sexta-feira, 5 de junho de 2009

POR QUE ACREDITO NA FAMÍLIA?


Falar sobre família sempre foi uma prática comum entre os pregadores cristãos. O assunto está na Bíblia e realmente deve merecer a maior atenção de nossos púlpitos. Em especial hoje em dia quando parece que foi deflagrada uma batalha espiritual contra a família. Mas para início de conversa quero declarar que acredito piamente que esta batalha já está ganha! Mas por que eu acredito na família? Por que posso afirmar que as famílias, em princípio as cristãs, vão prevalecer nesta guerra?
Afirmar como resposta inicial que é porque a família nasceu no coração de Deus e por ela o Senhor tem interesse particular é apenas reafirmar o já bastante conhecido. Então me deixe tentar justificar minha convicção a partir da leitura da parábola do filho pródigo contada por Jesus e registrada por Lucas 15:11-32.
Na história narrada pelo Mestre a família é um lugar onde há diferenças. E mesma elas existindo, são compreendidas e respeitadas. Na parábola o pai tem dois filhos e cada um se comporta de maneira completamente diferente do outro; mas nem por isso são rejeitados ou desprezados por seu pai.
Acredito na família por que somos todos diferentes entre nós – e não há razão nenhuma para sermos iguais – e na família há lugar para todos.
Ainda na parábola a família retratada é um lugar de referência e acolhimento. Lá pelo meio da história o pródigo se lembra da casa do pai e reconhece que somente naquele lugar ele poderia ser acolhido, querido e bem tratado, mesmo depois de tudo que aconteceu. O detalhe é que o mesmo poderia ter acontecido com o outro filho no final da narração se ele escolhesse também ser acolhido pelo amor paterno.
Eu acredito na família por que sei que não importa qual seja nossa história pessoal, sempre teremos uma referência a nos abrigar.
E finalmente, a história conta que foi na família que a vida do filho pode ser reconstruída. Foi na volta para casa que aquele garoto pode experimentar o que é verdadeiramente o perdão e o amor – isso só acontece num ambiente familiar – e assim também poder reconstruir sua própria história. De pródigo rebelde a renascido querido.
É por isso que eu acredito na família como modelo cristão, pois é no seu seio que encontraremos as bases para que nossa vida – que por vezes está maltrapilha – possa ser refeita com carinho e cuidado.
Sei que seria bastante utopia se afirmasse que toda família ainda hoje é assim. Mas este é um modelo ideal que o Senhor nos apresentou para que nos mirássemos nele e construamos a nossa família. Exatamente por ser o que ela é no projeto de Deus é que eu acredito que nossas famílias ainda estão no centro dste projeto.
Oremos que o próprio Senhor nos conceda famílias assim.
(E na foto lá em cima é meu cunhado e minha sobrinha brincando num parque aqui de Aracaju)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Estranha Conversão "Global"


Considerando a série de reportagens que o JN da Rede Globo apresentou na semana passada sobre a ação social dos evangélicos, li o comentário postado por Paulo Nascimento no blog Ópio Coisa Nenhuma - muito bom por sinal (http://www.opiocoisanenhuma.blogspot.com) trazendo uma reflexão sobre o tema.
Lá postei um comentário pessoal sobre o texto dele - e sobre o tema em si - que compartilho aqui:
Querido Paulo Nascimento,
Também não simpatizo com o jornalismo da Rede Globo, como um postulado a priori. Daí compartilho de sua estranheza quanto a conversão global.
Realmente por traz desta aparente aproximação ainda perdura uma ignorância crônica quanto a quem somos e o que estamos fazendo nesta terra brasilis. Não acredito que tudo isso foi de graça. Historicamente sabemos que a pauta do jornalismo dos Marinhos sempre foi tendenciosa política e socialmente, e em se considerando a disputa pelo mercado entre eles e a TV de Macedo – supostamente representante de um segmento especifico de evangélicos – então de verdade a coisa ganha outros ares (isso sem falar da política que se avizinha!).
Mas que eu quero destacar neste comentário é sobre o posicionamento de parte de nossa liderança eclesiástica que fica alvoroçada com estes mimos midiáticos (você citou esta constatação de relance em texto).
Para mim cabem aqui duas observações: uma bíblica e outra mais de cunho social.
Em primeiro lugar há uma absoluta oposição entre os valores deste mundo e os valores do Reino de Deus que professamos (aqui os textos bíblicos são por demais abundantes – posso ler em Mt 20:25-28; em Jo 15:19; em Rm 12:2 entre tantos outros). Quando uma nota no Jornal Nacional – independente do poder de IBOPE e sua influência que ele tenha – é motivo para ser celebrado é porque já deixamos de ter como prioridade aquilo que deveríamos (ainda leio Lc 10:20)!
Outro ponto é que aprendi desde os tempos de estudante de Ciências Sociais a separar os movimentos sociais em dois grupos: aqueles que lutam para comer um pedaço do bolo e aqueles que questionam sobre a receita da qual ele é feito. Como servos de Deus, deveria ser imperioso para a igreja questionar, não aceitar e até se indignar com esta sociedade decrépita cuja estruturação e objetivos pequeno-burguês não deve ser anseio de nenhum de nós (até para respeitar nomes como os de Richard Shaull e Rubem Alves que você citou, entre outros que honram nossa tradição evangélica).
Falando em tradição evangélica, uma atualização dos conceitos de Cidade de Deus a partir da leitura de Agostinho seria bastante útil para recalibrar os passos de nossa caminha cristã brasileira.
De qualquer forma: espero que vozes como a sua não sejam exceção entre os que vivem pela em nossa terra.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XIV


