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sexta-feira, 16 de abril de 2010

EU MATEI JESUS


Mesmo já tendo passado o momento das celebrações da Páscoa, volto a refletir sobre o tema da cruz.  O que me trouxe volta hoje a ele foram as palavras do apóstolo Pedro em seu discurso na manhã do Pentecostes: "Este homem, vocês o mataram, pregando-o na cruz" (leia todo o discurso em At 2 – a citação é do verso 23).
A acusação é forte e desafiadora (mesmo tendo em vista a Ceia memorial)!  As palavras proferidas há cerca de dois mil anos ainda soam como uma sentença inapelável e de uma crua realidade: não foram os judeus, nem foram os romanos, eu matei Jesus! 
Com este peso na alma é que me volto às páginas sagradas para ser confrontado com a certeza de que sou um pecador.  Não somente por que sou herdeiro do pecado original (como disse Paulo em Rm 5:12), ou por que viva entre pecadores (como se sentiu Isaías em Is 6:5).  Sou pecador por que eu pequei contra os céus e contra Deus (veja a ênfase na primeira pessoa na confissão do filho pródigo em Lc 15:21).  É por isso que eu matei Jesus.  Foi meu pecado que o levou ao madeiro e por minhas culpas eternas foi sentenciado.
É claro que não posso deixar de falar sobre o amor de Cristo que escolheu assumir a minha culpa de sangue livrando-me da condenação.  Mas isso só torna mais relevante a minha sentença de que levei aquele santo à crucificação.
E tem mais.  O autor aos Hebreus me acusa mais ainda de que torno a cravar Jesus na cruz quando me enlameio e me envolvo em pecados.  Sou novamente réu cada vez que desprezo a graça e me entrego ao pecado sujeitando-o a vergonha pública pelas minhas faltas e pecados (leia com cuidado Hb 6:4-6).
Contudo, glória ao Senhor que a história não acaba com a acusação apostólica.  Embora o pecado tenha sido real e tenha efetivamente provocado o Gólgota, mas Deus com isso provou que seu amor é maior que minha culpa, livrando-me dela e resgatando-me da morte (veja o tamanho da graça em Rm 5:8-11).
Diante desta acusação que pesa sobre mim e grata constatação de que mesmo tendo abundado em pecado, superabundou a graça (expressão de Paulo em Rm 5:20), que devo fazer?  Leio na Bíblia duas respostas: a primeira vem do sábio que diz para assumir diante de Deus o pecado – confissão – e abandonar esta atitude – arrependimento (em Pv 28:13); e a segunda sobre glorificar a Deus porque, apesar do pecado, em todos as coisas somos mais que vencedores e isto somente por meio daquele que nos amou (em Rm 8:37).  Vivamos para sua glória!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eventos Pascais em Sol Nascente


Os eventos pascais e as celebrações aqui em nossa igreja me deixaram fora do mundo virtual.  É claro que isso foi muito bom.  O mundo real - o que importa de verdade - me ocupou e me colocou em um feliz e saudável contato com o povo.
A Vigília da Cruz foi uma bênção, nosso povo veio vigiar e orar e passamos o dia na presença do Senhor.  No domingo da ressurreição nos reunimos novamente às seis da manhã para um culto em ações de graças pela nova vida que vem de Jesus.  Como foi bom celebrar junto com o povo de Deus!
Aqui estão algumas fotos destes momentos:

