Mostrando postagens com marcador Discipulado Radical. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Discipulado Radical. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

DISCIPULADO RADICAL XXX


Pela graça do nosso Mestre, chego hoje à última reflexão sobre o Discipulado Radical proposto pelo nosso Senhor. Nos versos de Mt 7:24-27 Jesus conta a ilustração das duas casas para demonstrar o que acontecerá com quem foi levado ao discipulado por ter ouvido a Palavra exposta.

Jesus apresenta duas casas: aparentemente elas são iguais. Olhando o exterior as duas foram construídas da mesma maneira. Assim todos por igual tiveram a oportunidade de ouvir a Palavra de Cristo e ter conhecimento da verdade e até concordaram que ela é boa e agradável. A todos é lançado o convite-desafio ao discipulado.
Igual também é o que pode acontecer a todos e a qualquer um. Na comparação de Jesus ambas as casas passam por intempéries: chuva e vento vêm sobre elas. Da mesma forma, todos os que estão no discipulado estão sujeito a passar por provações e privações. Estar no discipulado não é garantia de uma vida livre de dificuldades e problemas – vêm sobre todos.
Mas aqui acabam as semelhanças. O Mestre diz que uma foi edificada sobre a rocha e outra sobre areia; por isso uma ficou firme e outra caiu! De modo semelhante é o discípulo: o que ouve a Palavra e a põe em prática está edificando sua morada-vida sobre a Rocha eterna – seja qual for a circunstância, nunca será abalada. Por outro lado o que é apenas ouvinte, tem sua morada-vida alicerçada em areia frágil, qualquer embate a coloca no chão.
Ao final destas reflexões a comparação de Jesus é um desafio a cada um dos seus discípulos. Todos já ouvimos a Palavra; sabemos o que é preciso ser feito. Se meu cristianismo não for além deste ouvir, minha vida está condenada ao fracasso e à ruína; mas se praticar sua Palavra, seguirei firme na Rocha.
Para a glória do Mestre Jesus Cristo, façamos de nossa vida concreta uma realização prática das lições do discipulado. Amém!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XXIX


Já quase chegando ao fim da apresentação de seu projeto de Discipulado Radical expresso no Sermão do Monte, Jesus interioriza até a raiz a compreensão da vida de seus discípulos. Esta foi uma das ênfases do Mestre: o reino de Deus está entre vocês (Lc 17:21), por isso é preciso que se busque e demonstre o comprometimento com Ele a partir do interior e não somente nas ações externas.
É assim que o Mestre adverte: Cuidado com os falsos profetas (Mt 7:15). Eles até falam como se fosse em nome de Deus – mas não passa de encenação – pois são lobos em pele de ovelha. Discurso cristão sem internalização dos valores do reino é traição e não discipulado!
Na mesma linha de admoestação, Jesus lembra que toda árvore só pode produzir aquilo que ela é interiormente. Não se pode disfarçar os frutos de uma árvore, pois eles demonstram o que ela verdadeiramente é. E nisto está a revelação do comprometimento maior do discipulado: frutos para o reino.
Tendo apresentado assim sua compreensão, o Mestre passa a um alerta: nem todo aquele que diz: “Senhor, Senhor”... (Mt 7:21). Da boca para fora, pode-se dizer qualquer coisa, até confessar o Senhorio de Cristo, ou realizar maravilhas e expulsar demônios. Mas Jesus é enfático: se isto não for consequência de uma vida interiormente comprometida com Cristo, seu Reino e seus valores, o final é sombrio. Então: Afastem-se...
Percebendo a radicalização interior do Mestre, devo viver minha fé e meu compromisso com o Reino de Deus não apenas em palavras, para que eu venha a ser o bendito do Pai (cito a fala do Senhor em Mt 25:34). Para a glória do Mestre Jesus Cristo.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XXVIII