A Oração do Pai-Nosso, ou Oração Dominical (Mt 6:9-13), não é apenas uma das mais conhecidas passagens da piedade ensinada pelo Mestre aos seus discípulos, é também um modelo de devoção para ser aprendida, repetida e experimentada na vida diária do discipulado. Com certeza a riqueza das palavras de Jesus são inestimáveis e delas quero tirar algumas lições, olhando-as como em paralelo.
A Oração é dirigida ao Pai. Esta invocação expressa intimidade e amor filial do discípulo que ora em relação ao Deus que recebe a oração. É um Deus Todo-Poderoso que habita os céus em sua glória. Paralelamente Jesus ensina a suplicar para que venha o Reino: melhor do que me levar até onde Deus está, devo pedir que o próprio Senhor venha com seu Reino e domínio sobre a minha vida e existência.
O segundo paralelismo é entre o perdão que espero receber pelos meus próprios pecados (dívidas) e aquele que eu ofereço aos meus semelhantes. Não é que o Mestre condiciona um ao outro: o perdão divino é gratuito. Mas aqui mais uma vez está demonstrada a lei da reciprocidade tão cara ao discipulado: se espero – e preciso – receber o perdão pela minha dívida contraída para com Deus, tenho que estar disposto a perdoar na mesma medida aqueles que me têm ofendido.
Um último paralelo a se destacar é sobre o maligno: ele está à espreita me tentando e corro sempre o risco de sucumbir, por isso preciso da ajuda divina para vencer a tentação. Ao lado desta segurança no momento da tentação, preciso que o próprio maligno seja afastado de minha vida com sua influência negativa.
Assim posso concluir minha oração como o brado de exaltação: Pois teu é o reino, o poder, e a glória para sempre. Amém!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

