre as instituições da Igreja e do Estado. A adoção da Bíblia como Palavra de Deus e regra única estabelecida para fé e prática. Todos são princípios basilares. Nesta ralação deve entrar também a afirmação da completa autonomia da igreja local. Embora convivamos em associações e convenções as quais são não só úteis, mas extremamente importantes ao proporcionarem a união, coesão e soma de esforços na concretização de esforços mútuos para as igrejas e seus membros; é na igreja local que a fé, a vida cristã devocional, o crescimento e discipulado e comunhão dos santos acontecem – e isto é que é igreja em sua essência.
Exemplos no NT temos vários. Só para citar um que serve bem de exemplo: o Concilio de Jerusalém (a narrativa do evento e seus desdobramentos está em At 15). Mesmo tendo sido convocados líderes de lugares diversos, o texto afirma que coube a igreja local a decisão final.
Penso que além da base bíblica (pode ler Mt 18:15-19; 1Co 12:27; At 13:1; além do capítulo 15 já citado), um lógico encadeamento de doutrinas nos levam a tal compreensão. O Espírito divino foi derramado individualmente em cada homem e mulher e estes são congregados pelo mesmo Espírito em uma comunidade local para junto repartirem a sua fé no intuito de crescerem na graça e no conhecimento de Cristo Jesus. Ora se é no meio da reunião local de santos congregados que o Espírito se manifesta – daí não haver classe sacerdotal diferenciada na igreja já que sobre todos é dado um mesmo Espírito – então é também nesta comunidade local que a igreja se faz acontecer.
A igreja local está nos planos de Deus e qualquer movimento que venha de maneira exterior interferir em sua autonomia como reunião de santos que tendo sido revestidos do sacerdócio universal como crentes e por isso aptos para interpretarem fielmente a vontade divina nos questões locais e preparem-se a si mesmo para contribuir para o engrandecimento do Reino de Deus em nossa terra; qualquer interferência tem que ser realmente extirpada de nosso meio.
Termino afirmando que continuamos batistas por convicção e ainda que continuamos filiados a CBB e sua representante no Estado de Sergipe, a CBS, e que esta postura só nos deu maior convicção de nossa concordância administrativa e doutrinária. Sei que nossa Convenção também tem seus deslizes – e precisamos sempre corrigi-los – mas no geral creio que Deus tem nos conduzido no caminho certo.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
E na hora de traduzir ...
Por cerca de uma década tive a oportunidade lecionar as disciplinas de línguas bíblicas no curso teológico aqui em Aracaju. Durante este período, vários alunos me perguntavam como eu fazia o meu trabalho pessoal de tradução e como eu tratava o texto na hora de produzir ou um texto técnico-teológico ou - mais importante - como eu levava o resultado disso ao púlpito. Com isso em mente, listei uma série de dez orientações sobre como ainda hoje trato o texto bíblico em língua original e como procuro levá-lo à minhas ovelhas a cada domingo.
Assim, compartilho aqui a lista que preparei:
A – Leve o trabalho de tradução à sério, uma boa exegese depende de uma boa tradução. Dedique-se ao máximo ao seu trabalho, não o faça com pressa e nem nunca se dê por vencido diante do texto. Dependa do Espírito de Deus e se ponha a trabalhar.
B – Desconfie do lugar-comum. A voz do povo nem sempre é a voz de Deus. Respostas pré-fabricadas também não ajudam. Faça seu próprio trabalho.
C – Não despreze o trabalho dos que lhe antecederam nesta jornada. Consulte outras traduções comparando-as com as suas. Lembre-se que eles enfrentaram os mesmos problemas que você e encontraram soluções que podem lhe servir de pista. Traduções em outras línguas ajudam muito. Consulte a Vulgata, a Reina-Valera, a King James, entre outras.