sexta-feira, 19 de março de 2010

EU SOU O PÃO

A Ceia do Senhor é um momento sublime na vida e na liturgia da igreja.  É quando trazemos à lembrança e fazemos aflorar tudo o que de mais significativo temos em nossa vivência e em nossa fé.  Em nossos cultos a Ceia é apresentada na Mesa do Senhor em dois elementos: o pão que simboliza o corpo de Cristo e o vinho que aponta ao sangue (veja explicado didaticamente em 1Co 11:23-26).  Assim quis o próprio Cristo.
Quando o Mestre fez associar na memória dos discípulos o pão com a sua própria carne e o vinho com seu sangue, mais que uma ligação aleatória ou simplesmente simbólica, Ele evocou lembranças profundas dos seus.  Sei que na Ceia deve haver pontos de reinterpetação dos elementos pascoais; porém com certeza o que Jesus trouxe à memória apostólica naquela celebração foi sua apresentação como o Pão enviado por Deus para saciar a fome humana (tenha em mente Jo 6:51).
Hoje, quando celebramos a Ceia do Senhor, Jesus continua se apresentando como o Pão Vivo que desceu do céu e nos alimenta, sacia, nos torna plenos e satisfeitos. 
Como pão, Ele nos alimenta com sua paz (marque Jo 14:27).  Num mundo onde a paz está na ordem do dia, mas que nunca a encontra por completo, Jesus nos inunda com a sua paz.  Quando comemos deste pão somos lembrados da verdadeira paz do Senhor que excede todo entendimento (Paulo usou esta expressão em Fl 4:7).
Comungando do pão na Ceia, também nos lembramos que fomos repletos do amor inigualável e consequente (é fundamental Jo 13:1).  É claro que não há amor como este e somos tomados por ele de maneira graciosa.  A memória que é evocada no comer do pão faz-nos repletos deste amor doado (ainda são de Jesus as palavras de Jo 15:13).
Duas outras lembranças devem ser destacadas enquanto se come do pão na mesa do Senhor – talvez elas sejam menos tangíveis e, assim por isso mesmo mais poéticas e belas.  O Pão de Deus nos sacia de vida (considere Jo 10:28).  Não é só vida eterna num sentido temporal – isto é muito pouco – somos saciados de vida plena, completa.  Quando comemos deste pão devemos nos lembrar que em Cristo nos tornamos cheios de vida (considere como promessa cumprida e celebrada no pão o que é dito em Jo 10:10).
O Pão Vivo que de maneira memorial comemos na Ceia também nos faz cheios, repletos, saciados da divindade (está claro o que é dito em Jo 12:45).  Toda alma humana precisa do inefável, do algo mais, para se saber realizada, satisfeita, plena: Jesus nos deu esta oportunidade ao apresentar o Pai e outorgar o Espírito (note Jo 14:9 e 20:22).  Comendo deste pão minha mente e alma têm que ser levadas a adorar àquele que se fez carne para que contemplássemos a glória divina (como é lindo Jo 1:14!).
Hoje, quando celebramos a Ceia do Senhor e trazemos à memória o Pão da Vida, principalmente tão próximo da celebração da Páscoa Cristã (maior evento de nosso calendário), devemos comê-lo como quem celebra a alma plena e saciada de paz, amor e vida; satisfeitos por estar na presença do Eterno.
Que comamos deste pão pascal louvando a Deus por ter nos dado tal privilégio.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

