sexta-feira, 26 de junho de 2009

A CONHECIDA HISTÓRIA DO JOVEM RICO


Três dos Evangelhos nos contam que certo homem foi procurar a Jesus interessado em saber como poderia alcançar o Reino eterno (Mt 19:16-22 / Mc 10:17-22 / Lc 18:18-30). Pelo diálogo com o Mestre compreendemos que ele era um bom jovem, cumpridor das Leis divinas, bem intencionado – além de rico. Parecia tudo correto, um candidato ideal para herdar a vida eterna; mas o fim não foi este. Vejamos o que ocorreu e aprendamos algumas lições.
Por mais que conheçamos a história, não podemos deixar passar a realidade que o jovem buscava seguir os preceitos divinos desde a sua juventude (Lc 18:21). A mais ainda: ele mesmo procurou Jesus demonstrando ter uma real intenção de cumprir algo que lhe coubesse para adquirir o direito a herança eterna. Que bom exemplo!
Neste ponto podemos parar a análise da história e voltar nossa reflexão para nós mesmos hoje. Será que se questionados por Jesus poderemos responder como o jovem da história? Será que temos cumprido a Lei de Deus em nossa vida, e ela faz parte de nossa própria maneira de ser desde criança? E mais ainda, temos demonstrado real interesse em buscar a Jesus para dele saber o que precisamos fazer para sermos herdeiros do Reino?
Diante deste quadro, e Jesus conhecendo o coração, o Mestre anuncia a sentença: Falta-te uma coisa (Mc 10:21). Ter observado a Lei e demonstrar uma boa intenção não é suficiente para se alcançar a vida eterna. No caso do personagem da história, faltava se desfazer dos bens que ocupavam um lugar de primazia em sua vida. Somente colocando Deus em primeiro lugar alguém se torna apto para o Reino.
Mais uma vez voltamos nosso foco para nossa vida. O que será que nos falta para nos tornarmos cidadãos do Reino de Deus? O que nos falta? O que está atrapalhando sua caminhada nesta vida para que alcance a futura?
A história deste encontro de certo jovem com Jesus pode muito se parecer com a nossa vida; mas que o nosso fim seja diferente daquele narrado nos Evangelhos.

(Na foto lá em cima, alguns de nossos jovens do Sol Nascente, sem dúvida, nossa maior riqueza!)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A Graça não é de graça


Andei colocando minhas leituras em dia, entre elas o último número da revista Ultimato que traz como matéria de capa A Graça não é de graça (nem é preciso dizer que é muito boa – como sempre).
Como destaque quero ler a texto intitulado Agnus Dei – expressão latina que em bom português deve ser traduzida como Cordeiro de Deus – que compõe os artigos relacionados com a capa.
Falar sobre o Cordeiro de Deus na sua relação à graça é trazer para o centro de nossa fé e nossa teologia o tema central do Apocalipse – que é em última análise o livro mais festivo e mais exuberante de todo o NT.

“Digno é o Cordeiro
que foi morto
de receber poder, riqueza,
sabedoria, fora,
honra, glória e louvor!”
(Ap 5:12)