D – Seja criterioso com todas as palavras. Com certeza a base semântica dos enunciados estará, na maioria das vezes, nos verbos, daí que um deslize na sua tradução truncará todo o significado do texto. Dê atenção também às pequenas palavras como preposições e conjunções, as chaves sintáticas geralmente se escondem por aí.
E – Mantenha sempre atualizados seus conhecimentos de História e da cultura em que o texto original foi escrito, elas influenciaram grandemente na produção do autógrafo e não podem ser negligenciadas no momento da tradução.
F – Observe variantes e outras informações sobre a história do próprio texto pois também são indispensáveis. Aqui vale um estudo sério e honesto de crítica bíblica interna e externa.
G – Tenha uma base sólida da teologia do texto. O autor não estava escrevendo um texto qualquer mas sim parte do que cremos ser a História da Salvação, sendo assim seus escritos devem ser considerados no seu lugar próprio dentro da história da teologia cristã.
H – Pense nos seus leitores. A sua tradução deve ser suficientemente clara para que seu povo a entenda e suficientemente profunda para que se alimente dela.
I – Seja o mais fiel possível ao original. Você está traduzindo um texto e não escrevendo um novo que seja seu. Contudo esta fidelidade deve ser acima de tudo ao espírito e ao significado, e não à letra do texto - isto é bíblico. Então tenha cuidado com expressões idiomáticas da língua original, observando para que elas continuem com espírito e significado na sua tradução.
J – Veja o que vai levar para o seu povo. É gratificante observar o trabalho de confecção teológica do texto. Mas quem senta à mesa deseja comer mais que saber sobre as receitas.
Assim, compartilho aqui a lista que preparei:
A – Leve o trabalho de tradução à sério, uma boa exegese depende de uma boa tradução. Dedique-se ao máximo ao seu trabalho, não o faça com pressa e nem nunca se dê por vencido diante do texto. Dependa do Espírito de Deus e se ponha a trabalhar.
B – Desconfie do lugar-comum. A voz do povo nem sempre é a voz de Deus. Respostas pré-fabricadas também não ajudam. Faça seu próprio trabalho.
C – Não despreze o trabalho dos que lhe antecederam nesta jornada. Consulte outras traduções comparando-as com as suas. Lembre-se que eles enfrentaram os mesmos problemas que você e encontraram soluções que podem lhe servir de pista. Traduções em outras línguas ajudam muito. Consulte a Vulgata, a Reina-Valera, a King James, entre outras.
D – Seja criterioso com todas as palavras. Com certeza a base semântica dos enunciados estará, na maioria das vezes, nos verbos, daí que um deslize na sua tradução truncará todo o significado do texto. Dê atenção também às pequenas palavras como preposições e conjunções, as chaves sintáticas geralmente se escondem por aí.
E – Mantenha sempre atualizados seus conhecimentos de História e da cultura em que o texto original foi escrito, elas influenciaram grandemente na produção do autógrafo e não podem ser negligenciadas no momento da tradução.
F – Observe variantes e outras informações sobre a história do próprio texto pois também são indispensáveis. Aqui vale um estudo sério e honesto de crítica bíblica interna e externa.
G – Tenha uma base sólida da teologia do texto. O autor não estava escrevendo um texto qualquer mas sim parte do que cremos ser a História da Salvação, sendo assim seus escritos devem ser considerados no seu lugar próprio dentro da história da teologia cristã.
H – Pense nos seus leitores. A sua tradução deve ser suficientemente clara para que seu povo a entenda e suficientemente profunda para que se alimente dela.
I – Seja o mais fiel possível ao original. Você está traduzindo um texto e não escrevendo um novo que seja seu. Contudo esta fidelidade deve ser acima de tudo ao espírito e ao significado, e não à letra do texto - isto é bíblico. Então tenha cuidado com expressões idiomáticas da língua original, observando para que elas continuem com espírito e significado na sua tradução.
J – Veja o que vai levar para o seu povo. É gratificante observar o trabalho de confecção teológica do texto. Mas quem senta à mesa deseja comer mais que saber sobre as receitas.
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