Jesus sempre enriqueceu seus ensinamentos com o uso de figuras e ilustrações (já disse no estudo III que tais ilustrações mereceriam um estudo à parte). No texto de Mt 7:13-14 o Mestre usa as figuras da porta e do caminho para ilustrar as escolhas da vida e suas consequências. Nestas ilustrações Jesus apresenta então tanto o desenrolar do cotidiano quanto o destino final que aguarda o discípulo – tanto num lado como no outro. E inicialmente já é preciso ser dito que no modelo apresentado pelo Senhor não há nem uma terceira opção nem como claudicar entre as escolhas.
Primeiro há a escolha da porta larga e do caminho espaçoso. Como a própria ilustração já demonstra esta é uma opção fácil de se seguir, não se encontram maiores problemas ao longo da caminhada da vida: se pode até ser feliz e ter relativo sucesso enquanto se está ao longo do caminho! O Salmo 73 até faz uma descrição da prosperidade de quem segue esta opção, mas é levado a concluir que o fim deles será cair na destruição (Sl 73:18). Embora o caminho possa parecer agradável, contudo a porta leva a um destino aterrador.
A outra escolha possível está em uma porta estreita e um caminho apertado. Caminhando por aqui terei aflições (Jo 16:33), serei perseguido (Jo 15:20) e exigirá de mim renúncia (Mt 16:24): a cruz será por vezes pesada! Mas sabe de uma coisa? Vale a pena! Pois este caminho haverá de levar a uma porta que se abre para a vida eterna de glória, gozo e regozijo na presença de Deus-Pai.
Ao discipulado do Mestre somos todos chamados como a uma escolha: "O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência" (Dt 30:19). Duas portas agora igualmente estão abertas. Por qual farei a escolha radical?

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XXVII


Já temos aprendido que nos princípios do Sermão do Monte estão colocados os resumos de tudo aquilo que o Mestre pretendia estabelecer aos seus discípulos. E no verso de Mt 7:12 é dito explicitamente que Jesus estabelece o padrão para o relacionamento entre seus seguidores: ... pois esta é a Lei e os Profetas. Efetivamente, então, qual é o resumo do que foi dito na Lei e nos profetas?
O resumo é simples: a lei da reciprocidade. O seguidor de Jesus deve estabelecer como padrão de seus comportamentos e relacionamentos com outros fieis e com a sociedade em geral aquele tipo de atitude que gostaria de ver sendo dispensada a si mesmo. Ou seja, como eu quero ser tratado, eu devo tratar os outros. Jesus parece dizer que não há necessidade de maiores – ou mais detalhadas – regras de comportamento: se me dou valor e almejo por ser bem tratado, em todas as minhas atitudes para com os outros, esta disposição deve ser a norma.
Importante também é destacar que o Mestre aponta como responsabilidade de iniciativa o seu discípulo. Antes mesmo de saber como vão se comportar os que comigo convivem, ou que atitude tomarão ao meu respeito, é preciso assumir a iniciativa de buscar o bem que almejo ver no próximo. A vida cristã tem que ser uma vida de iniciativa e ação, e não apenas uma existência de respostas e reações.
Discípulos radicais do Mestre Jesus Cristo: o Senhor resumiu tudo o que foi dito aos antigos sobre a convivência humana como uma Lei de Reciprocidade – e isto me é imposto como condição do discipulado. Independentemente de como sou tratado, é preciso viver a iniciativa de buscar o bem que almejo na vida do próximo. Que eu viva neste padrão para a glória do Mestre.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XXVI


Continuando nosso aprendizado do Discipulado Radical proposto por Jesus, chegamos a uma das mais alentadoras promessas feitas pelo Mestre: Peçam ... busquem ... batam (Mt 7:7-12) – para que lhes sejas dado; encontrem e as portas se lhes abram. Com estas palavras, o Senhor outorga aos seus discípulos uma disponibilidade incalculável de poder e virtude na sua caminhada radical.
Ao servo de Cristo é dada a liberdade de chegar ao trono de Deus e pedir, buscar e bater. Como filho, me é dado a prerrogativa de colocar ao Pai aquilo que desejo e espero. Na oração do fiel está uma chave poderosíssima mas que deve ser usada com responsabilidade. Vejamos duas implicações:
Segundo Jo 14:14 o próprio Mestre diz: o que vocês pedirem em meu nome, eu farei. Posso realmente pedir o que está em meu coração ao Senhor, mas o segredo do sucesso da oração passa primeiro no reconhecimento que somente pelo nome poderoso de Jesus é que posso ter ousadia de dirigir minha petição ao Pai.
Lá em 1Jo 5:14 encontro o segundo segredo para o sucesso de minhas súplicas: se pedirmos alguma coisa de acordo com a vontade de Deus, ele nos ouvirá. Quando o meu pedido está em sintonia com a vontade do Pai Celeste, é promessa garantida que serei atendido.
Aos discípulos de Jesus está posta a promessa de que se pedirem, em oração, o próprio Deus – que é um Pai melhor que qualquer um aqui nesta vida – vai atender com o que tem de melhor. Cheguemos a Ele como filhos amados.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XXV