PARA FAZER MISSÕES


Sabemos que toda a igreja tem um chamado missionário. Esta é a convicção que nos faz ser o que somos. Nós nos reunimos a nos identificamos a partir daquilo que temos para fazer: adorar ao Rei e anunciá-lo a todo o mundo.
Temos falado com frequência sobre a prática da adoração (todo domingo em nossa EBD inclusive); mas hoje queria refletir um pouco sobre o que é preciso fazer para cumprir a segunda parte de nossa identidade eclesiástica, ou seja, o que é preciso para fazer missões. Vamos ao texto bíblico e vejamos três indicações.
Tudo deve começar com o olhar. É preciso levantar os olhos e ver que os campos estão no ponto de serem colhidos (esta é a ilustração que Jesus usa em Jo 4:35). O envolvimento da igreja com o trabalho missionário inicia quando ela consegue enxergar o mundo à sua volta e se percebe tocada por uma paixão missionária. O mundo clama por transformação – e nós temos a resposta que é Jesus – então é preciso que o percebamos e deixemos ser tocados pela necessidade evangelística; tanto dos que estão ao nosso redor, quanto dos que estão em outras terras.
Tendo percebido o mundo carente do evangelho é preciso então ouvir a voz do Senhor que nos chama e desafia a irmos anunciar a sua Palavra (no caso de Felipe um anjo lhe falou claramente para ir a busca do etíope em At 8:26). Deus tem falado e chamado a sua igreja para cumprir a sua missão. Não podemos tapar nossos ouvidos espirituais à vocação divina que está sobre nós e nos desafia.
E finalmente, é imperativo que se atenda o desafio de ir anunciar o Reino de Deus (o exemplo dos setenta comissionados por Jesus em Lc 10:1 deve ser modelo para nós). Se a necessidade do mundo perdido nos toca e ouvimos com clareza o chamado cristão para a missão então a atitude a se tomar é se comprometer com a obra missionária atendendo o desafio de ir aonde estão os perdidos para lhes anunciar as grandezas do amor de Deus e as boas novas de redenção.
Para fazer missões é preciso ter os olhos abertos para o mundo, os ouvidos atentos para a voz de Deus e também é indispensável que haja obediência em atender o seu desafio. Que o Senhor nos faça assim.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um camaleão na Sala de Oração




Toda semana, no domingo antes do culto das 18 h há um grupo que fielmente se reúne para orar por nossa igreja – este é um segredo do sucesso de nosso trabalho!
No domingo passado ao chegarem lá, encontraram um enorme camaleão devidamente postado onde os crentes deveriam se reunir. Isso me trouxe naturalmente algumas reflexões que passo a compartilhar com vocês.
Antes de prosseguir deixe-me dizer três coisas:
1. Apesar de sermos uma igreja ambientada num espaço urbano, não é raro bichos dos mais diversos frequentarem nosso espaço. Desde os mais comuns como cachorros, gatos e ratos, até alguns inusitados como morcegos, corujas, gaviões entre outros. Eles são criaturas do Senhor e bem vindos a sua casa.
2. Ninguém aqui é especialista em fauna, daí que se o bicho do caso não for realmente um camaleão, pouco importa, o que vale é a reflexão.
3. A foto lá em cima foi tirada por meu filho André no seu celular, logo eu, como pai, perdoo a falta de qualidade técnica.
Mas vamos a reflexão:
O bicho na sala de oração foi retirado com cuidado e colocado numa árvore que sombreia nosso terreno, mas ficaram alguns crentes para orar – como sempre fazem – e eu então ponderei: que lição eu aprendo disto?
Um crente camaleão na sala de oração de uma igreja pode ser um péssimo sinal, algo como alguém dissimulado, um lobo disfarçado de ovelha (para citar a ilustração de Jesus em Jo 10).
Sabemos que o camaleão é um bicho notório pela sua capacidade de se camuflar, mudar a tonalidade da pele para enganar seus inimigos e predadores e assim não ser apanhado.
Sei que em Mt 13 Jesus já nos advertia sobre a presença inevitável do joio no meio do trigo, mas realmente quando um camaleão se disfarça de crente e se mistura na sala de oração, ele pode passar despercebido por aqueles que estão com ele orando, mas não passará impune pelo crivo do Senhor (veja que no final Cristo em pessoa haverá de separar o trigo do joio).
De verdade não é possível evitar a presença de camaleões no meio da sala de oração de nossas igrejas, mas precisamos cada um de nós trabalhar e vivermos nosso compromisso cristão para que não sejamos apenas um disfarce – ou simulação – de cristão no meio da sala de oração.
Que Deus assim nos faça.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

