terça-feira, 13 de abril de 2010

O Crescimento Evangélico em Aracaju - verdadeiro ou falso?

15% em 155 Anos de História
Segundo o G7, grupo formado por pastores evangélicos de Aracaju (Qualquer semelhança com o termo político é mera coincidência), o percentual de evangélicos em nosso Estado já chega aos 15%. Em um universo populacional de aproximadamente 2 milhões de habitantes (Fonte: Censo IBGE 2007), tal percentual é bastante significativo. Não faz muito tempo, dificilmente você encontraria dois cristãos na mesma sala de aula, universidade, trabalho, etc.
Em nosso dia a dia esses dados parecem pouco prováveis, mas em eventos de grande repercussão como, por exemplo, shows evangélicos semelhantes ao do último dia 16, em comemoração aos 155 anos da nossa querida capital, tais números de fato se tornam reais.
Estima-se que mais de 30 mil pessoas estiveram reunidas neste evento comemorativo que contou com a participação de artistas gospel, autoridades civis e religiosas. “Deus marcou o aniversário de Aracaju”, afirmou uma das cantoras convidadas. Milhares de pessoas aplaudiram o prefeito da cidade que muito emocionado disse: “Tudo o que tem acontecido de bom em Aracaju é obra de Deus e de nosso trabalho. Por isso, tenho um prazer imenso em participar dessa grande festa. Quando o povo de Deus vai às ruas, ele só leva paz e alegria”.
Aracaju é do Senhor Jesus! Mas, será que é mesmo?
Conquanto tais números pareçam reais (e a mídia através de fatos e fotos nos mostra isto), por que o impacto espiritual e moral do evangelho em nossa sociedade é tão pífio? A razão é pura e simples: números quantitativos nem sempre implicam resultados quantitativos.
Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu um mandamento: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19). Mas, de que maneira devemos evangelizar ou proclamar o Reino de Deus? Declarando palavras de ordem em shows gospel ou Marchas para Jesus? Recebendo supostas curas e bênçãos de artistas que se apresentam como “profetas” modernos? Absolutamente, não! Cristo nos disse, façam discípulos (cristãos) “… ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 8.20). A teologia reformada chama isso de cristianismo experimental.
Os nossos governantes, vizinhos, parentes e amigos, somente compreenderão o verdadeiro sentido da paz e alegria cristã, se forem ensinados (evangelizados) segundo a Palavra de Deus a mudarem de vida, arrependendo-se de seus pecados e crendo no Redentor. Enquanto o Evangelho não for ensinado com fidelidade, a Igreja se misturar politicamente com o Estado em busca de favores e poder, o analfabetismo bíblico for crescente, falsas doutrinas produzirem falsas conversões, o povo evangélico sergipano será como uma árvore oca, sem fundamentos ou raízes. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama, disse Jesus (Jo 14.21).
Cristo é o Senhor
Concluindo, não devemos ser contrários ao crescimento numérico da Igreja, pois inúmeras passagens bíblicas e a própria história demonstram que quando o evangelho foi pregado com fidelidade muita gente se converteu de verdade, abandonando suas antigas práticas e influenciando (não sendo influenciado) todos ao seu redor. Contudo, compete à Igreja plantar e regar, isto é, cumprir a ordem de Jesus fazendo discípulos, lembrando sempre que o verdadeiro e substancial crescimento é dado pelo Senhor (1Co 3.6,7).
Pr Alan Kleber

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eventos Pascais em Sol Nascente


Os eventos pascais e as celebrações aqui em nossa igreja me deixaram fora do mundo virtual.  É claro que isso foi muito bom.  O mundo real - o que importa de verdade - me ocupou e me colocou em um feliz e saudável contato com o povo.
A Vigília da Cruz foi uma bênção, nosso povo veio vigiar e orar e passamos o dia na presença do Senhor.  No domingo da ressurreição nos reunimos novamente às seis da manhã para um culto em ações de graças pela nova vida que vem de Jesus.  Como foi bom celebrar junto com o povo de Deus!
Aqui estão algumas fotos destes momentos:

sexta-feira, 26 de março de 2010

EU VOS BATIZO EM ÁGUA

Na semana passada, usei este espaço para refletir sobre a Ceia do Senhor e como ela deve me trazer à lembrança o Pão Vivo que é Jesus.  Hoje aproveito para trazer uma reflexão sobre a outra ordenança de Cristo: o Batismo que deve ser ministrado aos que creem (confira em Mt 28:19-20).
Assim como a Ceia do Senhor, além de ser o cumprimento da instrução cristã, a cerimônia de Batismo é repleta de simbolismos e significados (e eu até creio que é por isso mesmo que elas são tão belas e importantes!).  No Batismo, da forma em que o celebramos, há todo o ritual de mergulho e saída da água que nos aponta para a morte e a ressurreição que, pela fé, já aconteceram em Cristo Jesus (bem explanado por Paulo em Cl 2:12) – além de ser um testemunho e proclamação da mesma fé.
Mas a água, instrumento ou veículo pelo qual o batismo acontece, pode ainda nos fornecer outras referências que enriquecem ainda mais o ato.
Água sempre nos lembra limpeza.  Ao oficiar o Batismo como um banho ritual posso também está demonstrando que minha vida já foi lavada e purificada.  Sei que é o sangue de Cristo quem faz isso acontecer (veja tanto 1Jo 1:7 quanto a descrição da multidão em Ap 7:14), mas com certeza na água do batismo estou exteriormente demonstrando de forma simbólica aquilo que Jesus já fez no meu interior.
Com certeza devo também me lembrar que água é sinal de refrigério, alívio – principalmente tendo em mente o sol do sertão nordestino.  Estando dentro da água ao celebrar o Batismo sou levado a bendizer o Senhor porque assim como no calor o corpo exterior se sente revigorado pela água, o meu homem interior se refaz com ânimo pelo bálsamo que Cristo traz.  E nenhum texto diz isso de maneira mais poética que o Salmo do pastor: o Senhor, que é meu pastor, me conduz a águas tranquilas e me restaura o vigor (sei que todos conhecem o Sl 23, aqui citados os versos 1 a 3).
E ainda a água é indispensável como provisão.  Sem água o corpo humano definha e morre.  No Batismo em água sou confrontado com a Água Viva que dessedenta toda a sede espiritual.  No cerimonial cristão tenho apenas o símbolo, mas ele poderá me reavivar na memória a alegria de já ter bebido da água que mata a sede eterna de minha alma (veja como Jesus usa esta figura com a mulher samaritana em Jo 4:13-14).
Em Mt 3:11 João, o batista anunciou o seu batismo em água como um sinal de arrependimento.  Hoje deve a igreja seguir seu modelo na certeza de que os símbolos da celebração testemunharão a minha fé já com a alma lavada, refrigerada e saciada.  E assim cumpriremos a ordem deixada por Cristo para a glória dele.
(Lá em cima: achei esta foto antiga do meu pai ministrando Batismos no batistério antigo da 1ª Igreja - PIBA, se eu não estiver enganado é lá pelos idos de 1970.  Foi neste lugar sagrado que eu desci às águas para ser batizado em fevereiro de 1977)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Lavando os carros para Missões 2010

Este final de semana os adolescentes de nossa igreja se juntaram para lavar carros e assim arrecadarem oferta para a Campanha de Missões Mundiais / 2010.  É claro que tudo para eles é festa, mas como é bom vê-los envolvidos e trabalhando em prol do Reino de Deus!
Veja mais fotos:

Também no mesmo dia, enquanto os adolescentes trabalhavam...


E tudo foi feito para a glória de Deus.

sexta-feira, 19 de março de 2010

EU SOU O PÃO

A Ceia do Senhor é um momento sublime na vida e na liturgia da igreja.  É quando trazemos à lembrança e fazemos aflorar tudo o que de mais significativo temos em nossa vivência e em nossa fé.  Em nossos cultos a Ceia é apresentada na Mesa do Senhor em dois elementos: o pão que simboliza o corpo de Cristo e o vinho que aponta ao sangue (veja explicado didaticamente em 1Co 11:23-26).  Assim quis o próprio Cristo.
Quando o Mestre fez associar na memória dos discípulos o pão com a sua própria carne e o vinho com seu sangue, mais que uma ligação aleatória ou simplesmente simbólica, Ele evocou lembranças profundas dos seus.  Sei que na Ceia deve haver pontos de reinterpetação dos elementos pascoais; porém com certeza o que Jesus trouxe à memória apostólica naquela celebração foi sua apresentação como o Pão enviado por Deus para saciar a fome humana (tenha em mente Jo 6:51).
Hoje, quando celebramos a Ceia do Senhor, Jesus continua se apresentando como o Pão Vivo que desceu do céu e nos alimenta, sacia, nos torna plenos e satisfeitos. 
Como pão, Ele nos alimenta com sua paz (marque Jo 14:27).  Num mundo onde a paz está na ordem do dia, mas que nunca a encontra por completo, Jesus nos inunda com a sua paz.  Quando comemos deste pão somos lembrados da verdadeira paz do Senhor que excede todo entendimento (Paulo usou esta expressão em Fl 4:7).
Comungando do pão na Ceia, também nos lembramos que fomos repletos do amor inigualável e consequente (é fundamental Jo 13:1).  É claro que não há amor como este e somos tomados por ele de maneira graciosa.  A memória que é evocada no comer do pão faz-nos repletos deste amor doado (ainda são de Jesus as palavras de Jo 15:13).
Duas outras lembranças devem ser destacadas enquanto se come do pão na mesa do Senhor – talvez elas sejam menos tangíveis e, assim por isso mesmo mais poéticas e belas.  O Pão de Deus nos sacia de vida (considere Jo 10:28).  Não é só vida eterna num sentido temporal – isto é muito pouco – somos saciados de vida plena, completa.  Quando comemos deste pão devemos nos lembrar que em Cristo nos tornamos cheios de vida (considere como promessa cumprida e celebrada no pão o que é dito em Jo 10:10).
O Pão Vivo que de maneira memorial comemos na Ceia também nos faz cheios, repletos, saciados da divindade (está claro o que é dito em Jo 12:45).  Toda alma humana precisa do inefável, do algo mais, para se saber realizada, satisfeita, plena: Jesus nos deu esta oportunidade ao apresentar o Pai e outorgar o Espírito (note Jo 14:9 e 20:22).  Comendo deste pão minha mente e alma têm que ser levadas a adorar àquele que se fez carne para que contemplássemos a glória divina (como é lindo Jo 1:14!).
Hoje, quando celebramos a Ceia do Senhor e trazemos à memória o Pão da Vida, principalmente tão próximo da celebração da Páscoa Cristã (maior evento de nosso calendário), devemos comê-lo como quem celebra a alma plena e saciada de paz, amor e vida; satisfeitos por estar na presença do Eterno.
Que comamos deste pão pascal louvando a Deus por ter nos dado tal privilégio.