No versículo 7:6 Jesus profere uma frase que a princípio até pode parecer enigmática ou estranha: não deem o que é sagrado aos cães, nem atirem pérolas aos porcos. E observando o contexto logo anterior provavelmente soe mais estranho ainda: Quem são os cães e os porcos? Se não posso julgar, como saber a quem se refere esta passagem?
Porém quero desafiá-los a olhar o texto a partir de outro ângulo: o importante não é quem são os cães ou os porcos, e sim o que não posso lhes entregar. Jesus está apontando aqui para o verdadeiro valor daquilo que Ele mesmo me entregou. O Discipulado que o Mestre propõe é santo e vale mais que qualquer pérola: isto é o que importa, então eu devo me questionar seriamente sobre qual o valor que tenho dado à vida cristã em minha existência: seguir a Cristo é ir a busca de algo de muito valor e por isto não pode ser desperdiçado com quem não sabe honrá-lo e valorizá-lo adequadamente.
E ainda entrelaçando no contexto anterior, o texto diz que não é da minha alçada julgar ninguém e que primeiro preciso me avaliar para saber quem eu sou e o que tenho feito. Assim é que Jesus, de maneira muito contundente, me faz refletir sobre o tema: Será que tenho sido cão ou porco estando diante de tão grande bênção? Tenho dado o valor devido àquilo que o Senhor tem me posto a fazer?
Antes de pensar em porcos ou nos cães, é preciso louvar a Deus por tão abençoada oportunidade que Ele me tem concedido: possuir coisas santas que valem mais que pérolas. É preciso também aprender a me comportar de maneira digna neste discipulado para que não venha a despedaçar todo o que o Mestre tem me outorgado, e assim viver o discipulado para a Glória do Senhor.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XXIV


Chegamos ao capítulo 7 do Evangelho de Mateus – é a última etapa de nossa aprendizagem sobre o Discipulado Radical. Aqui o texto retoma o tema do relacionamento com o próximo – em especial com o meu irmão e companheiro de discipulado – abordando diretamente a questão do julgamento.
A instrução é direta: não julguem (Mt 7:1). E sobre isto é preciso compreender pelo menos duas verdades. Primeiro que não tenho o direito de emitir qualquer julgamento sobre meu próximo: isto é competência do Mestre (Lc 6:40) e somente Ele pode avaliar quem realmente sou e que valor tenho. Também é preciso ser dito que o servo é propriedade do Senhor e cabe a Ele fazer o que bem quiser (Rm 14:4).
Em segundo lugar, Jesus chama a atenção para a lei da reciprocidade: o que faço aos outros voltará a mim mesmo (Lc 6:31). Se trato os outros com amor e cuidado, assim serei tratado. Se sou áspero e duro, assim se portarão comigo. E Jesus vai mais além: Se reconheço que tenho defeitos sérios (uma trave nos olhos!) como posso querer avaliar os erros circunstanciais do meu próximo (apenas um argueiro!).
É esta atitude arrogante de julgar e avaliar o irmão, como se fosse da minha alçada poder fazer isto, que o Mestre chamou de hipocrisia – fingimento. Quem se arvora no direito de estabelecer quem é bom ou ruim, certo ou errado diante de Deus, acaba sempre se portando com um sepulcro caiado: belo e cheio de boas intenções por fora, mas morto por dentro (veja a exclamação de Jesus em Mt 23:27).
Que o Senhor me livre da atitude temerária de julgar meu irmão, transformando minhas palavras em bênçãos àqueles que me rodeiam para a glória de Deus.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XXIII