DISCIPULADO RADICAL - XIII


Instruindo seus discípulos sobre as disciplinas da vida cristã, Jesus apresentou o tema da oração (Mt 6:5-8). Para o Mestre, muito mais que o cumprimento de rituais religiosos, públicos ou particulares, a oração é um diferencial indispensável para o discipulado. E Jesus começa retomando a mesma ênfase da ação cristã: não é para ser usada como vitrine da fé! O que se faz para ser visto pelos homens não é feito para agradar a Deus – logo realmente não o agradará.
Sigamos com duas instruções claras de Cristo: primeiro, a oração do discípulo é reflexo da intimidade filial com Deus: “vá para o seu quarto...” (Mt 6:6). É claro que Jesus não nega a realidade do culto e da oração comunitária, mas quer dar ênfase à oração particular, íntima, que deve ser a base da vida cristã. Quem quer se encontrar com Deus, deve deixar o mundo – nem que seja por alguns momentos – e buscar se derramar lá onde ninguém sabe que você o está buscando. Lá nesta intimidade do quarto fechado não há liturgias pré-fixadas ou tradições a serem observadas; é onde o vento do Espírito sopra como quer, sem impedimento algum, e a alma faminta é saciada com toda sorte de bênçãos espirituais.
Em segundo lugar Jesus recrimina a repetição vã das palavras de oração. Também aqui Ele não nega a insistência em suplicar diante de Deus, pelo contrário, Jesus sempre incentivou o clamor. O que o Mestre afirma é que a verdadeira oração do discípulo é espontânea e sincera.
Jesus ainda diz: seu pai o recompensará (é o final do mesmo verso 6:6). Esta é a promessa para o discípulo que desfruta da realidade da oração no quarto fechado. O Pai que vê em secreto atende, restaura a vida e cumpre todas as suas promessas. Vivamos uma vida de oração desta natureza, para a glória do Senhor.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

INDO PELO CAMINHO


A associação entre cristianismo e a figura do caminho é bem antiga. Podemos retomar ao dito de Jesus quando se apresentou como sendo o caminho em Jo 14:6. Podemos também nos lembrar que este foi um nome dado ao conjunto dos seguidores do Mestre no primeiro século (veja a citação em At 9:2 por exemplo). Ou ainda através de Pedro que nos fez lembrar que somos peregrinos nesta terra em 1Pe 1:1 e 2:11.
Aproveitando esta relação, gostaria de refletir um pouco hoje sobre o fato de vivermos no caminho e o que acontece com o cristão enquanto ele vai pelo caminho. Três histórias do NT nos dão alguma indicação.
Indo pelo caminho temos a companhia de Jesus. Foi o que aconteceu com dois dos discípulos em direção a Emaús no mesmo dia da ressurreição (o relato está em Lc 24:13-35). No caso específico eles nem perceberam a princípio que estavam em companhia tão sagrada. A verdade é que há uma promessa e uma garantia da presença real de Cristo e do seu Espírito no meio da igreja (a promessa de Cristo foi citada por Mt 28:19 e a garantia do Espírito é dita em Jo 15:26).
Indo pelo caminho experimentamos a cura que precisamos. Lucas nos conta que de longe Jesus ordenou que dez leprosos fossem se apresentar aos sacerdotes para atestar a cura e enquanto para lá se dirigiam perceberam que já estavam curados (confira a narração em Lc 17:11-19). Infelizmente apenas um – o samaritano – voltou para agradecer; mas a cura foi efetiva para todos! Enquanto caminhamos sob a ordem divina neste mundo (lembra que Jesus confirmou que seria assim em Jo 17:15?), Ele mesmo vai reconstruindo nossa história e curando as feridas do corpo e da alma que a vida nos infligiu (Is 53:5 é a profecia confirmada no NT em 1Pe 2:24).
O que as duas histórias anteriores têm em comum é que no caminho se deu a manifestação espiritual porém nem todos os homens envolvidos poderam usufruir completamente dela. Mas o nosso Deus nunca desiste! É aqui que a terceira história nos ajuda na compreensão. Quando com sinceridade e diligência permanecemos indo pelo caminho, Deus nos encontra – e ainda que seja preciso nos derrubar – e muda a nossa história (relembre Paulo no caminho de Damasco em At 9:1-18).
O Senhor sabe o que vai em nosso coração e os motivos que nos levam a por os pés no caminho (como é belo todo o Sl 139!). Alie a isto a verdade que Ele nos ama profundamente (destaque Jo 15:13). Então haveremos de constatar que indo pelo caminho o Senhor sempre demonstra interesse em nós; trata-nos com firmeza, mas também com carinho e marca a nossa trajetória. E quando reconhecemos que Ele é o Senhor do caminho, vivenciamos uma profunda transformação em nossa caminhada (Jesus chama isso de novo nascimento em Jo 3:5-6).
Que possamos não apenas perceber que indo pelo caminho o Senhor caminha e trabalha ao nosso lado, mas também que nos deixemos ser tocado e influenciado por aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.