Mas, o que implica para nosso cristianismo cotidiano a centralização no Cordeiro de Deus?
(1) Ter o Cordeiro de Deus como centro de nossa doutrina nos faz saber e crer que Ele tira o pecado do mundo (João Batista apresentou Jesus assim em Jo 1:29). Sendo que o Cordeiro tira todo o pecado então não há porque se guardar mais mágoas ou traumas em nossa existência. Quem na sua vida ainda se sente preso a dores espirituais ou emocionais do passado e do presente é por que não experimentou o que o Cordeiro realmente significa.
(2) A presença do Cordeiro entre nós é a afirmação de que Deus desejou ser humano. Ao se fazer história o Eterno quis ser como cada um de nós, vivendo nossa história e experimentando nosso cotidiano (veja que Jesus ensinou algo parecido na oração modelo quando pediu que viesse a nós o seu reino em Mt 6:10). Querer fazer de fieis semideuses ou super-homens é desprezar o Cordeiro de Deus e sua obra em nossa vida cristã.
(3) Na obra do Cordeiro, e em especial seu sacrifício, estão demonstrados simultaneamente o amor e a justiça de Deus. Não há – e não pode haver – antagonismo entre ambos os aspectos da divindade. Na cruz o Cordeiro foi a expressão máxima do amor e a justiça manifesta de Deus. Pregar um esquecendo-se ou outro, seja qual for a argumentação, é esvaziar o Cordeiro e torná-lo incoerente.
(4) E finalmente trazer o Cordeiro para o centro de nossa fé é reafirmar que o céu é mais que um pressuposto teórico ou escape psicológico, é a certeza de que ele é um lugar acolhedor e seguro – é a casa do Pai – e o lugar onde cumpriremos nosso destino eterno (veja as palavras de Jesus em Jo 14:1).
Com certeza a Graça não é de graça, custou o sangue precioso do Cordeiro, mas foi exatamente por este sangue que hoje vivemos sob a tutela da graça.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XVII


Vamos continuar seguindo as lições na sequência apresentada por Mateus. Depois de apresentar os ensinos de Jesus Cristo sobre a intimidade do discípulo com o Mestre na oração e no jejum, o Senhor passa a abordar o tema do tesouro a ser buscado e preservado pelo discípulo (Mt 6:19-21).
Jesus fala que há tesouros na terra (v. 19) e tesouros nos céus (v. 20) e que eles são completamente diferentes um do outro – embora um dispute a primazia com o outro. Como entender isto que o próprio Mestre ensina? Os tesouros da terra são perecíveis, transitórios e podem ser roubados. Os tesouros dos céus são duradouros e ninguém pode tirá-los de quem os possua.
Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração (v. 21). Esta é a chave para compreender as reais implicações do que Cristo quis dizer. (1) O meu tesouro consiste naquilo que é realmente importante e pelo qual estou disposto a gastar a minha vida. (2) O meu tesouro é o que merece e precisa ser juntado e guardado e pelo qual eu abdico de tudo o mais. (3) O meu tesouro é o que eu avalio como importante para deixar à posteridade e por isto nele coloco minha esperança – nele está meu coração, o centro de minhas prioridades, emoções e existência. Por isto é fundamental colocar o coração em tesouros que sejam perenes.
Como discípulos do Mestre Jesus, sou desafiado a colocar o meu coração em tesouros que o próprio Cristo guarda e preserva nos céus para sua glória.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