No texto de Mt 6:33 há uma palavra que vai merecer de nosso estudo de Discipulado Radical um destaque especial: Justiça. Jesus instrui a buscar seu Reino e também a sua justiça. Para compreender melhor as implicações da justiça divina em minha vida, quero me reportar a três exemplos bíblicos.
Moisés é o primeiro destes personagens. Observe que ainda jovem, ele buscou libertar seu povo, mas o tentou fazer com as próprias mãos – justiça própria (Ex 2:11-14) – este foi o princípio de seu fracasso. Já velho foi levado a reconhecer que foi por méritos divinos que a libertação foi alcançada (Dt 9:4-6).
Um outro é Jó: um personagem bíblico que é bem peculiar na história do AT. Embora tendo sido avaliado por Satanás sob a permissão divina (veja Jó 1:6-12) e depois de muita prova, logrado êxito; Jó se achou no direito de advogar sua própria justiça diante de Deus (Jó 27:6 – ainda precisava realmente ser provado!). Somente depois de questionado pelo próprio Deus (Jó 35:2) é que Jó abdicou de sua justiça própria em detrimento da divina (Jó 42:6).
No NT Jesus conta que um fariseu e um publicano foram ao templo para orar (Lc 18:9-14). O primeiro, cheio de justiça própria, voltou vazio. O segundo, humilde confiante na justiça divina, foi ouvido em suas preces.
O Mestre requer de cada um a busca da justiça divina, isto impõe abrir mão de minha própria justiça, de meus direitos e me submeter à vontade e justiça do Senhor reconhecendo que Justo é o Senhor, em todos os seus caminhos, benigno em todas as suas obras (Sl. 145:17).

segunda-feira, 27 de julho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XXII


Na reflexão anterior, o Senhor desafiou a buscar o seu Reino em primeiro lugar, e como parte deste projeto de Discipulado Radical, gostaria hoje de compartilhar com vocês algumas lições práticas que aprendi ainda bem menino sobre as implicações desta busca. É claro que elas não esgotam o tema, mas oro para que sirvam de lição para o povo de Deus.
Positivamente: Devo dar a Deus o melhor de mim. Isto significa, de maneira bem prática, que o melhor da minha postura deve ser dedicada a Deus – aqui inclui a escolha de minhas vestes: a melhor roupa que tenho eu sempre vou usá-la em primeiro lugar para o culto a Deus. O melhor dos meus bens – no momento de ofertar as melhores cédulas que tenho no bolso serão as que colocarei no altar. O melhor dos meus recursos materiais e eletrônicos – o que tenho de mais valioso e sofisticado tenho que colocar à disposição do projeto de expansão do Reino de Deus e para sua adoração.
Negativamente: Não devo deixar para Deus apenas as sobras de mim. Mais uma vez de maneira prática, não posso deixar para Deus apenas o que sobre do meu tempo – na minha agenda diária, o que primeiro devo fazer é buscar a Deus. Não posso deixar para Deus apenas as sobras da minha capacidade intelectual – a prioridade da minha inteligência e das minhas idéias têm que ser dedicadas ao Senhor. Não posso deixar para Deus apenas as sobras da minha alegria de viver – ainda que em meio às aflições deste tempo presente, tenho que dedicar meu maior impulso vital e disposição pela vida ao serviço do Mestre.
Estes são alguns dos itens que constam da minha lista de prioridades em relação ao Reino de Deus. Faça também sua lista de prioridades para que de maneira bem prática e concreta o Reino de Deus possa ser prioridade em sua vida – compartilhe esta lista. Certamente o Senhor o abençoará.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XXI


Em meio à argumentação sobre a ansiosa solicitude pela vida terrena Mateus cita uma frase que se tornou bastante conhecida de todo crente: Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus... (Mt 6:33), e exatamente por ser bastante conhecida, muitas vezes passam desapercebidas algumas verdades que precisam ser salientadas minuciosamente.
A primeira destas verdades é sobre a essência do Reino de Deus. O Reino significa o domínio e o controle absoluto que o Senhor Deus em Cristo tem sobre toda a obra criada em geral e onde a sua vontade e Palavra são seguidas em particular. É onde se reconhece que tudo está sujeito à vontade divina (veja 1Co 15:27s e Ef 1:22). Neste sentido a igreja já é a manifestação presente do Reino que haverá de vir em glória.
O segundo destaque diz respeito ao imperativo: Busquem. Isto é mais que um sonho ou projeto, a ordem é para se ansiar, desejar (dito de forma poética em Sl 42:1) e também para tomar uma atitude, trabalhar, fazer acontecer o Reino de Deus (leia uma instrução clara do apóstolo em Cl 3:1-2).
E o texto também estabelece prioridade: em primeiro lugar. Antes que qualquer outra coisa – e até mesmo minha própria vida e sustento de minha família – o discípulo radical tem que está envolvido do projeto do Reino de Deus. É fundamental deixar tudo o mais para segundo plano quando estão em questão os valores do Reino. A simples sugestão da possibilidade da falta de prioridade já torna o discípulo inapto para o Reino (confirme em Lc 9:62).
Só então poderei trazer para o discipulado a promessa: ... e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Assim se faz discípulos para a glória do Mestre.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