sexta-feira, 12 de março de 2010

ATÉ OS CONFINS DA TERRA

Aqui em nossa Igreja temos nos colocado uma meta desafiadora: ganhar nosso bairro para Cristo e estabelecer o Reino de Deus entre nós, vencendo as forças do maligno que querem imperar por aqui.  Por compreender a importância e a necessidade de nosso desafio, então: por que se envolver e fazer missões mundiais neste contexto?  Se ainda nem alcançamos nossos vizinhos, por que nos preocupar com os haitianos, africanos e chilenos?
Para buscar uma resposta, quero partir da citação de Paulo que estava disposto a fazer tudo por causa do evangelho, para ser co-participante dele (1Co 9:23 que é o texto base da campanha missionária deste ano).  E indo um pouco além, deixe-me apresentar pelo menos três razões porque devo fazer missões mundiais e por Cristo ir até aos confins da Terra.
Em primeiro lugar por que Deus viu e amor o mundo e é preciso que da mesma forma minha igreja veja e ame o mundo (nenhum texto se compara a Jo 3:16).  Mesmo estando nos céus, Deus olhou com amor pelas almas perdidas de todo o mundo e tudo o que fez foi movido por esta compaixão (veja Rm 5:8).  É porque este amor me alcançou que devo buscar transmiti-lo na mesma dimensão a todo o mundo (ainda cito 1Jo 4:19).
Ainda convém enfatizar que a extensão da minha visão do Reino de Deus deve determinar o alcance da minha missão e do evangelho que estou a pregar.  Se creio que o Reino abrange todo o mundo, também minha missão deve alcançá-lo.
Em segundo lugar porque como Cristo foi enviado ao mundo, também a igreja está debaixo do mesmo compromisso (Jesus disse isso em Jo 20:21).  Jesus tinha uma missão a cumprir e nada o haveria de deter.  Neste senso de determinação e objetividade o próprio Mestre repassou sua missão de ganhar o mundo para o evangelho para seus seguidores (lembro de Jo 13:15).  É porque fui enviado que não posso me esquecer da missão ao mundo.
Observe que a minha consciência clara, específica e mundialmente abrangente da missão é que estabelecerá o meu comprometimento com ela.  Por ter tal consciência não posso descuidar antes de tê-la alcançado (veja ainda a instrução em 2Tm 4:5).
E em terceiro lugar porque o senso de urgência demonstrado por Cristo deve me influenciar de modo profundo (ainda Jesus em Jo 9:4).  A certeza de que o tempo estava para se cumprir em breve motivou Jesus a ir sempre além e deve também mover minha igreja a continuar até os confins da Terra (já é clássico Mc 16:15).  É porque sei que o tempo está próximo que não posso diminuir o alcance de minha missão.
Esta associação é fundamental: a convicção dos sinais dos tempos tem que me impulsionar a fazer missões no mundo.  Se estou vendo os sinais acontecendo, preciso cumprir logo a missão (veja a advertência em Lc 21:31).
Como disse lá em cima, temos um compromisso com a expansão do Reino e do Evangelho aqui em nossos conjuntos.  Mas sei que nossa missão é muito maior, por estar na dimensão do amor enviado e urgente de Deus por este mundo todo.  Que nada nos faça abandonar a missão e que possamos repetir com convicção: por Cristo vou até os confins da Terra.