CELEBRANDO A COMUNHÃO DOS SANTOS


Periodicamente celebramos em nossa Igreja a Ceia do Senhor, isto fazemos seguindo tanto a ordenança do Mestre (há ordem para partilhar em Lc 22:17) quanto à tradição que nos vem dos cristãos primitivos (veja a constatação do evento pentecostal em At 4:42).
Só por estas citações iniciais já fica clara a ligação entre ceia cristã e comunhão, relacionamento, partilha e fraternidade. Chamá-la de Comunhão seria então reconhecer nesta celebração cristã mais que um rito, mas um momento de reafirmação de valores sagrados de nossa fé e prática.
Assim seguindo essa linha de raciocínio, deixe-me apontar algumas verdades que celebramos sempre que compartilhamos do pão e do vinho em culto ao Senhor (antes de prosseguir veja este conceito de ceia como adoração em 1Co 10:31).
Ter pão e vinho em nossa adoração é celebrar a obra de Cristo na cruz quando desfez a separação entre os seres humanos e a todos nos deu acesso ao Pai, criando um novo homem e fazendo a paz entre nós (está dito em Ef 2:14-18). A ceia deve nos trazer à memória que em Cristo não há mais distinção entre judeu e grego (claro em Rm 10:12).
Voltando a Efésios, sabemos que celebramos quando nos reunimos para celebrar a Cristo o mistério finalmente revelado da suprema vontade de Deus que agora somos co-herdeiros com Israel e membros do mesmo corpo (em Ef 3:2-6, mas veja a forma simbólica como Paulo diz isso em Rm 11:11-24).
O desdobramento desta celebração é que quando comemos e bebemos juntos em memória do crucificado sabemos que foi por ele que deixamos de ser apenas um bocado de gente para nos tornar efetivamente povo de Deus (confira em 1Pe 2:9-10). Se somos hoje o povo escolhido de Deus é porque por Cristo – simbolizado na mesa – nos resgatou para ser seu povo e reino (complete a leitura bíblica em Cl 1:12-13).
Em especial também nos elementos da comunhão celebramos o óleo da bênção derramado na fraternidade cristã (tome as palavras do Sl 133). Quando comemoramos a nossa vida em união – e somente através de Cristo conseguimos transformar este projeto em realidade – trazemos para nossa vivência como comunidade de fé a certeza de que Deus tem interesse pleno nesta unidade (na oração do Mestre em Jo 17:21) e reafirmamos que aqui – e primordialmente aqui – é onde o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (no Sl 133:3).
É com esta visão que nos juntamos periodicamente para celebrar e reafirmar que em Cristo nos tornamos e nos mantemos como Comunhão dos Santos – essencialmente igreja de Cristo. Nesta fraternidade e para glória do Senhor: celebremos a comunhão.
(Na foto acima, alguns músicos que louvam ao Senhor com seus instrumentos em nossa igreja em um momentos em que desenvolviam o espírito de fraternidade e comunhão cristã descontraidamente em um parque de nossa cidade).

segunda-feira, 15 de junho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XVI


Ainda seguindo a oração como atitude espiritual do discípulo, Jesus apresenta o tema do jejum: tendo buscado – e encontrado – a Deus através da oração, a disciplina cristã natural e seguinte e se desenvolver é o jejum. “Quando jejuarem...” (Mt 6:16-18), esta constatação do Mestre vai apontar a algumas implicações sobre esta prática religiosa.
A primeira observação é sobre o fato de não haver uma ordem sobre a prática ou não do jejum: o Mestre não manda jejuar, mas constata que isto deve ser prática usual. Ou seja, para Jesus o jejum é uma renúncia voluntária daquilo que me é importante e necessário. Não sendo obrigado, com o jejum eu me predisponho voluntariamente a renunciar direitos e regalias em prol do discipulado.
Jesus também faz uma relação óbvia e direta entre o jejum e a piedade pessoal. Para o Senhor o jejum é uma atitude individual e tem que ser tratada na mesma intimidade da oração – dentro do quarto – pois é lá que ele produz os seus efeitos: “arrume o cabelo e lave o rosto”, ou seja, não deixe nem por descuido que os outros percebam que você está jejuando.
Ainda é importante destacar que o jejum proposto por Jesus Cristo não tem por objetivo mudar ou mover Deus dos seus propósitos. No jejum bíblico quem é tocado, influenciado e mudado é o discípulo. Deus sempre permanece o mesmo, o discípulo fiel é que se fortalece na prática piedosa do jejum cristão.
O Mestre indica e ordena aos seus discípulos que é necessário haver intimidade com Deus, junto com a oração no quarto fechado, o jejum estimula e produz esta intimidade. Que eu viva esta bênção que o Senhor me oferece para sua exclusiva glória.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