DISCIPULADO RADICAL XX


Como parte de seu projeto de Discipulado Radical Jesus aborda o tema da ansiosa solicitude pela vida terrena (Mt 6:25-34). O Mestre que havia interiorizado a Lei divina e levado seus discípulos a uma intimidade com o Senhor no quarto fechado, agora apresenta a não preocupação com esta vida como sendo uma disposição interior necessária ao discipulado.
Aqui há uma ordem direta: Não se preocupem... (Mt 6:25). Para ser discípulo de Cristo é necessário me ocupar com aquilo que é realmente importante e que não me preocupe com a minha própria existência aqui na terra. Até parece simples: “Entregue o seu caminho ao Senhor” (Sl 37:5). Todo o meu sustento e cuidado devem ser colocados nas mãos de Deus; e, estando lá, não há motivos para ainda alimentar qualquer ansiedade – é uma questão de obediência e fé.
Isto só é possível porque confio que Deus supre todas as minhas necessidades. E Jesus apresenta exemplos: olhem as aves... olhem os lírios... (nos versos 26 e 28). Ainda é uma questão de obediência e fé, pois não há nada que eu possa fazer senão confiar que Ele providencia meu sustento enquanto eu durmo (veja a beleza do Sl 127:2).
E Jesus conclui me desafiando: Basta cada dia seu próprio mal (v. 34). Eu tenho que viver meu discipulado hoje de maneira intensa e significativa, sem me ocupar com o amanhã, pois Deus já o tem providenciado para mim – obediência e fé na graça que tudo faz: “Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para agir e coloquem toda a esperança na graça que lhes dada quando Jesus Cristo for revelado” (1Pe 1:13). Vivamos descansados na graça de Deus.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

DISCIPULADO RADICAL XIX


Voltando ainda os olhos ao estudo sobre a proposta de Jesus para um Discipulado Radical que encontro no Sermão do Monte, quero trazer ao estudo apenas um verso: Ninguém pode servir a dois senhores... (Mt 6:24). E é bom começar já chamando a atenção para o pronome de negação: Ninguém. O que Jesus tem a dizer inclui todo ser humano, vale para qualquer um e para todos, independente de qual seja a situação: ninguém está excluído da argumentação do Mestre.
Observo mais: quando Jesus diz que não se pode servir a dois senhores, ele está dizendo que há um real conflito de interesses entre os postulantes ao senhorio humano e que por isto quem se volta para um lado necessariamente exclui o outro de sua vida (veja Mt 12:30).
Também entendo que o Mestre fala em amor e dedicação. Com isso Jesus está dizendo que na vida do discípulo deve haver amor verdadeiro pelo seu senhor e também dedicação, empenho voluntário, serviço e devoção (vá a 1Jo 5:3).
E Jesus apresenta um exemplo claríssimo da incoerência entre os dois senhores: servir a Deus ou servir às riquezas! Há verdades, objetivos e valores nas riquezas – personificação do reino das trevas deste tempo presente – que são incompatíveis com os valores do Reino de Deus. O discípulo não pode viver buscando riquezas e bens nesta terra pois elas sempre nos fazem desviar do foco principal de nosso discipulado (compare ainda Cl 1:13 e 1Tm 6:10).
Por ter sido gloriosamente alçado à condição de discípulo, devo me dispor inteiramente a viver sob a tutela, amor e serviço do único e verdadeiro Senhor de minha vida, para a glória de Deus Pai. Amém.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XVIII