DA PÁSCOA DOS FILHOS DE ISRAEL


A celebração da Festa da Páscoa entre os filhos de Israel é o ponto alto de seu calendário litúrgico e também o mais significativo evento de demonstração da fé nacional e pessoal. É uma cerimônia familiar revestida de uma mistura de lembranças, esperanças, celebração, nostalgias, sensações, ditos, profecias, liturgias sagradas e simbolismos ocultos e revelados. É normalmente celebrada entre canções, orações, comida, poesia, companhia, fraternidade, aconchego, leituras e recitações de textos e frases sagradas.
Alguns elementos contidos na Páscoa dos filhos de Israel não foram introduzidos nas celebrações cristãs, mas mesmo assim podem trazer lições que fortalecem nossa fé, culto e esperança ainda hoje.
O texto de Ex 12 que narra como o próprio Senhor instituiu a Páscoa naquele momento de saída – passagem – do Egito nos apresenta pelo menos dois destes elementos: quanto ao conteúdo e quanto à forma.
Quanto ao conteúdo: a festa deveria ser comida acompanhada de ervas amargas (Ex 12:8). Em meio à comida e bebida – símbolos de alegria – as ervas ali presente deveriam manter viva a lembrança dos anos amargos vividos no Egito e que se findaram no êxodo.
Hoje, como um fel em nossa boca, devemos ainda lembrar o tempo em que fomos escravos pelo pecado e como isso nos foi amargo para que a alegria da libertação oferecida por Cristo Jesus possa sempre ser evidenciada em nossas celebrações e para que nunca mais sequer uma nuvem de saudade pese sobre nossa nova vida cristã.
Já quanto à forma da celebração, a instrução era para que comesse prontos para sair (Ex 12:11): o cajado na mão, o cinto no lombo e comendo com pressa. Esta forma de comer deveria sempre lembrar aos filhos de Israel que já havia chegado o momento de Deus interferir e agir na história deles e que o povo deveria está preparado para ir com o Senhor para a terra prometida.
O sentido de pressa também tem que estar presente no modo de viver e celebrar nossa vida e fé. Agora é o tempo de Deus intervir e agir em nossa história e devemos estar em prontidão e em condição de participar desta ação miraculosa do Senhor. Ele tem demonstrado que está intervindo em favor do seu povo e devemos celebrá-lo prontos para a jornada.
Que o Senhor nos faça celebrar como os antigos filhos de Israel.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A FESTA DA PÁSCOA


Um dia destes em uma entrevista a um jornal local eu afirmei que a Festa da Páscoa é a mais importante de todo o calendário da igreja. E é verdade, quem convive comigo sabe que sempre repito: as celebrações pascoais devem ser consideradas como as mais marcantes e fundamentais de todo o calendário cristão.
Para entendermos as implicações desta afirmação, vamos buscar a crença da igreja primitiva fazendo uma leitura em dois textos paulinos.
Escrevendo aos cristãos de Corinto, o apóstolo Paulo declara que a ressurreição de Cristo está na base de nossa fé. Todo o nosso sistema de doutrinas e regras de práticas só faz sentido se o túmulo estiver vazio. Se esta verdade for reduzida a um mito, despindo-o de realidade histórica e espiritual, nossos pecados ainda estão a nos condenar – assim estamos perdidos – e somos os mais dignos de compaixão (leia 1Co 15:17-18). Mas é verdade que Cristo ressuscitou então a morte foi vencida pela vitória e nossa esperança de glória é também verdadeira (complete a leitura até 1Co 15:56-57).
Outra citação paulina importante para compreendermos o quão importante é para nós a Festa da Páscoa vem do texto aos Filipenses, o chamado Hino Cristológico. Neste texto magistral nós lemos que depois do processo de esvaziamento pelo qual Jesus se submeteu, Deus o exaltou soberanamente lhe dando um nome sobre todo nome (Fl 2:9). Foi dando vitória sobre decomposição da morte (veja a citação de Pedro em At 2:27) que Deus fez Jesus cumprir todas as profecias e se tornar o centro e alvo de toda a adoração por toda a eternidade (volte a Fl 2:10-11).
Sendo assim, somente uma atitude pode dominar a nossa vida e a nossa festa. O próprio Jesus foi o primeiro a dar o exemplo: Mateus nos conta que ao terminar de celebrar a última páscoa antes do suplício Jesus cantou um hino (em Mt 26:30). Não foi apenas cumprindo um ritual, o que Jesus fez foi dar o exemplo sobre a atitude de louvor e adoração que deve ser a marca de toda celebração pascoal.
E mais: devemos fazer nossas as palavras que ecoaram na eternidade entoando louvores ao Cristo ressurreto:

“Digno é o Cordeiro
que foi morto
de receber poder, riqueza,
sabedoria, força,
honra, glória e louvor”
(Ap 5:12).