OS PLANOS DE DEUS


O profeta Jeremias que ficou conhecido como o profeta chorão por ter lamentado, no final de seu ministério, pela destruição de Jerusalém não pode ter seu nome apenas associado a este contexto. É dele também uma carta escrita aos exilados judeus na Babilônia na qual critica os pessimistas e apresenta os projetos de Deus para a nação que, por ter sido pecaminosa, foi severamente castigada pelo Senhor, mas que não deveria por isso abandonar a sua fé (leia toda a carta em Jr 29:4-23).
Da carta do profeta queria hoje chamar a atenção apenas ao verso 11 para destacar aquilo que o Senhor tem guardado para os seus, mesmo que em tempos de exílio e purgação.
Em primeiro lugar vamos lembrar que como os judeus nós também não somos deste lugar (Pedro ressalta que somos apenas estrangeiros e peregrinos em 1Pe 2:11). Mas como afirma Jeremias ainda assim não podemos desprezar esta vida e os compromissos que ela nos traz (no contexto aponto ainda as palavras de Mardoqueu em Et 4:14).
Nesta situação, o que Deus tem planejado para nós? A resposta aponta em duas direções.
No presente, o plano de Deus é de paz, saúde e conforto. A palavra que é usada no original hebraico traz exatamente o conceito de que o que Deus deseja para os seus filhos é uma condição de vida digna e tranquila. Mesmo vivendo em meio a aflições (leia Jo 16:33), mas é preciso ficar bem claro que este não é o plano de Deus para o seu povo. Deus tem sempre algo melhor.
É neste sentido que as palavras de Jesus soam para nós como uma garantia para a vida presente: Deixo-vos a paz (Jo 14:27). E o Mestre é explícito quando declara que a paz dele não se compara com a do mundo; por isso não deve haver sequer névoa de temor em nossos corações.
Ele é a nossa paz declarou o apóstolo Paulo em Ef 2:14 e este é o reconhecemos como plano de Deus para o tempo presente.
Em relação ao futuro, Jeremias se refere à esperança. Embora não possamos ver agora como se dará a transformação da história, mas a promessa e garantia que temos é que nada do que vemos hoje permanecerá eternamente (aqui os textos bíblicos são abundantes, leia por exemplo Rm 8:18; Hb 13:14 e Ap 21:5). Repito então: Deus tem sempre o melhor.
O apóstolo João mais uma vez nos conta que Jesus prometeu muitas moradas que já estão prontas na Casa do Pai e que, com certeza, Ele virá em glória para nos levar para as moradas eternas (delicie-se com Jo 14). Mesmo sabendo que é necessário construir aqui uma vida saudável, não podemos perder de vista o nosso destino celestial.
Frise-se que entre os títulos que Paulo dá a Jesus está que ele é a esperança nossa em 1Tm 1:1 e é nesta esperança que nos apoiamos.
Para concluir apenas voltando ao profeta no cativeiro, com ele afirmamos que é o próprio Deus quem tem determinado este presente e o futuro que está reservado para a igreja. Vivamos de acordo com Ele, para a glória dele.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XV


Logo em continuidade à Oração do Pai-Nosso – e de certo modo abrindo um parêntesis – Jesus amplia a questão da reciprocidade do perdão: “... se perdoarem uns aos outros” (Mt 6:14-15). Em primeiro lugar é preciso reafirmar o que foi dito na última reflexão: Não é que o Mestre condiciona um ao outro: o perdão divino é gratuito.
E este é exatamente o ponto de partida para toda a reflexão sobre o perdão. Paulo diz que por merecimento deveria receber a morte mas, de graça, me foi dado o perdão (Rm 8:23). A essência da mensagem cristã é a graça imerecida que foi outorgada por Deus em Cristo Jesus. Isto traz duas implicações básicas: primeiro que não há nada que esteja fora do alcance da ação perdoadora de Cristo e segundo que não há como falar em retribuição ou pagamento de natureza alguma no perdão divino.
A aceitação – pela fé – deste perdão incondicional e não merecido nos apresenta o outro ponto da reflexão: Jesus disse para dar de graça o que de graça recebo (Mt 10:8). Esta é a reciprocidade que o texto fala. Há uma implicação necessária ao discipulado radical que é a extensão do perdão recebido. Não mereço ser perdoado, mas Cristo de graça apagou minha dívida diante de Deus. É baseado neste perdão – e como resposta de gratidão a ele – que devo oferecer também, de graça, o perdão ao meu irmão. Esta é a verdadeira reciprocidade do discípulo de Cristo.
Jesus diz que o Pai Celeste tem perdão para outorgar de graça, mas exige que eu, como retribuição, também de graça perdoe. Isto é discipulado, não opção! E só assim poderei desfrutar toda a extensão das bênçãos advindas do perdão do Mestre.