Os olhos são a candeia do corpo (Mt 6:22). Com esta afirmação Jesus introduz um novo enfoque no projeto de Discipulado Radical: os olhos. E como início de abordagem sobre este tema já posso afirmar que, para o Mestre, os olhos – aqui talvez mais num sentido físico mesmo mas com implicações espirituais – são mais que simples reflexos da alma; são janelas que podem arejar ou aprisionar a alma.
Como janelas, os olhos demonstram claramente de que modo eu vejo! Meus olhos podem ver com maldade – enxergando maldosamente a todos os que me rodeiam (acompanhe a descrição medonha em Rm 1:28-32 e a advertência de Pv 3:29). Também podem ver com cobiça – desejando o que não deve me pertencer (2Pe 2:17-19 aborda esta perspectiva). Ou ainda podem ver com julgamento – me tornando um crítico do meu semelhante (o alerta pode ser visto em Rm 14:4). É com esta visão que meus olhos tornam-se grades que prendem a alma – trevas tremendas! (Mt 6:23).
De outro lado, os meus olhos podem ver diferentemente. Meus olhos podem ver com bondade – oferecendo um voto de confiança àqueles que me rodeiam (Rm 12:10 é um desafio). Também podem ver com doação – oferecendo-me ao próximo (o mandamento de Jesus pode ser lido em Jo 15:17). Ou ainda podem ver com compaixão – acolhendo com carinho e cuidado (leia ainda 1Pe 1:22). Assim meus olhos se tornam janelas abertas para a alma que podem trazer renovo e luz.
A candeia que são os meus olhos deve ser instrumento para o discipulado radical. Que eles possam arejar e irradiar luz e vida para dentro e para fora da minha alma. Para glória do Senhor.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XVII


Vamos continuar seguindo as lições na sequência apresentada por Mateus. Depois de apresentar os ensinos de Jesus Cristo sobre a intimidade do discípulo com o Mestre na oração e no jejum, o Senhor passa a abordar o tema do tesouro a ser buscado e preservado pelo discípulo (Mt 6:19-21).
Jesus fala que há tesouros na terra (v. 19) e tesouros nos céus (v. 20) e que eles são completamente diferentes um do outro – embora um dispute a primazia com o outro. Como entender isto que o próprio Mestre ensina? Os tesouros da terra são perecíveis, transitórios e podem ser roubados. Os tesouros dos céus são duradouros e ninguém pode tirá-los de quem os possua.
Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração (v. 21). Esta é a chave para compreender as reais implicações do que Cristo quis dizer. (1) O meu tesouro consiste naquilo que é realmente importante e pelo qual estou disposto a gastar a minha vida. (2) O meu tesouro é o que merece e precisa ser juntado e guardado e pelo qual eu abdico de tudo o mais. (3) O meu tesouro é o que eu avalio como importante para deixar à posteridade e por isto nele coloco minha esperança – nele está meu coração, o centro de minhas prioridades, emoções e existência. Por isto é fundamental colocar o coração em tesouros que sejam perenes.
Como discípulos do Mestre Jesus, sou desafiado a colocar o meu coração em tesouros que o próprio Cristo guarda e preserva nos céus para sua glória.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XVI


Ainda seguindo a oração como atitude espiritual do discípulo, Jesus apresenta o tema do jejum: tendo buscado – e encontrado – a Deus através da oração, a disciplina cristã natural e seguinte e se desenvolver é o jejum. “Quando jejuarem...” (Mt 6:16-18), esta constatação do Mestre vai apontar a algumas implicações sobre esta prática religiosa.
A primeira observação é sobre o fato de não haver uma ordem sobre a prática ou não do jejum: o Mestre não manda jejuar, mas constata que isto deve ser prática usual. Ou seja, para Jesus o jejum é uma renúncia voluntária daquilo que me é importante e necessário. Não sendo obrigado, com o jejum eu me predisponho voluntariamente a renunciar direitos e regalias em prol do discipulado.
Jesus também faz uma relação óbvia e direta entre o jejum e a piedade pessoal. Para o Senhor o jejum é uma atitude individual e tem que ser tratada na mesma intimidade da oração – dentro do quarto – pois é lá que ele produz os seus efeitos: “arrume o cabelo e lave o rosto”, ou seja, não deixe nem por descuido que os outros percebam que você está jejuando.
Ainda é importante destacar que o jejum proposto por Jesus Cristo não tem por objetivo mudar ou mover Deus dos seus propósitos. No jejum bíblico quem é tocado, influenciado e mudado é o discípulo. Deus sempre permanece o mesmo, o discípulo fiel é que se fortalece na prática piedosa do jejum cristão.
O Mestre indica e ordena aos seus discípulos que é necessário haver intimidade com Deus, junto com a oração no quarto fechado, o jejum estimula e produz esta intimidade. Que eu viva esta bênção que o Senhor me oferece para sua exclusiva glória.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XV


Logo em continuidade à Oração do Pai-Nosso – e de certo modo abrindo um parêntesis – Jesus amplia a questão da reciprocidade do perdão: “... se perdoarem uns aos outros” (Mt 6:14-15). Em primeiro lugar é preciso reafirmar o que foi dito na última reflexão: Não é que o Mestre condiciona um ao outro: o perdão divino é gratuito.
E este é exatamente o ponto de partida para toda a reflexão sobre o perdão. Paulo diz que por merecimento deveria receber a morte mas, de graça, me foi dado o perdão (Rm 8:23). A essência da mensagem cristã é a graça imerecida que foi outorgada por Deus em Cristo Jesus. Isto traz duas implicações básicas: primeiro que não há nada que esteja fora do alcance da ação perdoadora de Cristo e segundo que não há como falar em retribuição ou pagamento de natureza alguma no perdão divino.
A aceitação – pela fé – deste perdão incondicional e não merecido nos apresenta o outro ponto da reflexão: Jesus disse para dar de graça o que de graça recebo (Mt 10:8). Esta é a reciprocidade que o texto fala. Há uma implicação necessária ao discipulado radical que é a extensão do perdão recebido. Não mereço ser perdoado, mas Cristo de graça apagou minha dívida diante de Deus. É baseado neste perdão – e como resposta de gratidão a ele – que devo oferecer também, de graça, o perdão ao meu irmão. Esta é a verdadeira reciprocidade do discípulo de Cristo.
Jesus diz que o Pai Celeste tem perdão para outorgar de graça, mas exige que eu, como retribuição, também de graça perdoe. Isto é discipulado, não opção! E só assim poderei desfrutar toda a extensão das bênçãos advindas do perdão do Mestre.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XIV


A Oração do Pai-Nosso, ou Oração Dominical (Mt 6:9-13), não é apenas uma das mais conhecidas passagens da piedade ensinada pelo Mestre aos seus discípulos, é também um modelo de devoção para ser aprendida, repetida e experimentada na vida diária do discipulado. Com certeza a riqueza das palavras de Jesus são inestimáveis e delas quero tirar algumas lições, olhando-as como em paralelo.
A Oração é dirigida ao Pai. Esta invocação expressa intimidade e amor filial do discípulo que ora em relação ao Deus que recebe a oração. É um Deus Todo-Poderoso que habita os céus em sua glória. Paralelamente Jesus ensina a suplicar para que venha o Reino: melhor do que me levar até onde Deus está, devo pedir que o próprio Senhor venha com seu Reino e domínio sobre a minha vida e existência.
O segundo paralelismo é entre o perdão que espero receber pelos meus próprios pecados (dívidas) e aquele que eu ofereço aos meus semelhantes. Não é que o Mestre condiciona um ao outro: o perdão divino é gratuito. Mas aqui mais uma vez está demonstrada a lei da reciprocidade tão cara ao discipulado: se espero – e preciso – receber o perdão pela minha dívida contraída para com Deus, tenho que estar disposto a perdoar na mesma medida aqueles que me têm ofendido.
Um último paralelo a se destacar é sobre o maligno: ele está à espreita me tentando e corro sempre o risco de sucumbir, por isso preciso da ajuda divina para vencer a tentação. Ao lado desta segurança no momento da tentação, preciso que o próprio maligno seja afastado de minha vida com sua influência negativa.
Assim posso concluir minha oração como o brado de exaltação: Pois teu é o reino, o poder, e a glória para sempre. Amém!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XIII


Instruindo seus discípulos sobre as disciplinas da vida cristã, Jesus apresentou o tema da oração (Mt 6:5-8). Para o Mestre, muito mais que o cumprimento de rituais religiosos, públicos ou particulares, a oração é um diferencial indispensável para o discipulado. E Jesus começa retomando a mesma ênfase da ação cristã: não é para ser usada como vitrine da fé! O que se faz para ser visto pelos homens não é feito para agradar a Deus – logo realmente não o agradará.
Sigamos com duas instruções claras de Cristo: primeiro, a oração do discípulo é reflexo da intimidade filial com Deus: “vá para o seu quarto...” (Mt 6:6). É claro que Jesus não nega a realidade do culto e da oração comunitária, mas quer dar ênfase à oração particular, íntima, que deve ser a base da vida cristã. Quem quer se encontrar com Deus, deve deixar o mundo – nem que seja por alguns momentos – e buscar se derramar lá onde ninguém sabe que você o está buscando. Lá nesta intimidade do quarto fechado não há liturgias pré-fixadas ou tradições a serem observadas; é onde o vento do Espírito sopra como quer, sem impedimento algum, e a alma faminta é saciada com toda sorte de bênçãos espirituais.
Em segundo lugar Jesus recrimina a repetição vã das palavras de oração. Também aqui Ele não nega a insistência em suplicar diante de Deus, pelo contrário, Jesus sempre incentivou o clamor. O que o Mestre afirma é que a verdadeira oração do discípulo é espontânea e sincera.
Jesus ainda diz: seu pai o recompensará (é o final do mesmo verso 6:6). Esta é a promessa para o discípulo que desfruta da realidade da oração no quarto fechado. O Pai que vê em secreto atende, restaura a vida e cumpre todas as suas promessas. Vivamos uma vida de oração desta natureza, para a glória do Senhor.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XII


Jesus apresentou no Sermão da Montanha o seu projeto de Discipulado Radical. Na primeira parte (Mt 5) estão descritas as características dos bem-aventurados discípulos e qual a interpretação que o próprio Mestre dá à lei e ao Mandamento antigo. Chegando ao capítulo 6, Mateus apresenta as novas considerações das atitudes religiosas requeridas do discipulado – são as disciplinas espirituais necessárias para a vida cristã segundo o modelo de Jesus Cristo: boas obras, orações e jejuns estão neste plano.
Deixe-me seguir o plano do evangelista e começar com a prática das boas obras. Considerando as palavras de Tiago (2:14-26), posso definir obras como sendo a face visível e concreta de tudo aquilo que reconheço como fé em Deus. Ou seja, a fé que Deus faz acontecer em meu interior produz ações e reações exteriores em todos os aspectos de minha vida: isto são obras cristãs.
O Mestre chama atenção para dois aspectos destas obras cristãs: em primeiro lugar questiona: De quem espero receber o galardão pelas minhas obras? Se espero respostas humanas (dos outros e minha própria) pelas minhas obras, elas não podem ser consideradas cristãs – não são frutos do discipulado radical!
Depois Jesus fala da naturalidade que deve revestir as obras cristãs. Não deve haver premeditação ou excepcionalidade nas obras cristãs. As obras cristãs têm de ser de tal forma natural em minha vida que eu faça o que tenho de fazer como cristão e discípulo radical sem que isto seja um peso.
Voltando a Tiago, ele fala que a fé sem obras é morta (Tg 2:17). Sendo um discípulo radical, minha vida cristã tem que ser encarada naturalmente, para ser vista pelo Mestre e somente dele esperar respostas e recompensas, pois a glória pertence a Cristo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XI


Chegamos aqui à última interpretação que Jesus faz da Lei dada aos antigos. E o Mestre vai abordar o tema que será o principal na sua pregação: o amor (Mt 5:43-48). Aos antigos foi ordenados amar o próximo, mas também foi autorizado aborrecer os inimigos. Jesus agora expande a amplitude da Lei exigindo do discípulo que ame até os inimigos: amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem (Mt 5:44).
Sobre este tema Jesus apresenta quatro pontos (a lista está nos versos 45 a 47): I – para que me torne filho de Deus é preciso desenvolver um amor incondicional a todos os seres humanos. II – Deus, o Pai dá sol e chuva sobre maus e bons, Ele não faz acepção de pessoas. III – amar somente os amigos não apresenta discipulado alguns, até os pecadores fazem isto. IV – a ordem do discipulado requer que o seguidor de Cristo seja perfeito na mesma medida do Pai celestial.
Assim todos estes pontos têm que se tornar parte do discipulado radical. Amar é obrigação e necessidade imprescindível do discípulo: como Deus é perfeito, ele exige perfeição dos seus seguidores, e isto tem que ser demonstrado na vivência diária, principalmente no trato com aqueles que se interpõem em meu caminho como meu inimigo. Não tenho o direito de escolher quem vou amar: amigos ou inimigos, bons ou maus, todos têm que ser alvo do amor cristão verdadeiro.
Como discípulo que já vivo sob a nova Lei em Cristo Jesus, garantida pelo sangue da Nova Aliança derramado na cruz, que eu viva este amor incondicional. Para que faça parte da família de Deus e para a glória eterna do Pai.